Natal
Casos de violência doméstica crescem 44,3% no Estado
Publicado: 00:00:00 - 18/07/2021 Atualizado: 13:55:16 - 18/07/2021
Ícaro Carvalho
Repórter

As fortes cenas de um produtor cultural batendo em sua companheira viralizaram e fizeram com que o debate a respeito da violência doméstica ganhasse novos contornos durante a última semana. O cantor paraibano DJ Ivis foi filmado agredindo Pamella Holanda, agora ex-esposa, em situações diferentes e as cenas chocaram o país. As agressões, no entanto, continuam enraizadas na sociedade e seguem acontecendo, mesmo com o constante debate por parte do Poder Público, movimentos feministas e ativistas sociais. No Rio Grande do Norte, essa realidade apresentou um aumento de 44,3% no 1° semestre de 2021 em comparação a 2020. Por outro lado, o número de feminicídios apresentou uma queda de 20% no 1° semestre e foi o melhor indicador nos primeiros seis meses dos últimos sete anos.

Alex Régis
Dados relativos à violência contra a mulher no RN possuem várias perspectivas: casos de violência doméstica aumentaram, incluindo tentativas de femicídios. Os feminicídios em si estão em queda

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Em números absolutos, as delegacias de polícia do Rio Grande do Norte registraram 2.617 casos de violência doméstica nos seis primeiros meses de 2021, contra 1.814 registros no mesmo período de 2020. Os dados são da Coordenadoria de Estatísticas e Análise Criminal (Coine) da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social do RN (Sesed). Se enquadram em violência doméstica os seguintes crimes: violência física, psicológica, sexual, patrimonial, moral, institucional (quando a vítima sofre ao ser mal atendida numa instituição onde ela procura ajuda) e revitimização plural (em que a vítima é apontada pelo próprio algoz, por seus familiares e/ou por outras mulheres ou pessoas da mesma posição como sendo a culpada pelo crime). Essa estatística da Coine não abarca casos nem registros de feminicídio.

“Devido à pandemia, tivemos o isolamento social, temos mais tempo do potencial agressor dentro de casa com a potencial vítima, e nem todas as mulheres denunciam isso. Portanto, há um aumento dessa violência, ou seja, aproximamos o agressor da vítima”, cita Ivênio Hermes, coordenador da Coine.

Arquivo Pessoal
Coordenador da Coine diz que pandemia favorece crescimento

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A cabelereira N.A, de 30 anos, foi uma vítima de violência doméstica em 2021. Ela foi agredida por cerca de 20 minutos pelo ex-namorado durante uma festa de aniversário e chegou a ter 27 lesões em todo o corpo constatadas em exame de corpo delito. Cansada das agressões e dos abusos, que incluíam controle da roupa, saída com amigas e até bloqueio da privacidade no seu celular particular, fatos que aconteciam há pelo menos um ano e meio, ela resolveu denunciar nas redes sociais o caso, que ganhou ampla repercussão no Estado.

“Daquela forma ele nunca tinha feito comigo. Eu estava num relacionamento abusivo, não havia respeito. Tudo era no grito, era troca de roupa, questões psicológicas. Houve outras agressões, mas nunca denunciei, porque ele se arrependia, pedia perdão. E quando você gosta, acredita né? Mas como foi daquela forma, eu fiquei sem saída. Precisava recuperar minha dignidade. Fazia de tudo por uma pessoa, que o que ele fez pra mim foi algo inexplicável”, disse. O homem foi solto em audiência de custódia no mesmo dia.

De acordo com a vítima, ela conheceu o ex-namorado em uma festa na cidade onde morava e o relacionamento caminhava bem, até que as agressões começaram com um ano de namoro. No dia 26 de junho, data da agressão, foi o estopim para o fim do relacionamento. Ela disse que está passando por tratamentos médicos e psicológicos para superar o caso.

“Eu estava abalada, pois tinha saído de um relacionamento, então encontrei nele um conforto. Começou no amor, depois que mudou. Foi impondo, o que queria e não queria, as visões políticas eram diferentes. Quando essas questões foram caindo, eu estava num relacionamento abusivo, tentei sair várias vezes, mas pelo sentimento, eu continuei, por acreditar. As mulheres não devem se calar, devem procurar seus direitos, ter fé em Deus. As leis precisam ser renovadas, olharem para nós mulheres. Estamos falando aqui, tem mulher sendo agredida em casa diariamente. Isso precisa ser mudado”, completa.

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