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Natal
Casos de virose lotam unidades e Prefeitura de Natal abre serviço temporário
Publicado: 00:00:00 - 20/04/2022 Atualizado: 21:01:16 - 19/04/2022
O aumento do número de casos de virose nas unidades públicas de saúde da capital obrigou a Secretaria Municipal de Saúde (SMS/Natal) a  montar, a partir desta quinta-feira (21), um atendimento às urgências de menor gravidade. O serviço funcionará em caráter excepcional e temporário nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Pajuçara e Cidade da Esperança para atender casos leves de viroses. Devem procurar essas unidades pessoas com dor de cabeça, febre de até 38 graus, tosse seca não persistente, dor nos braços, dor nas pernas e moleza no corpo. O aumento da procura por atendimento infantil cresceu até 115%, segundo o Município.

MAGNUS NASCIMENTO
Secretaria de Saúde de Natal estima que atendimento pediátrico cresceu até 115%. Serviço temporário será disponibilizado

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“Nessas UBS ofertamos atendimento médico por meio de clínico geral, pediatra e equipe de enfermagem”, explica George Antunes, secretário de Saúde de Natal. A pasta explicou que a iniciativa se deve ao aumento de 90% na procura de atendimento pediátrico na UPA Cidade da Esperança e 115% na pediatria da UPA de Pajuçara. “Nessas duas unidades foram onde se registraram maiores procuras por atendimento e percebeu-se que tem sido de pacientes considerados casos leves, que podem ser atendidos em serviços ambulatoriais, não necessitando ir às UPAs”, esclareceu a SMS.

Ainda de acordo com a Secretaria, as UBS de Pajuçara e Cidade da Esperança funcionarão das 7h às 19h para atender esses pacientes e, em paralelo, as UPAS contarão com um direcionador de fluxo para identificar casos leves em tempo oportuno e diminuindo o tempo de espera das pessoas. As UPAs atenderão somente os casos graves (de pessoas com quadro de vômitos persistentes mesmo após medicação, febre alta persistente por mais de 24h, cansaço, cor da pele pálida, arroxeada ou amarelada, sonolência e diarreia).

A TRIBUNA DO NORTE visitou as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Potengi e de Pajuçara, onde muitos pacientes apresentavam sintomas de viroses. É o caso da auxiliar de serviços gerais, Celimar de Souza, de 53 anos. Ela chegou à UPA do Potengi às 5h. Já passava das 9h e a mulher ainda não havia recebido nenhum tipo de atendimento.

“Estou com dor nos braços, dor de cabeça e febre. Os sintomas apareceram na segunda à noite. Aqui não falaram nada. Tinha um papel na parede dizendo que a UPA estava em greve, mas quando souberam que a imprensa vinha para cá, tiraram os papéis”, reclamou Celimar. A técnica de enfermagem Marina de Oliveira, de 25 anos, conversou com a reportagem logo que chegou à UPA Potengi.

Segundo ela, já havia procurado atendimento no local na segunda-feira (18), mas foi embora depois de esperar por cerca de quatro horas. “Vim na segunda e não consegui atendimento. Cheguei às 15h e fui embora às 19h. Além de esperar por muito tempo, estava com meu filhinho, que tem apenas seis meses. Como os sintomas não melhoraram, decidi retornar hoje”, contou. 

Marina apresentava sintomas como rouquidão e reclamava de dores no ouvido e presença forte de catarro ao tossir. “Já tive febre, mas, felizmente, passou”, disse a técnica em enfermagem. Na UPA Pajuçara, mais reclamações sobre superlotação. A professora Lourdes Monteiro acompanhava a mãe, Ana, de 91 anos, que começou a apresentar tosse forte no final de semana.

“Como ela já teve 11 pneumonias, fiquei preocupada e decidi trazê-la para a UPA, mesmo sabendo que ia ser difícil o atendimento.

Levamos cerca de meia hora para sermos atendidas. Mas, para isso, eu reclamei bastante, já que ela é bem idosa”, relata a professora.

Apesar de uma menor espera por atendimento, Lourdes e a mãe teriam que aguardar cerca de cinco horas até a conclusão do resultado do exame solicitado pelo médico. “Ouvi dizer que só tem um técnico atendendo, por causa da greve. Então, a espera está gigante para liberar o resultado do exame. E ela vai ter que ficar nessa cadeira [de rodas] esperando. É complicado”, afirmou Lourdes.

Com a grande demanda nas unidades por suspeita de viroses, a assistência de quem não apresenta sintomas virais também ficou comprometida. A auxiliar de serviços gerais Conceição Pontes, de 49 anos, levou o irmão à UPA do Potengi porque ele apresentava indícios de uma crise psiquiátrica. Conceição estava preocupada com a demora no atendimento.

“Ele está agressivo e a espera só piora o quadro. Além disso, eu trouxe minha mãe com a gente. Ela tem 77 anos e não podia  ficar sozinha em casa. Me disseram aqui que, se o médico achar necessário, após a consulta, irá ligar para o João Machado e, se tiver vaga, meu irmão será  internado. Agora, não pode ir direto para lá [para o João Machado]. Tem que vim na UPA antes”, relata a auxiliar de serviços gerais.

Também no Potengi, Maria Lúcia, de 33 anos, aguardava atendimento após machucar o pé na academia. “Caiu um equipamento no dedo do pé e abriu um ferimento. Cheguei aqui às 8h30 e nem sei quando vou ser atendida”, contou a paciente. A TRIBUNA DO NORTE ficou cerca de uma hora na UPA do Potengi e, durante esse período, nenhum dos personagens ouvidos pela reportagem havia recebido atendimento.

Na UPA Pajuçara, Carlos Alberto, de 19 anos, esperava há duas horas, sem perspectiva de quando teria acesso aos serviços da unidade.

“Estou com uma crise de tireoide desde o sábado. Cheguei aqui e está tudo lotado”, reclamou. Por lá, a espera por atendimento demorava até cinco horas. A TN procurou a direção das respectivas UPAs, mas ninguém quis responder aos questionamentos da reportagem.

Mulher espera 4h por atendimento na UPA Potengi
Na tarde de segunda-feira, Maria Eremita de Figueiredo, de 81 anos, sentiu fortes dores no peito e teve que ser levada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) à Unidade de Pronto Atendimento de Pajuçara na zona Norte. A chegada ao local ocorreu por volta de 16h. Sem atendimento por causa da superlotação da unidade, a idosa foi levada pela equipe do Samu à UPA do Potengi, onde chegou por volta de 18h.

Familiares da paciente afirmaram que a mulher teve um infarto e, ainda, assim, esperou por quatro horas em uma maca no estacionamento da UPA  até receber atendimento. “Só levaram ela para uma sala às 22h. Minha mãe não morreu por causa do pessoal do Samu. Os médicos da UPA disseram que não podiam atendê-la”, desabafa o filho da idosa, Marcos Medeiros.

“Enquanto esperava, minha avó precisou de mais dois suportes de ambulância do Samu para oxigênio. Ela só deu entrada na UPA após a chegada de um advogado da família. Por causa da demora no atendimento, por volta de 0h46, minha avó precisou ser intubada”, contou Ana Carolina Dantas, que é neta da paciente.

Ainda na UPA, Maria Eremita aguardava regulação para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) quando foi atingida por um equipamento utilizado para monitorar os sinais vitais da paciente. O acidente ocorreu por volta das 11h.

"O monitor caiu na fronte dela e ocasionou um corte próximo à sombrancelha. O médico fez um curativo e encominhou para que fosse realizada uma tomografia no Walfredo Gurgel. Fui avisada do acidente por volta das 14h e segui para lá para levá-la ao hospital. Retornei com ela à UPA no começo da noite. O resultado da tomografia deve sair em 24 horas, descreveu Ana Carolina.

 A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) disse que, após o resultado do exame, a mulher será encaminhada para o Hospital Regional de Macaíba. Sobre o caso, a SMS/Natal esclareceu que "em nenhum momento faltou oxigênio para a paciente". Em relação ao acidente na UPA, a Secretaria de Saúde de Natal disse lamentar o ocorrido e afirmou que vai se reunir com a direção da equipe médica para saber o que de fato aconteceu na ocorrência.

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