Celebração da música

Publicação: 2015-09-18 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter

Entre a cruz e a espada, a popularidade e a relevância, o Rock in Rio inicia a celebração de seus 30 anos nesta sexta-feira (18) cheio de ambições, encurralado por duras escolhas e (talvez) refém da nostalgia. A primeira das sete noites de shows traz como atração principal a banda inglesa Queen, que desde 2011 circula pelos palcos da vida com o norte-americano Adam Lambert nos vocais – um claro momento 'revival' da antológica passagem de Freddie Mercury (1946-1991) pelo festival em 1985. Para hoje ainda estão marcados shows das bandas OneRepublic (EUA) e The Script (Irlanda), mais homenagem a Cássia Eller, e os encontros entre Lenine e Nação Zumbi, e Ira!, Rappin Hood e Toni Tornado.
DivulgaçãoMontagem final do palco principal do Rock in Rio 30 anos reforça a ideia de seu idealizador, de vivenciar uma “experiência”Montagem final do palco principal do Rock in Rio 30 anos reforça a ideia de seu idealizador, de vivenciar uma “experiência”

O canal Multishow vai transmitir toda a programação ao vivo, direto da Cidade do Rock, totalizando 80 horas de música, nos dias 18, 19, 20, 24, 25, 26 e 27. Já a TV Globo exibe compactos após o Jornal da Globo. Esta será a sexta edição do evento no Rio de Janeiro, que já aconteceu outras seis vezes em Lisboa (Portugal), três em Madrid (Espanha) e estreou em maio deste ano em Las Vegas (EUA).

E se depender das intenções do do criador do festival, o empresário e publicitário Roberto Medina, essa lista deverá crescer: ele quer alcançar a Ásia e o Oriente Médio em breve. Medina costuma dizer que o Rock in Rio não é sobre essa ou aquela banda, mas sim “sobre a experiência”. A estampa “Eu fui” resume bem essa assertiva: fosse em adesivos ou camisetas, não importa, a onipresença do festival sempre o posicionou de forma diferente dos outros.

Em 1985 não havia possibilidade de escolha entre tantas opções de shows internacionais, o Brasil não estava na rota das turnês (salvo algumas exceções) e um evento do porte do Rock in Rio chamava a atenção por si só. O festival virou marca, expandiu e implode aos poucos – ou sufoca-se, diante da necessidade gritante de atingir as massas. Também repete fórmulas (Metallica, Justin Timberlake, Bruce Springsteen, Katy Perry, que o digam) e confunde o que realmente é importante; troca uma curadoria ousada pelos nomes mais citados em pesquisas de opinião. Entre as atrações principais do festival em 2015 estão Rihanna, Katy Perry, Queen, System of a Down, Slipknot, Metallica, Rod Stewart, Faith no More, John Legend, Korn, Deftones, Steve Vai, Seal, Elton John, Mötley Crüe, Royal Blood e Queens of the Stone Age. Confira programação completa no site www.rockinrio.com/rio.

Mesmo considerando que a curadoria do festival tenha perdido completamente o controle da situação, o Rock in Rio cresceu como um gigante. Bate de frente com megafestivais como Coachella (na Califórnia) e o itinerante Lollapalooza, com boa média de público e uma internacionalização impensável há 30 anos. O fato é que o evento se tornou uma espécie de visita ao supermercado: busca-se quase sempre os mesmos produtos, com a constante possibilidade de ser surpreendido.

Fãs natalenses relembram primeiras edições
O jornalista Ailton Medeiros esteve em duas edições do Rock in Rio: 1985 e 1991. “Fui para ver bandas de heavy metal como Ozzy Osbourne, Whitesnake, AC/DC e Scorpions. Mas foi o Iron Maiden quem mais me surpreendeu”, lembra. Ele conta que não aguentou a maratona: dos dez dias de shows tinha ingressos para sete, mas só aguentou cinco. “Saia de casa às 16h e voltava no outro dia às 6h. Vi tudo o que gostaria de ver”.

Medeiros estava  na expectativa, assim como, certamente a maioria do público, pela performance do Queen. “A banda estava no auge do auge, vindo pela primeira vez no Brasil”. Para ele o primeiro Rock in Rio funcionou como um “Woodstock tupiniquim: havia um clima legal de paz e amor. Era o primeiro grande festival no Brasil”. O jornalista, que foi entrevistado pelo Jornal Nacional na época, confessa que não teve vontade de ir este ano, primeiro por falta de saúde e disposição para “encarar 2 horas de fila para comprar um sanduíche”, e segundo pelo comercial da programação.

O servidor público Auridan Trindade, auditor fiscal da Prefeitura de Natal, também esteve no primeiro Rock in Rio em 1985 e marcou presença em todos os dias. Ele acampou com a esposa Ana Maria, na época namorada, em frente a Cidade do Rock. “Fomos para todos os shows. Foi um momento único, achava que não ia ver nunca mais aquelas bandas. Como sempre fui muito roqueiro, e era bem radical na época, meu negócio era rock progressivo. Estava ali para ver o Yes e, principalmente, o Queen; mas fui surpreendido pela Iron Maiden e o Whitesneke. Não curtia o peso do Iron, mas o instrumental deles é excelente”.

O produtor e músico Anderson Foca era muito novo para ir ao festival em 1985, sua primeira vez no Rock in Rio foi em 2011, “queria ver o Metallica”. Em 2014, durante turnê da banda Camarones  pela Europa, conferiu os Rolling Stones no Rock in Rio Lisboa. Inclusive a Camarones garantiu vaga no festival deste ano ao faturar um concurso nacional, será a representante do RN no festival.

“Pouquíssimas bandas têm essa oportunidade de tocar lá. É uma coisa superpositiva”, disse Foca sobre a participação da Camarones no palco Sunset no dia 26. Ele adiantou que está expectativa pelos shows do Autoramas, do Mastodon e Faith No More.

Carito Cavalcanti, poeta, músico e realizador audiovisual conferiu a edição de 1991. Viu os shows do Prince, Joe Cocker, INXS, Carlos Santana, Billy Idol, Faith No More, Guns N’Roses. “O Prince foi quem mais me surpreendeu. Ele atrasou muito e a galera começou a xingar. Quando apareceu e disse 'My name is Prince', todo mundo se calou. Parecia que todos estavam vendo um elefante na África, algo sagrado. O show foi impecável”. Para Carito o Rock in Rio tem a bagagem e a história como diferencial. “Lembro que até o adesivo no carro eu coloquei: 'Rock in Rio II - Eu vou!' pela sensação de pertencer a uma juvenília contagiante e ao universo do rock and roll”.

CURIOSIDADES
- Em todas as edições do Rock in Rio, contando Rio de Janeiro, Lisboa, Madrid e Las Vegas, já passaram 1,2 mil artistas e um público total de quase 8 milhões de pessoas

- Em 1985 as atrações tinham em média 31 anos, enquanto em 2015 essa média de idade subiu para 44 anos. A média de idade dos integrantes do Queen, por exemplo, saltou de 36 para 48 anos (considerando os 33 anos do novo vocalista)

- Um copo de cerveja (400ml) vai custar R$ 10 na Cidade do Rock

- Será proibido entrar no festival com pau de selfie, capacetes, cadeiras, guarda-chuva, skates e coolers

- Esta é a oitava vez que o Metallica participa do Rock in Rio, a terceira consecutiva no Brasil

- Só será possível chegar a Cidade do Rock, na zona Oeste do Rio de Janeiro, com transporte público (ônibus BRT ou transporte VIP oferecido pelo próprio evento)

- O Rock in Rio de 1985 durou dez dias (seguidos) e reuniu 1,4 de pessoas e 29 atrações nacionais e internacionais. Em 2015 serão mais de 110 atrações espalhadas em quatro palcos: Mundo, Sunset, Eletrônica e Rock Street

- O parque de diversões montado dentro do evento irá funcionar com sistema de agendamento para evitar filas

* com informações da Agência Estado / repórter Pedro Antunes

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