Celso Matias, o médico, o professor, o amigo – Parte II

Publicação: 2020-07-12 00:00:00
A+ A-
Berilo de Castro
Médico e escritor

Além do meu primeiro contato com o mestre Celso Matias enquanto aluno, vale reportar  outras passagens que me fizeram consolidar ainda mais a nossa indefectível e sincera amizade. A primeira aconteceu em meados da década de 1960, quando o Professor lecionava na Faculdade de Farmácia – Noções Básicas de Fisiologia Humana. Eu, já estudante de Medicina e exercendo atividade burocrática na Faculdade de Farmácia, lhe pedi para ser seu auxiliar como monitor na Cadeira; solicitação que foi prontamente concedida, com total aval e aquiescência do Professor Genário Fonseca, Diretor da Faculdade. Sua permanência na FFUFRN durou três anos, sendo bastante enaltecido e agraciado pelos bons serviços prestados àquela conceituada Unidade Universitária.

A segunda foi quando, já de diploma na mão, ansioso, indeciso e eufórico para decidir o que fazer, que caminho iria tomar com relação à minha pós-graduação, e diante dessa confusão mental e cheio de incertezas quanto à especialidade a seguir, procurei os conselhos do Professor.
Na conversa, expus as minhas pretensões; como sempre, o Professor, muito tranquilo e ponderado, me perguntou se eu não gostaria de fazer a minha pós-graduação na cidade de Salvador/BA, na especialidade de Nefrologia, pois lá havia um grande amigo e colega, o Professor Doutor Heonir Rocha, Chefe do Serviço de Nefrologia do Hospital Professor Edgar Santos.

Fui para casa, conversei com a família e no dia seguinte dei a resposta positiva, acreditando ter feito a escolha melhor, a mais correta. Quinze dias depois viajamos para Salvador, no meu carro, o Gordini, levando de “carona” o Professor, que iria rever familiares e amigos em terras baianas e sergipanas.

Voltei a encontrá-lo novamente em mais duas oportunidades; no Programa Memória Viva, na TV Universitária da UFRN, sob a coordenação do conceituado jornalista e reconhecido homem de cultura, Tarcísio Gurgel, tanto como entrevistado, como entrevistador.

No ano de 1967, foi convidado para chefiar a Disciplina de Iniciação ao Exame Clínico (Semiologia Médica), em que conseguiu desenvolver e empregar a sua sempre inovadora e humana arte de fazer e ensinar Medicina; permanecendo até a data da sua aposentadoria compulsória, no ano de 1995.

Mesmo aposentado, continuou fazendo seus atendimentos em ambulatório, de forma voluntária, no Hospital Onofre Lopes, até o ano de 2008.
Como prova de dedicação e de amor à profissão, mesmo com a idade de oitenta anos, participou ativamente do 1º Curso de Pós-Graduação em Diagnóstico e Tratamento da Dor; além de participar de vários Congressos de Geriatria e Gerontologia promovidos pela Sociedade Brasileira, em várias capitais do Brasil. Fora do ambiente universitário, foi contratado para prestar assistência médica aos servidores do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), durante os anos de 1964 a 1992.

Com seus 92 anos bens vividos e dedicados à arte de curar, se mantém lúcido, tranquilo, conversa amiga e cordial, vez por outra (todas as noites das sexta-feiras no salão do Clube da AABB) não esquece de “balançar” o corpo com a sua querida esposa Tercia, formando o famoso e elogiável “casal pés de ouro”.

Sempre feliz, de sorriso perene, orgulhoso com a família que construiu e que o protege e o acoberta com o manto divino, revestido de muita fé cristã. Parabéns, Professor Celso, por você existir e tê-lo como destaque no meu quadro inesquecível de amigo, colega e afável admirador.