Central já arrecadou mais de R$ 1,6 milhão em doações

Publicação: 2020-05-10 00:00:00
Criada no mês passado para organizar as doações dos potiguares na pandemia de coronavírus, a Central de Doações do Rio Grande do Norte já arrecadou, segundo dados da Controladoria Geral do Estado enviados à TRIBUNA DO NORTE, R$ 1,6 milhão em contribuições de empresas, grupos e sociedade civil. O valor não inclui as máscaras do programa RN+ Protegido. 

Créditos: Adriano AbreuDoações estão sendo destinadas à população de baixa rendaDoações estão sendo destinadas à população de baixa renda

De acordo com o controlador geral do Estado, Pedro Lopes, as doações estão sendo reunidas em um galpão na Escola de Governo, no Centro Administrativo. A Central de Doações foi instituída no último dia 26 de abril, por decreto da Governadora Fátima Bezerra.

“As doações estão sendo destinadas por políticas da Secretaria de Assistência Social. A Sethas verifica as famílias em vulnerabilidade, de baixa renda, e famílias com dificuldades financeiras em virtude da pandemia. Fizemos doações de cestas básicas para a Vila de Ponta Negra, quer dizer, os ambulantes, pescadores, pessoal que está sem emprego porque o comércio está fechado. O perfil é esse”, comenta o controlador geral.

Até agora, segundo o portal da transparência do Governo do Estado, foram distribuídas 1.326 cestas básicas para 20 associações e comunidades do RN; 7.030 litros de leite para 75 comunidades e instituições filantrópicas do Estado e outras 194.130 mil máscaras de tecido de pano para municípios, instituições e voluntários, supermercados, lojistas, igrejas e profissionais da saúde e da segurança. A ideia é distribuir outras 905 mil máscaras, fechando um total de 1,1 milhão de máscaras, parceria feita entre o Governo do Estado e a Fábrica Guararapes.

Créditos: Adriano AbreuEntre as ações individuais está o Varal Solidário, criado pela costureira Lourdes Araújo e sua filha, Denise. Juntas, elas estão confeccionando máscaras de pano para população em situação de vulnerabilidadeEntre as ações individuais está o Varal Solidário, criado pela costureira Lourdes Araújo e sua filha, Denise. Juntas, elas estão confeccionando máscaras de pano para população em situação de vulnerabilidade

“Nossa ideia é que todos os municípios do Rio Grande do Norte recebam máscaras. O programa todo vai fazer 7 milhões de máscaras”, comenta. Ele acrescentou ainda que, com a parceria, o poder executivo vai ficar recebendo cerca de 300 mil máscaras por semana. 
Além disso, a Controladoria Geral anunciou nesta sexta-feira (08) a distribuição de 56 galões de cinco litros de álcool em gel e 7.740 máscaras, ação que vai beneficiar pelo menos cinco mil agricultores familiares.

Empresários compram e doam respiradores e máscaras para hospitais
Empresários, entidades e institutos também têm auxiliado na busca por recursos e donativos na crise do covid. Do pequeno ao grande empresário, do microempreendedor ao grande instituto, os grupos têm comprado respiradores, doado máscaras do tipo face shield e também auxiliam financiando pesquisas e arrecadando recursos para amenizar a pandemia. 

Uma dessas ações foi coordenada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/RN) em parceria com a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL/Natal), logo no começo da pandemia. De acordo com o presidente da entidade, Sílvio Bezerra, foram arrecadados R$ 1,4 milhão. Com o recurso, foram comprados respiradores e uma doação de material para viabilização de dois milhões de máscaras, que serão destinadas à Guararapes e Governo do Estado.

“As empresas não existem sem o mercado e as pessoas estão sofridas. Temos que entender que esse momento de quarentena serve para refletirmos o papel da empresa, do empresário. É nesse momento de tristeza e preocupação que vemos quem são as empresas e pessoas que são solidárias às questões humanitárias. É importante que se participe com qualquer doação”, analisa o empresário Sílvio Bezerra. 

Empresários e pesquisadores também têm se reunido em busca da fabricação de um respirador mecânico próprio do RN, aparelho disputado por países de todo o mundo. No Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGás), ligado a Fiern, um equipamento com custos mais baratos que o do mercado está em fase de testes e aguarda documentação para ser avaliado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O custo estimado para o respirador feito no RN é entre R$ 10 e 20 mil.

A empresária e proprietária da rede de postos de combustíveis Novo Horizonte, Dulcilene Sales, está promovendo uma campanha aos sábados nas suas três unidades. A rede de postos está doando R$ 30, em dinheiro, a cada mil litros de combustível comercializados. O valor é revertido para ações da Cruz Vermelha. “Estamos distribuindo máscaras, sabonetes líquidos e alcool em gel aos sábados”, complementa.

O Instituto Santos Dumont (ISD) também se uniu às doações. Um grupo de pesquisadores está desenvolvendo máscaras do tipo face shield e doando a pelo menos 49 hospitais e unidades de saúde do Rio Grande do Norte. Até agora, já foram doadas cerca de 1.180 máscaras. A produção foi retomada na última quarta-feira (06) após doação de folhas de acetato e filamentos para impressão 3D. 

“Quando começou a pandemia e começou a faltar EPI no mercado, os próprios alunos e pesquisadores somaram esforços para ajudar a resolver esse problema. A face shield é reutilizável, não é descartável. Pode ser higienizado com álcool, um pano macio para não arranhar”, comenta o coordenador do ISD, Edgard Morya. São cerca 15 alunos e pesquisadores, sendo de 3 a 4 estudantes por dia e um ritmo de produção de 100 máscaras por dia.

Outras empresas também têm se mobilizado de outras maneiras para apoiar outros segmentos. A Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern) publicou edital por meio do projeto “Som Sem Plugs” para selecionar cinco artistas potiguares, público afetado com a pandemia, para apresentações via web, com cachê, consultoria técnica e prêmios exclusivos. Outros cinco artistas potiguares também receberam cachê. Além disso, apresentações da Orquestra Sinfônica do RN também foram apoiadas.

“Estamos contribuindo com um projeto que está apoiando ações voltadas para a economia criativa durante a pandemia, para o fortalecimento da cultura e da economia regional. Estamos construindo juntos uma forma de nos unir, ampliar conhecimentos e possibilitar transformações", declarou Renata Chagas, diretora do Instituto Neoenergia.

Esportistas se unem e fazem doações
O mundo do esporte também tem se mostrado solidário e em alguns casos, buscando solidariedade, nesses tempos de pandemia. Nas últimas semanas, por exemplo, é comum ver jogadores de futebol, equipes e atletas se envolvendo para ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade.

Nesta semana, uma torcida organizada do América de Natal organizou uma doação de cestas básicas para 30 ex-funcionários do ABC, demitidos no começo da pandemia. Além disso, os jogadores do elenco do América também fizeram, recentemente, doação de uma tonelada e meia de alimentos numa live da banda Cavaleiros do Forró. 

Jogadores nascidos no Rio Grande do Norte e que hoje brilham em outros times também não esqueceram suas origens. Foram os casos do zagueiro Rodrigues (Tonhão), ex-ABC e hoje no Grêmio, e Romarinho, ex-Globo, ABC e América e atualmente no Fortaleza. Ambos fizeram doações de cestas básicas e alimentos para as cidades onde nasceram, Senador Georgino Avelino e Ceará- Mirim, respectivamente.

Com as recomendações de isolamento, os corredores de rua também adotaram uma maneira de ajudar. A Federação Norte-rio-Grandense de Atletismo abriu inscrições para uma corrida virtual, com o valor da inscrição, um sabonete, sendo doado a instituições que atendam a população em situação de rua do bairro do Alecrim. De acordo com a presidente da Federação de Atletismo, foram 600 inscrições, que chegaram a ser reabertas na última sexta-feira (08).

Na outra ponta, são vários os esportistas que também precisam de ajuda nesses tempos difíceis. É o caso de atletas da Sociedade Amigos do Deficiente Físico (Sadef-RN), que está arrecadando cestas básicas para os paratletas potiguares. “Temos casos de atletas que estavam pra ser contratados, mas a chance do emprego ficou pra depois. E muitas famílias de associados nossos já perderam renda, e estão enfrentando dificuldades”, conta Jackson Alexandre, presidente em exercício da Sadef. Ao todo, a Sadef conta com cerca de 200 associados.