Cesta básica acumula alta de 9,3% em Natal

Publicação: 2020-09-20 00:00:00
Ricardo Araújo
Editor de Economia


A aquisição de alimentos está custando mais caro ao cidadão potiguar. Somente em Natal, conforme dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), a cesta básica acumula alta de 9,31% ao longo deste ano. É o sexto maior aumento entre 17 capitais pesquisadas mensalmente pelo Instituto. O peso do custo dos alimentos é sentido no bolso de quem fornece e de quem compra os itens indispensáveis à alimentação, como o arroz (+4,89%), feijão (+1,08%) e carne (+0,67%) que estão “valendo ouro”.

 “Os preços têm subido absurdamente. A cada semana, é um preço diferente. Além dos alimentos, os lojistas estão cobrando mais caro pelas embalagens das marmitas, por exemplo, por causa do aumento nos serviços de delivery. Eles também cresceram os olhos nisso.  Aumentou carne... a única coisa que ainda não aumentou foram frutas e verduras. Aumentou tudo. Um absurdo”, lamenta Priscila Câmara, que trabalha no preparo e fornecimento de marmitas. Para não perder clientes em meio à pandemia, ela tenta segurar os preços das marmitas, mas não sabe até quando será possível.

Créditos: Alex RégisFubá, derivada do milho, tende a ficar mais cara até fim do anoFubá, derivada do milho, tende a ficar mais cara até fim do ano

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Ao longo do mês de agosto, conforme dados do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (IDEMA) que calcula o custo da cesta básica em Natal, nove dos treze itens que compõem a cesta registraram aumento: Açúcar (7,53%), Arroz (4,89%), Óleo (4,30%), Pão (1,92%), Feijão (1,08%), Frutas (0,81%), Carne de Boi (0,67%), Margarina (0,62%) e Farinha (0,36%). As variações negativas ocorreram em dois produtos restantes: Legumes (-8,82%), Tubérculos (-3,48%) e Café (-0,03%).

“Nas despesas com os produtos essenciais, o custo com a Alimentação por pessoa foi de R$ 409,97. Para uma família constituída por quatro pessoas, esse valor alcançou R$ 1.639,88. Se a essa quantia fossem adicionados os gastos com Vestuário, Despesas Pessoais, Transportes etc., o dispêndio total seria de R$ 5.056,77”, ressalta o Instituto em nota.

O presidente da Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (ASSURN), Geraldo Paiva, explica que a alta valorização do dólar frente ao rela impacta diretamente no valor final de diversos produtos consumidos cotidianamente pelo brasileiro na alimentação. O óleo de soja, por exemplo, está custando quase 100% a mais. “Se sobe no supermercado, é porque subiu no produtor. Muitas vezes, nós seguramos o aumento para não impactar tanto. Eu acho que hoje, diferente do que muitos estão dizendo, o grande vilão não é o arroz, mas o óleo de soja, que está quase 100% mais caro e a gente não encontra para comprar. Hoje, um litro de óleo está custando R$ 7,99”, relata Paiva.

Em relação ao arroz, o presidente da ASSURN comenta que, com o aumento no consumo por causa das famílias beneficiadas com o Auxílio Emergencial do Governo Federal em meio à entressafra, o custo subiu consideravelmente. Tende, porém, a cair quando a safra for colhida. Geraldo Paiva alerta, contudo, que os itens derivados de milho e trigo, além dos mais consumidos no período natalino e que são importados, tendem a aumentar de preço em breve.

Mais pobres


A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018: Análise da Segurança Alimentar no Brasil divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no final da semana passada mostra que famílias com insegurança alimentar gastam mais com itens básicos de alimentação, como arroz, do que famílias com segurança alimentar. No Nordeste, as famílias com segurança alimentar gastam, em média, R$ 12,95 mensais com arroz. Por sua vez, as famílias com insegurança alimentar grave – aquelas em que pelo menos um membro passa fome por não ter recursos para comprar alimento - gastam R$ 18,67, embora essas tenham uma despesa total menor.






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