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Chef Rafael Tonon traz história da alimentação com humor
Publicado: 00:00:00 - 26/01/2022 Atualizado: 23:55:18 - 26/01/2022
F azer comida hoje é tão popular quanto era fumar há meio século. A instituição Cozinha (com devida caixa alta) está presente em anúncios de televisão, propagandas de revista e disseminada nas redes sociais e em outras transmídias. Todo mundo fala de comida. Não só misturar, picar, cortar, apertar, descascar, cozer e temperar, o negócio é saber a origem de cada alimento, sua história e para que serve especificamente um açafrão ou um manjericão roxo. Óbvio, o controle de qualidade amador vem aumentando o crivo: verificam-se procedência, como a origem do produto, terra do plantio, cuidado e se há uso ou não de agrotóxicos.

Divulgação
Chef brasileiro Rafael Tonon viajou o mundo para desvendar os segredos da gastronomia

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Em As Revoluções da Comida, o chef brasileiro Rafael Tonon explica a fixação do homem em se alimentar desde os primórdios. Dono de uma prosa ágil e bem-humorada, Tonon esclarece algumas imagens que vagam pelo imaginário das pessoas que procuram saber o que estão comendo, como, por exemplo: se alimentar bem é igual a cultivar uma horta bonitinha em casa? Episódios engraçados são trunfo do livro, experiências pessoais e entrevistas com chefs e restaurateurs recheiam a edição. O livro chega para aprofundar a discussão alimentar desde os foodgrams (usuários do Instagram que falam de comida) aos restaurantes icônicos e experimentais, passando pelos delírios dos gastrônomos futuristas italianos, que montavam esculturas de comida.

O adjetivo macarrônico faz sentido nesta seara, e o livro é uma leitura provocante a se fazer quando séries apostam em bizarrias, como o reality de culinária comandado pela socialite Paris Hilton, aquele nomeado como inimigo da culinária por chefes e fãs de Masterchef.

"O livro propõe contar movimentos históricos e recentes que ajudaram a mudar a forma como comemos - ou entendemos a comida. São revoluções que, aos poucos, alteraram nossas dietas, nossos comportamentos, o que colocamos na nossa geladeira", conta Tonon.

Ele explica a escolha pela narrativa compromissada aos fatos: "Acho que através de uma reportagem profunda, que busca comentar alguns fatos que aparentemente não têm conexão, quero fazer as pessoas pensarem no que comem, em como aquilo que decidem pôr no prato pode ter consequências muito mais amplas do que imaginam."

Quem destrincha o tema em As Revoluções da Comida é a pesquisadora Yamini Narayanan, professora sênior na Deakin University, em Melbourne, renomada ativista culinária. 

Segundo Tonon, "ela defende que o novo veganismo deve ser entendido como entendemos hoje o feminismo, o antirracismo, e outros movimentos semelhantes de luta por uma política de antiopressão. A defesa dela diz respeito ao fato de pensarmos que outras espécies podem estar num nível 'abaixo' da raça humana e isso nos daria o direito de permitirmos que elas vivam exclusivamente para serem mortas e nos alimentar".

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