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Economia
Chegada do 5G aponta dificuldades com a capacitação de mão de obra
Publicado: 00:00:00 - 01/05/2022 Atualizado: 11:07:34 - 30/04/2022
Cláudio Oliveira
Repórter

Com as portas abertas para a conexão 5G, o setor das telecomunicações deve proporcionar a criação de milhares de vagas de emprego com o surgimento de novos produtos e modelos de produção. Mas será preciso investir na qualificação profissional para atuar no setor. Neste sentido, a perspectiva de professores e especialistas  da área é de que será necessária capacitação do mercado de trabalho para que se possa acompanhar o desenvolvimento da nova tecnologia.
Alex Régis
Área de telecomunicações aposta no 5G como oportunidade de disrupção em diversas áreas do conhecimento nos próximos anos

Área de telecomunicações aposta no 5G como oportunidade de disrupção em diversas áreas do conhecimento nos próximos anos


Cerca de 50 mil postos de trabalho devem ser criados neste ano em todo o país com a chegada do 5G, segundo estima a Conexis Brasil Digital, organização que reúne empresas de telecomunicação  e de conectividade, e a Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação). No Rio Grande do Norte há iniciativas sendo executadas por institutos como o Metrópole Digital (UFRN) e SENAI no sentido de qualificar a mão-de-obra para os futuros negócios.

As empresas vencedoras do leilão do 5G assinaram em dezembro passado os contratos de outorga do leilão de 5G, que ocorreu em novembro, com a autorização para uso das radiofrequências de 700 MHz; 2,3 GHz; 3,5 GHz e 26 GHz. A assinatura marca a autorização para uso das frequências leiloadas para ofertar serviços de telecomunicações.

O professor Augusto Neto, do Instituto Metrópole Digital, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte  (UFRN), avalia que o mercado não tem ainda qualifição. “A capacitação de 5G é algo crítico. O que acontece com o 5G é que foi pensado em tecnologias disruptivas, por exemplo, as redes softwarizadas e os ambientes com nuvem nativa. São conceitos da Ciência da Computação muito bem trabalhados e nós temos profissionais muito bem capacitados. Os engenheiros de telecomunicações teriam que começar a conhecer esses conceitos ao mesmo tempo que quem é da computação vai ter que conhecer aspectos de telecomunicações, ou seja, precisará de uma alteração nas ementas e conteúdos desses cursos para poder abrigar esse novo tipo de profissional”, sugere o professor.

Na UFRN, o Instituto Metrópole Digital executa o projeto HAINA em parceria com a empresa chinesa Huawei. Trata-se de um curso online, com aulas ao vivo, para oferecer capacitação e certificação no âmbito da academia Huawei HCIA – Routing & Switching. Para isso, a iniciativa visa validar o conhecimento e habilidades necessárias para a configuração básica e a manutenção de redes de pequeno e médio porte.

“A gente teve uma uma alta taxa de certificação, com 60 pessoas, e mais 200 capacitadas. A gente montou uma força-tarefa de profissionais da engenharia elétrica, de computação, engenharia de telecomunicações, ciência da computação e engenharia de software só para trabalhar com 5G”, explicou o professor Augusto Neto.

Segundo ele, isso é necessário porque vagas na área de tecnologia da informação e comunicação serão abertas e quem já opera o 4G precisará atualizar as técnicas e o conhecimento. “A rede de computadores, então precisará de profissionais que conheçam isso de ponta a ponta. Isso na perspectiva de telecomunicações”, ressaltou.

Na perspectiva de mercado, a nova tecnologia traz grande potencial para o surgimento de novas empresas no setor. “Novas empresas, novas startups surgirão para desenvolver serviços, aplicações, aplicativos voltados ao 5G. Então haverá uma corrida no mercado absurda, desde a montagem de infraestrutura”, sugere o professor. No Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis, o diretor Rodrigo Mello também aponta iniciativas para que os profissionais estejam preparados para o novo momento do mercado.

“Aqui no centro a gente trabalha na formação de pessoas na área de telecomunicação. Estamos instalando um laboratório de robótica Indústria 4.0 de tecnologia 5G, finalizando as tratativas com a Nokia para fazer essa instalação aqui. São atividades que se envolvem com perfis profissionais da cadeia de telecomunicação. Já tem muita gente trabalhando, lançando fibra, instalando antena, será uma oportunidade maravilhosa de empregabilidade”, destacou Mello.

Há a expectativa de que o laboratório seja criado ainda neste ano na estrutura do CTGAS – unidade SENAI, especializada em soluções de educação e serviços para o setor industrial – como uma espécie de “mini-indústria” que prepare trabalhadores para a “indústria do futuro”. O laboratório deve incluir plantas industriais com tecnologia 5G, utilizando IoT (internet das coisas), computação em nuvem e robótica industrial.

Vagas indicam salários atrativos

A expectativa é de que a tecnologia 5G impulsione a criação de cargos como analistas de dados, cientistas de dados, especialistas em Big Data, por exemplo, bem como os cargos relacionados à segurança da informação e proteção de dados.

O professor Erivelton Xavier de Lima, da Universidade Potiguar (UnP), chama a atenção para o investimento na área da cibersegurança.  “A chegada dessa tecnologia 5G aumenta esse risco. É preciso então uma preocupação nessa questão da segurança e para isso mais profissionais capacitados em lidar em garantir isso. Tanto de hardware, quanto de software, há essa preocupação para poder fechar as brechas que há no mundo virtual. Essa questão de segurança é um desafio”, apontou o professor.

O setor é atrativo por ser um dos melhores pagadores, segundo dados da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais (Brasscom). A remuneração média do subsetor de serviços de alto valor agregado é de R$ 5,8 mil, ou seja 2,9 vezes superior ao salário médio nacional, conforme informações de IBGE, Rais e Caged.

Para Rodrigo Mello, diretor do Instituto Senai, o mercado começou a vivenciar uma atualização dos seus profissionais e tudo deve ocorrer aproveitando-se do que já se faz com o 4G, em uma sintonia entre as diferentes funções.
Divulgação/Senai
Mello, diretor do Instituto Senai, comenta sobre mercado

Mello, diretor do Instituto Senai, comenta sobre mercado


“Vai ser muito afinado: o cara que trabalha com nuvem com o que faz a instalação de internet das coisas; um que trabalha com hardware lado a lado porque eles trabalham de forma muito entrosada. Então pensamos nós que o 5G nasce também um pouco disso. É que hoje quando a gente conversa sobre 5G, a gente está vendo muito o cara que vai instalar a antena e o cara que vai programar o seu telefone celular. Mas esse é o fim da linha. Tem um cara lá da conectividade que você não vai se encontrar com ele”, explicou.

Criação de novas aplicações e funcionalidades

Desde a democratização do acesso a serviços à viabilização de carros autônomos e cidades inteligentes, o 5G terá aplicações inimagináveis, segundo o professor Augusto Neto, do Instituto Metrópole Digital. “A gente espera uma revolução, não uma simples melhoria. Abrirá oportunidade para  serviços inteligentes, que não são possíveis nas tecnologias disponíveis hoje do 4G para trás”, disse ele.

Quando o 5G estiver totalmente implementado no Brasil a capacidade da rede de acesso que são as redes que dão conectividade ao usuário final de internet deverá ser expandida a níveis sem precedentes de 10 a 100 vezes mais, isso sem fio e móvel. “Isso deve acomodar aplicações, como as chamadas holográficas, por exemplo, a realidade virtual completa no meio da gente, em diferentes perspectivas de trabalho, de conferências”, prevê o professor.

A evolução de ferramentas multimídia também é esperada. Um jogo de futebol, por exemplo, poderá ser assistido em telas de forma mais autônoma, com toque na tela, escolhendo e combinando imagens de várias câmeras instaladas no estádio. “A internet tátil, que seria basicamente alguém controlar equipamentos robóticos à distância, abrirá possibilidades para cirurgias remotas, profissionais em outros países operando robores para desarmar bombas, máquinas na parte de agricultura, carros autônomos... De fato o 5G vai revolucionar trazendo um cenário mais avançado para nossas vidas”, sugere o professor Augusto Neto.

Além do cidadão, a industria será uma grande beneficiada, segundo Rodrigo Mello, diretor do Instituto Senai. Ele relaciona a necessidade de transmissão de dados da industria eólica, por exemplo, que se localiza quase sempre em locais de difícil acesso. “Essas empresas investem fortunas puxando fibra ótica para lugares muito distantes para ter uma qualidade mínima de telecomunicação disponível para o funcionamento do Parque. Uma empresa de mineração também tem dificuldade de se  comunicar por estar em lugares longínquos dos grandes centros. O 5G vem para suprir essa deficiência e garantir uma velocidade na transmissão de dados”, conclui o diretor.

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