Chile vive 5º dia de protestos e número de mortos vai a 15

Publicação: 2019-10-23 00:00:00 | Comentários: 0
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Santiago - O Chile enfrentou ontem o quinto dia seguido de protestos, apesar de um toque de recolher e de o governo ter revogado o aumento de quase 4% da passagem do metrô, que havia desencadeado as manifestações. O número de mortos subiu para 15. Criticado por dizer que o Chile estava "em guerra", o presidente, Sebastián Piñera, prometeu anunciar "medidas sociais" para conter a crise e realizou ontem uma reunião de emergência, mas os principais partidos políticos não compareceram.

"Acreditamos que o diálogo seja indispensável e urgente, mas deve ser um diálogo aberto e acreditamos que o convite do presidente não atende essas condições", afirmou Manuel Monsalve, chefe da bancada do Partido Socialista, o maior da oposição, que governou o Chile durante três mandatos após o retorno da democracia, em 1990.

Os opositores da Democracia Cristã e do Partido pela Democracia disseram, após o fim da reunião, que a retirada da pauta do Congresso da reforma tributária e previdenciária são insuficientes para responder às demandas sociais. Eles também pediram o fim do estado de emergência e do toque de recolher.

Nesta terça-feira, milhares de manifestantes, sobretudo jovens, se reuniram diante do Palácio La Moneda enquanto Piñera se reunia com os líderes políticos. Manifestações pacíficas também ocorreram em vários pontos de Santiago. Vários panelaços ocorreram em bairros da capital. Mesmo assim, a polícia tentou dispersar os protestos com bombas de gás lacrimogêneo e jatos d’água.

Dos 15 mortos confirmados pelo governo, desde sexta-feira, 4 foram mortos por militares que foram enviados às ruas durante o estado de emergência. Em dois dos casos, os militares se entregaram e foram detidos. Entre as vítimas, há dois colombianos, um equatoriano e um peruano.

Até esta terça-feira, milhares , 2,6 mil pessoas haviam sido detidas, muitas delas por desafiar o toque de recolher na noite de segunda-feira. O Exército chileno decretou ontem a quarta noite seguida de toque de recolher na região metropolitana da capital e em cidades como Antofagasta, Calama, Coquimbo, La Serena e Rancagua.

Repressão
Santiago e a maioria das 16 regiões do Chile se encontram em estado de emergência e 20 mil militares e policiais estão nas ruas para conter a violência e os saques a lojas e casas. Mesmo assim, muitos estabelecimentos foram saqueados em plena luz do dia.

Ontem, a intervenção do Exercito em uma manifestação pacífica em Valparaíso desatou o caos na cidade. A marcha havia sido convocada por funcionários do hospital público, mas obteve a adesão de estudantes, aposentados e trabalhadores.

As aulas permaneceram canceladas ontem em escolas e universidades e somente uma linha de metrô funcionou em Santiago Filas se formaram nos pontos de ônibus, a única alternativa às rotas do metrô. Com isso, engarrafamentos gigantescos foram registrados na capital. A Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), o sindicato mais poderoso do Chile, e outras 18 organizações sociais convocaram greves e mobilizações para hoje e amanhã.





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