Chuvas devem voltar ao sertão no decorrer desta semana

Publicação: 2018-03-13 00:00:00 | Comentários: 0
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Os modelos climáticos de larga escala melhoram e é possível que as chuvas voltem ao interior do Rio Grande do Norte nos próximos dias. A semana passada foi a que menos choveu desde o início oficial do inverno no semiárido, em fevereiro. O Boletim Pluviométrico da Empresa de Pesquisa Agropecuária (Emparn) registrou chuvas em apenas 14 dos 177 postos de monitoramento em setenta e duas horas - entre as 7h de sexta-feira (09) às 7h de ontem. As maiores foram em Martins, 28 milímetros, Jardim do Seridó (25,1mm), São João do Sabugi (25), Parazinho (22,8) e Parelhas (21,4).

Barragem Armando Ribeiro, que saiu do volume morto na semana passada, acumula hoje 287,2 milhões/m3 , 11,97% da capacidade
Barragem Armando Ribeiro, que saiu do volume morto na semana passada, acumula hoje 287,2 milhões/m3 , 11,97% da capacidade

A “pausa” é atribuída pelos meteorologistas a uma combinação de fatores, entre eles uma bolha de água quente que se dirige da Oceania para o Pacífico Sul na borda inferior da área sob domínio de La Niña. Para a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), um centro de alta pressão formou-se na atmosfera superior, inibindo a subida do ar úmido para formação de nuvens e, consequentemente, as chuvas na semana passada, no semiárido nordestino. É normal que essa pausa ocorra durante a estação chuvosa no Nordeste, mas não no início de março.

Apesar disso, as condições estão favoráveis a um inverno normal – e até acima do normal - no sertão potiguar. La Niña atua no Pacífico, o Atlântico Norte está frio e a temperatura da superfície do mar do Atlântico Sul está subindo. “É bom que ela começa a aumentar em março, que chegue ao ápice em abril para manter as chuvas até maio. A média de temperatura da água de superfície do Atlântico Sul, hoje, é de 26,3 graus. O ideal seria que ela subisse a 27ºC”, explica o meteorologista da Emparn, Gilmar Bristot.

Ele lembra que os dados de larga escala de 2018 estão mais parecidos com os anos de inverno do que com os de seca. Além disso, a atividade solar não é tão intensa como nos anos de estiagem.

Clima 1
Clima 2
2012
foi o ano mais seco do Rio Grande do Norte desde o início do monitoramento
2009
foi o ano mais chuvoso. Em 130 municípios, o volume ficou acima do normal

Para o sertanejo, 2009 foi o “mais molhado” da década 2008 a 2017, informação confirmada pela Emparn. Naquele ano, as chuvas ficaram acima do normal de 130 municípios. Em 2008 foram 117 e em 2011 o número de municípios com volume acima da média histórica foi de 88.

A pior seca foi a de 2012. As chuvas ficaram abaixo do normal em 149 municípios. Foram 139 na condição “muito seco”, 16 na “seco”, 01 “normal” e 01 “chuvoso”. Não só foi a pior, como também o início de uma sequência de anos de estiagem que contribuíram para reduzir o rebanho pela metade.

As imagens de satélite de ontem à tarde mostravam aglomerados de nuvens em municípios das regiões Agreste e Central e Alto Oeste, apesar de que eram poucas a probabilidade de que houvesse chuva de intensidade mediana no período.
Clima 3
Para esta terça-feira, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê tempo nublado a parcialmente nublado, com chuvas isoladas no Rio Grande do Norte.

As chuvas que caíram em fevereiro ficaram acima do normal, para o mês, em 97 municípios, mas não tiveram reflexo no aumento do volume de água nos açudes. De acordo com a Secretaria de Meio Ambientes e Recursos Hídricos, a  Barragem Armando Ribeiro, que saiu do volume morto na semana passada, acumula atualmente 287,2 milhões de metros cúbicos. Mesmo sendo poucas as chuvas na semana passada, o reservatório permaneceu na cota 35,08, a segunda maior de 2018. Se perder quatro milhões de m³ volta ao volume morto. Dos reservatórios monitorados pelo governo do Estado, foi um dos poucos que aumentaram de volume.   Outro foi a Barragem de Poço Branco,  que estava com 4,9 milhões no dia 20 de fevereiro e hoje acumula 12,7 milhões.


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