Chuvas não mudam cenário crítico dos reservatórios

Publicação: 2017-02-17 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
As chuvas animaram o sertanejo potiguar no início desta semana, mas não foram suficientes para recompor o potencial hídrico dos maiores reservatórios do Rio Grande do Norte. Em todo o Rio Grande do Norte, 69% dos reservatórios monitorados pelo Instituto de Gestão das Águas (Igarn) encontra-se em estado crítico. No Açude Armando Ribeiro Gonçalves, o maior do Estado, foram despejados aproximadamente 1,5 milhão de metros cúbicos, insuficiente para alterar a lâmina d'água na superfície. Hoje, o açude acumula 13,67% do seu volume total e está num dos níveis mais baixos da história.
Ana SilvaJosivan Cardoso: situação melhorou apenas para pequenos açudesJosivan Cardoso: situação melhorou apenas para pequenos açudes

“A situação continua crítica, muito grave. As chuvas não foram suficientes para recompor os grandes reservatórios. Nos pequenos riachos e açudes, a situação é um pouco diferente”, avaliou o diretor-presidente do Igarn, Josivan Cardoso. Somente dois mananciais, com capacidade de acúmulo de água superior a cinco milhões de metros cúbicos saíram da categoria seco e entraram em volume morto. Eles estão situados na região Oeste do estado e compõem a Bacia Apodi/Mossoró. O açude Tourão, no município de Patu, recebeu 215 mil metros cúbicos de água e hoje está com 2,7% da capacidade. Em Riacho da Cruz, o açude Riacho da Cruz II estava totalmente seco e acumulou 2,5 milhões de metros cúbicos de água nas chuvas mais recentes. Hoje, o reservatório tem 26,7% do potencial hídrico preenchido.

Outro importante manancial, o Açude Itans, em Caicó, acumulou 248,5 mil litros d'água ao longo da última semana. A lâmina d'água, na parte mais funda do reservatório, chegou a subir 83 centímetros. Isso não significa, porém, que o volume total subiu na mesma proporção. “Nós colocamos réguas de medição em diversos pontos do açude para medir a subida e descida da lâmina. No Itans, a recarga não foi suficiente para subir a lâmina na proximidade do sangradouro, por exemplo”, explicou Josivan Cardoso.

A situação do reservatório pouco mudou e permanece muito grave. Em termos percentuais, o armazenamento d'água no local está em 1,54% do potencial máximo, que é de 81,7 milhões de metros cúbicos. Em novembro do ano passado, as cidades de Caicó,  São Fernando e Jardim de Piranhas tiveram o abastecimento suspenso em decorrência do caos hídrico no Açude Itans e na bacia do Piranhas/Açu. Ao longo de uma semana, o fornecimento de água para tais cidades se deu através de carros-pipa e foi complementado a partir da água oriunda da perfuração de poços artesianos.

Em todo o Estado, o Igarn monitora 47 reservatórios. Os dados relativos ao volume armazenado por essas unidades foi atualizado ontem. A Barragem Santa Cruz do Apodi recebeu pouco menos de um milhão de metros cúbicos e agora 18,75% do potencial. Em Upanema, a Barragem de Umari está com 26 milhões de metros cúbicos, o que corresponde a 8,88% do total. Os dados relativos às lagoas localizadas na região metropolitana de Natal, como Extremoz e Bonfim, deverão ficar prontos na próxima semana. Há oito dias, o abastecimento da zona Norte da capital, feito pela Lagoa de Extremoz, é feito em dias alternados, em decorrência do baixo volume do reservatório.

Volume morto
De acordo com o Relatório de Situação Volumétrica dos Reservatórios do Rio Grande do Norte, concluído ontem pelo Instituto de Gestão das Águas (Igarn), os reservatórios considerados em volume morto aumentaram de 12 para 14, perfazendo 29% dos mananciais de superfície monitorados pelo Instituto. O quantitativo de reservatórios secos caiu de 21 para 19, reduzindo o número de unidades nessa condição para 40%. O Igarn destaca e pede auxílio da população para que a economia de água seja uma constante, pois o racionamento irá permanecer até que os mananciais com maior capacidade de reserva acumulem água em níveis suficientes à captação e abastecimento.

Cenário do abastecimento - Números
18 cidades enfrentam colapso no abastecimento no RN
76 são abastecidas em sistema de rodízio

Colapso em 18 cidades
14 no Alto Oeste: Almino Afonso, Antônio Martins, Francisco Dantas, João Dias, José da Penha, Luiz Gomes, Marcelino Vieira, Paraná, Pilões, Rafael Fernandes, São Miguel, Serrinha dos Pintos, Tenente Ananias, Venha Ver.
4 no Seridó: Bodó, Cruzeta, Lagoa Nova e Tenente Laurentino.

Rodízio
76 cidades em rodízio de abastecimento
20 no Alto Oeste
17 no Seridó
13 no Agreste
13 no Oeste
12 na Central
01 na Grande Natal

Fonte: Companhia de Águas e Esgotos (Caern)


continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários