Cia Pão Doce visita obra de Antônio Francisco

Publicação: 2017-07-05 00:00:00 | Comentários: 0
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Enquanto segue em cartaz com “A Casatória C'A Defunta”, a Cia Pão Doce também prepara uma nova montagem. “O Torto Andar do Outro” é inspirado na obra do poeta mossoroense Antônio Francisco, em especial o cordel “Um Conto bem Contado". A previsão de estreia é para novembro deste ano.

“Estávamos reunidos com Antônio Francisco, tomando um café em sua casa, e perguntamos a ele se tinha algum de seus cordéis que ele gostaria de ver adaptado para o teatro. Ele nos mostrou 'Um Conto bem Contado'. Lemos e vimos que dava para levar para o palco”, lembra Romero. Temos conversado com o Antônio Francisco quase o tempo todo. Queremos homenagear o artista em vida, para que ele possa assistir a homenagem”.

Para a montagem, o grupo conta com R$ 10 mil viabilizados do Prêmio Fomento de Incentivo às Artes, da Prefeitura de Mossoró. “Ainda estamos no processo de leitura e criação da música. O texto será autoral, feito coletivamente. Já fizemos oficinas com o coreógrafo Anderson Leão e o ator Rogério Ferraz. A direção será novamente do Marco Leonardo”, diz o ator.


Em circulação pelo Brasil, “A Casatória C'A Defunta”, da Cia Pão Doce, reúne cinco personagens que sobem em “pés de banco” para contar a história do medroso Afrânioa

Para Romero, um grupo de Mossoró participar de um projeto grande como o Palco Giratório foi uma surpresa para muita gente e fez com que as pessoas atentassem para a produção local. No entanto, ele afirma, a cena teatral mossoroense não está em alta e o momento é de resistência. “Estamos com apenas um teatro funcionando, o Dix-Huit Rosado. Falta lugares para apresentação. Na cidade já tivemos uns 15 grupos de teatro, hoje, ativos, somos cerca de quatro”, conta.

Ele reconhece a importância dos grandes espetáculos para o turismo, como “O Chuva de Bala”, o “Auto da Liberdade”, o “Oratório de Santa Luzia”, mas é preciso existir investimentos na produção autoral dos grupos.

Romero vê os autos como momento de celebração da classe artística, ponto de encontro, mas ele pondera que não é porque os artistas estão todos juntos nas montagens que isso mostre uma classe unida. “Mossoró tem uma tradição de mobilizações, mas atualmente isso não acontece na classe artística. Estamos parados. Um grupo apenas não tem força, é preciso se unir para propor melhorias na cultura”, opina.

Depois de anos sem edital de fomento, em 2016 a Prefeitura de Mossoró retomou o Prêmio de Fomento às Artes, mas com menos recursos. Foram apenas R$ 80 mil para contemplar todas as áreas. Valor considerado irrisório pelo ator. “É pouco para montar um espetáculo. Em 2014, ganhamos R$ 10 mil para montar a “'A Casatória C'A Defunta'. Para economizar, utilizamos materiais reaproveitados, como madeira de descarte, lona de caminhão, iluminação a partir de refletores de jardim. Fizemos o que foi possível para não enfraquecer a estética, nem perder a poesia visual”, comenta. “Apesar das economias, fizemos outros investimentos e só conseguimos pagar as despesas totais dois anos depois”.


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