Cientistas chegam a Natal para mapear genoma do zika

Publicação: 2016-06-04 00:00:00 | Comentários: 0
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Pesquisadores brasileiros e de outras nacionalidades estão em Natal para coletar amostras e mapear o genoma do famigerado zika vírus. Para essa missão, 14 pesquisadores de institutos de referência nacional e universidades do Reino Unido  percorrerão seis capitais nordestinas. A capital potiguar é o ponto de partida. Realizado em parceria com o Ministério da Saúde, o projeto ganha o nome de   Zika In Brazil Real Time Analisys – Zibra.
ana silvaRelatório dos pesquisadores que colheram amostras em Natal será produzido até o final do mêsRelatório dos pesquisadores que colheram amostras em Natal será produzido até o final do mês

Entender a informação genética do vírus encontrado no Brasil é um passo fundamental para o diagnóstico preciso e tratamento eficaz. Esse tipo de estudo também pode dar base para o desenvolvimento de vacinas, por exemplo. “Tentamos perceber que tipo de informação conseguimos retirar dos genomas dos vírus, a diversidade genética. Essa diversidade vai se alterando ao longo do tempo e o que nós tentamos fazer é reconstruir esses padrões de mudança também ao longo do tempo. Também percebemos de onde veio o vírus, quando ele chegou e como ele está a se dispersar no país”, explicou Nuno Faria, um dos coordenadores da pesquisa. Ele   é professor e pesquisador da Universidade de Oxford no Reino Unido.

Logo que o zika vírus chegou ao Brasil, o Ministério da Saúde informou que o tipo de vírus encontrado no Brasil era da mesma “família” do que se encontra na Ásia. Mas só a informação de parentesco para a ciência. Outro coordenador do Zibra, o pesquisador Luiz Alcântara da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia, lembra que os vírus encontrados no Brasil tem suas próprias características. “O vírus daqui se agrupa junto com os vírus encontrados na Ásia, mas ele não é idêntico. Temos que considerar também fatores relacionados com o hospedeiro. A população daqui tem características genéticas diferentes da população da Ásia e África. Temos miscigenação, mas não somos idênticos”, acrescentou.

 Os pesquisadores pretendem colher 750 amostras de genomas durante toda a pesquisa. Isso incluiu a informação genética de vírus encontrados em humanos durante a fase aguda da doença e em mosquitos aedes aegypti. Por esse motivo, os cientistas sempre ficarão baseados nos laboratórios centrais das capitais por onde passarão.

O genoma é uma informação que explica o cada organismo vivo é e de onde ele veio. É como uma programação  de computadores na qual a natureza é a programadora. Essa informação é passada através das gerações. Por algum motivo, essa informação pode ter uma mutação durante o processo evolutivo. Isso vale para qualquer tipo de ser, inclusive para vírus. “A velocidade com que o vírus se replica quanto também fatores do hospedeiro podem contribuir para a mutação. Um mecanismo de defesa do hospedeiro [o ser humano] mais intenso faz com que o vírus se multiplique mais”, exemplificou Luiz Alcântara da Fiocruz. Isso significa que o vírus se modifica na tentativa de burlar as “armas” de proteção do nosso organismo.

A correlação entre essas mutações e o histórico do paciente com zika podem esclarecer muito sobre esse vírus. Esses estudos pode ajudar a saber porque algumas pessoas com zika desenvolvem complicações – como síndrome neurológica de Guillain-Barré, que paralisa membros do corpo – e outras não. “Qual a diferença entre os vírus de indivíduos que tiveram doença neurológica e indivíduos que não tiveram doença neurológica? Aí, procuramos mutações para dizer: a população que teve doença neurológica tem mutações no vírus não encontradas na população que não teve doença neurológica”, explicou Alcântara. A mesma correlação poderá ser feita para os sintomas que determinados pacientes sentem e outros não. 

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