Cine Queer realizará neste domingo (24) a sua 3ª edição com programação gratuita em streaming na TodesPlay

Publicação: 2021-01-23 00:00:00
Projeto cultural potiguar criado há dois anos para celebrar as cinco décadas do Dia do Orgulho LGBTQIA+, o Cine Queer realizará neste domingo (24) a sua 3ª edição. O Festival de filmes e cultura ‘queer’ de Natal, como não poderia deixar de ser no contexto atual, terá sua primeira versão online, com programação gratuita em streaming na plataforma TodesPlay. Além dos filmes, curtas e longas nacionais e estrangeiros, o evento também vai contar com bate-papos, workshops, e mostras especiais. Essa edição foi contemplada nos editais da Lei Aldir Blanc via Secult/Funcarte.

Créditos: DivulgaçãoO longa “Tangerine”, é o primeiro filme totalmente gravado com celular, protagonizado por duas atrizes negras transexuaisO longa “Tangerine”, é o primeiro filme totalmente gravado com celular, protagonizado por duas atrizes negras transexuais

O Cine Queer celebra a diversidade sexual e joga luz sobre a produção cultural de um segmento importante da sociedade que ainda luta por respeito e espaço. A programação do festival exibe uma amostra sortida e contemporânea do que a comunidade ‘queer’ brasileira está produzindo. Na parte audiovisual, estarão disponíveis quatro longas-metragens e oito curtas. Os bate-papos serão com diretores, produtores e artistas, além de workshops online sobre produção em cinema com inscrições gratuitas no Sympla da Casa da Ribeira.

Narrativas poderosas
A programação de filmes, sob curadoria do produtor e jornalista Di Gatti, mescla narrativas potentes e experimentalismo técnico e de linguagem. Na mostra “Longas” estão “Tangerine”, primeiro filme totalmente gravado com celular, é protagonizado por duas atrizes negras transexuais que interpretam personagens transgêneros. Aliás, Mya Taylor foi a primeira atriz trans a ganhar na categoria de melhor atriz  coadjuvante no Independant Spirit Awards. A direção é do norte-americano Sean Baker.

O documentário paranaense inédito “Mães de Derick” narra cotidiano de quatro jovens mulheres lésbicas, feministas, anarquistas e não monogâmicas que criam um filho de nove anos em uma pequena cidade no litoral sul do Brasil, enquanto constroem com as próprias mãos uma casa em uma área de ocupação em meio à mata. A direção é de Denise Kelm.

“Vento Seco” é outro filme inédito nos cinemas, só exibido em festivais, que chega em avant premiere no Cine Queer 3, com um elenco eclético: entre elas a atriz Renata Carvalho, do polêmico espetáculo “O Evangelho Segundo Jesus Rainha do Céu”, e a cantora Mel, artista trans e ex Banda Uó. O filme conta a história de Sandro, um homem que vive entre o trabalho, a natação, e o sexo anônimo numa cidade árida do interior de Goiás. A direção é de Daniel Nolasco.

Na mostra de longas também está “Corpo elétrico”, filme de Marcelo Caetano que acompanha os desdobramentos amorosos de Elias (Kelner Macêdo), assistente numa confecção de roupas no centro de São Paulo.  Ele mantém pouco contato com a família na Paraíba e passa seus dias entre os tecidos do trabalho e encontros com homens. O fim do ano traz reflexões sobre possibilidades de futuro e reconexões com o passado. O filme tem participações da cantora Linn da Quebrada, e de Márcia Pantera, uma das primeiras drags brasileiras.

Curtas e papos
A mostra “Curtas” traz exclusivamente produções nacionais, de várias partes do país. São elas “Antes do azul”, de Romy Pocz; “Pornô Anos 80”, de Mateus Campelo; “Os últimos românticos do mundo”, por Henrique Arruda; “Perifericu”, de May Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira; “Megg, a margem que migra para o centro”, de Larissa Moreira e Eduardo Sanches; “No fim de tudo”, por Victor Ciríaco; “Bicha bomba”, de Renan de Cillo, e “Ingrid”, de Maick Hannder.

Os interessados nos workshops poderão participar das discussões que já vão rolar neste sábado (23), como “Da idéia ao filme”, uma conversa sobre processo criativo e set de filmagem com o diretor e roteirista Henrique Arruda, das 15 às 17h;  o talk “A travesti no cinema e no teatro”, às 18h, falará sobre a presença pioneira de pessoas trans nas telas e palcos brasileiros, com a palavra de Ian Habib, ator, pesquisador e ativista; já a produtora, performer e preparadora de elenco Sophia William vai conduzir o workshop “Pessoas trans no mercado audiovisual”, das 15 às 17h.  

 jornalista Di Gatti também atuou na curadoria da mostra “Queer Mídia”, dividida pelos temas “Queer Internet”, um panorama da presença LGBTQIA+ na internet, através de uma coletânea de vídeos curtos produzidos por diversos criadores de conteúdo pelo mundo; e “Queer AD”, sobre campanhas publicitárias de marcas e instituições pelo mundo que incluem e celebram a diversidade gay, lésbica, trans, etc.

Já os bate-papos serão iniciados neste domingo e seguirão até o dia 31 de janeiro no canal de Youtube da Casa da Ribeira. Os temas serão: “Produções audiovisuais LGBTQIA+ desafios e conquistas”, com os diretores Gil Baroni da Beijar Flor Filmes e Henrique Arruda da Filmes de Marte; “Pessoas trans no mercado audiovisual”, com a produtora e performer Sophia William e a diretora de filmes Rosa Caldeira; “A arte da performance e Narrativa Queer”, com os performers e arte ativistas Ian Habib e Elton Panamby; e “O poder da representatividade, a importância de se ver no cinema”, com o diretor André Santos da Caboré Filmes, e a youtuber e drag queen Hillary Hilton.

Serviço:
3º Cine Queer - Festival de Filmes e Cultura Queer de Natal. Domingo (24), na plataforma TodesPlay (todesplay.com.br). 
Mais infos nos canais da Casa da Ribeira no Youtube, Instagram, Facebook, e Sympla.












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