Cine Terreiro retoma as atividades com uma retrospectiva online com dez filmes

Publicação: 2021-03-03 00:00:00
Tádzio França
Repórter

Após um hiato de quatro anos, o projeto Cine Terreiro retoma as atividades em 2021. A iniciativa, que é dedicada à exibição de material audiovisual que fortalece a memória e inspira respeito às comunidades religiosas de matrizes afro-indígenas, está promovendo a Mostra Cine Terreiro, uma retrospectiva online com dez filmes que estarão à disposição até o dia 10/03 no site do projeto. A mostra tem patrocínio da prefeitura de Natal, através do Edital de Expressões Religiosas/Funcarte.  

Créditos: Divulgação

Os dez filmes selecionados para a retrospectiva são significativos na história do evento, que começou em 2015 e já realizou sete edições presenciais.

“Temos filmes premiados nacionalmente, produções de gente que começou no curta e hoje está fazendo longas, pessoal que tem filme na Netflix, etc. Há todo um material de qualidade que mostra a riqueza dessa temática”, afirma Rodrigo Sena, cineasta, produtor, fotógrafo, e idealizador do projeto.

A programação está exibindo os filmes “Olho-de-boi”, de Gustavo Guedes; “Exú – Além do bem e do mal”, Werner Salles Bagetti; “Caboclos NKISIS”, por Ana Stela Cunha; “Jurema”, de Clementino Júnior; “Rapsódia para o homem negro”, de Gabriel Martins; “Egun”, de Helder Quiroga; “Bolou” e “Festa de deuses e homens”, ambos por Rodrigo Sena; “Caixa d’Água: Qui-lombo é esse?”, de Everlane Moraes, e “Do meu lado”, por Tarcísio Lara Puiati. Há produções do Rio de Janeiro, Maranhão, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, e Rio Grande do Norte.

Créditos: DivulgaçãoA atriz Chica Xavier está no curta Jurema, que tem a direção de Clementino JúniorA atriz Chica Xavier está no curta Jurema, que tem a direção de Clementino Júnior

Racismo religioso
Rodrigo acredita que a diversidade de abordagens exibida pelos curtas e médias metragens do Cine Terreiro pode contribuir para diminuir, ou até mesmo acabar, a visão preconceituosa que muitos ainda possuem em torno das religiões de matriz africana e indígena. “O objetivo primordial desse projeto sempre foi combater o racismo religioso e também se aproximar de pessoas que não têm coragem de ir a um terreiro por puro preconceito”, diz.

Os filmes também têm uma função sócio-cultural, ressalta o produtor, pois apresentam de variadas formas, através da ficção ou do documental, elementos dessa cultura, como a vestimenta, alimentação, a identidade, a valorização das raízes. “Apesar disso, a gente não quer ‘catequizar’ ninguém com esse material. Cada um sente do jeito que quiser no coração. É mais algo de despertar, pois sabemos que para qualquer experiência religiosa o que importa é a vivência real da coisa”, completa.

O Cine Terreiro, antes da pandemia, era realizado nas próprias casas de candomblé, umbanda e jurema da Grande Natal. As exibições nos terreiros atraiam não só os seguidores, mas também moradores das redondezas para assistir os filmes. Para Rodrigo Sena, era uma resposta direta ao preconceito vigente. “A arte tem essa capacidade de desmascarar a visão única e contar uma verdade mais ampla, para todos”, diz. As mostras eram realizadas em meses variados, dependendo das demandas dos terreiros.

Além de voltar em formato virtual em 2021, o Cine Terreiro também vai realizar seu primeiro festival de cinema, programado para abril deste ano.  Rodrigo Sena adianta que haverá oficinas, debates, longas-metragens, e prêmio em dinheiro. As inscrições para os filmes deverão ser abertas entre 08 e 18 de março. “Somos o único evento audiovisual do Brasil com essa temática, portanto, nos definimos como um festival nacional”, conclui.

Serviço:
Mostra Cine Terreiro.
Até 10 de março, no site.