Cinema na sala da Páscoa

Publicação: 2020-04-09 00:00:00
A+ A-
Alex Medeiros

Meu pai era agnóstico, minha mãe católica fervorosa. Ela tinha um Adoremus, ele andou lendo Khrishnamurti. Ele era o dono do rádio valvulado, mas na Semana Santa sintonizava na primeira emissora AM que estivesse transmitindo missa ou as radionovelas baseadas em textos bíblicos, geralmente a história de Jesus Cristo, a “paixão e morte”, que era uma programação comum a todas as rádios da cidade. Lembro das narrações na Rural, Cabugi, Poti, Nordeste.

Nos cinemas de Natal, o período da Páscoa também estava presente nos anos da minha infância. As novas gerações podem não saber, mas as produções de épicos religiosos em Hollywood no passado eram consideradas garantia de bilheterias como acontece hoje com os filmes de super-heróis. O clima de culto à vida de Jesus e personagens bíblicos envolvia a sociedade. Por muitas vezes vi lágrimas rolarem nas faces da minha mãe e da tia Mimim ao pé do rádio.

Lembrando daqueles anos e sabendo que ainda há muita gente que professa a fé em torno de Jesus e respeita os ritos seculares da Páscoa, enviou daqui da coluna algumas dicas de filmes sobre o tema, já que vivemos uma quarentena.

Muitos grandes diretores se dedicaram a produzir e realizar obras cinematográficas baseadas em narrativas religiosas e místicas, gente como Stanley Kubrick, David Lean, William Wyler, Mervin LeRoy e Cecil B. De Mille.

Os dez filmes que cito abaixo estão disponíveis nas diversas plataformas de streaming, basta parar uns minutos para procurar. Alguns deles tiveram uma importância histórica para que a indústria do cinema chegasse aonde chegou.

Um – Jesus Cristo Superstar, de 1973, que chegou às telas depois de fazer sucesso como um disco de ópera rock e um musical na Broadway. 

Dois – A Maior História de Todos os Tempos, de 1965, do nascimento à ressurreição.

Três – Barrabás, de 1961, produção de Dino de Laurentis, que ao ver Bem-Hur e Spartacus quis resgatar um novo personagem. 

Quatro – Spartacus, de 1960, a história de um escravo que se torna gladiador, com o magnífico Kirk Douglas.

Cinco – Marcelinho Pão e Vinho, de 1955, clássico espanhol sobre um órfão criado por monges cristãos. 

Seis – O Manto Sagrado, 1953, com o ator Richard Burton no papel de um centurião romano durante a crucificação de Cristo.

Sete – Jesus de Nazaré, 1977, o diretor Franco Zeffirelli adaptando os quatro evangelhos do Novo Testamento.

Oito – A Paixão de Cristo, 2004, a narrativa de Mel Gibson sobre as últimas 12 horas de Jesus, papel de James Caviezel.

Nove – Os Dez Mandamentos, 1956, um épico que salvou Hollywood da crise, com Charlton Heston como Moisés. 

Dez – Quo Vadis, 1951, o amor de uma cristã e um general romano durante o reinado de Nero, que odeia os cristãos.

Espero que gostem.

Créditos: Divulgação


Eu avisei
Vinte e quatro horas antes da pataquada matemática da Sesap, prevendo a extinção do povo potiguar, eu publiquei aqui sobre os “ispeçialistas” do PT no assunto Covid-19. Uma coisa é especialista, outra é ser ativista da saúde.

Cloroquina
Circulando no Brasil a aprovação do uso de hidroxicloroquina contra o coronavírus pela FDA, a poderosa agência de vigilância sanitária dos EUA. O documento de autorização encontra-se no site da FDA desde 31 de março.

Geopolítica
Enquanto os míopes deliram apostando numa futura hegemonia da China, o filósofo Noam Chomsky afirma a continuidade do poder dos EUA, que ele chama esmagador, capaz manter a Europa e parte do mundo sob seu controle.

Liderança
“Todo mundo tem que segui-lo; a Europa pode não gostar das ações odiosas contra o Irã, mas tem que acompanhar, deve seguir o mestre, ou será chutada do sistema financeiro internacional”, disse Chomsky, 92 anos, no fim de março.

Uip, hurra
Em fevereiro, o médico David Uip comentou ao lado do colega Roberto Kalil que o coronavírus era só um processo viral como outros, e que havia exageros nos cuidados. Agora, escondeu que usou cloroquina para se curar da doença.

Ordem do Dia
O Ministério Público Federal quer retirar do site do Ministério da Defesa o texto da Ordem do Dia do general Fernando Azevedo em homenagem ao 31 de março de 1964. No ano passado o MPF também tentou, mas sem sucesso.

No meu blog
A Ordem do Dia do ministro da Defesa continua publicada no site oficial do ministério. Aqui em Natal, creio que meu blog foi o único espaço jornalístico a repercutir a mensagem. Está lá postado na íntegra.

Cinema
Um dos setores mais atingidos pela quarentena, as redes de cinemas nos EUA terão um apoio importante do presidente Donald Trump, que destinou US$ 542 milhões de incentivo. Aqui no Brasil, são mais de 3,5 mil salas fechadas.

Terra em transe
“Não conseguiu firmar o pacto / entre o cosmo sangrento e a alma pura/ gladiador defunto, mas intacto / tanta violência, mas tanta ternura”. Quadrinha do poeta Mário Faustino (1930-1962) no começo do filme “Terra em Transe”, a clássica distopia de Glauber Rocha. 







Deixe seu comentário!

Comentários