Cinema ocupa espaço na sala de casa através de projeto do Sesc

Publicação: 2020-06-06 00:00:00
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A Sétima Arte foi abraçada com entusiasmo pelos serviços de streaming. Uma tendência que a pandemia do novo coronavírus tem contribuído para tornar ainda mais forte. Com as salas de cinema fechadas devido ao isolamento social, o prazer de ver um filme tem sido transferido totalmente para a internet. O fato tem levado à criação de opções cada vez mais caprichadas. O Sesc SP lançou agora em junho seu serviço de streaming, “Cinema em Casa com Sesc”, e desde abril o tradicional Cine Belas Artes de São Paulo está com o “Belas Artes À La Carte”. Ambos dispondo de seus preciosos e diferenciados acervos para os espectadores mais exigentes.

Créditos: DivulgaçãoCom as salas de cinema fechadas devido ao isolamento social, o prazer de ver um filme tem sido transferido totalmente para a internetCom as salas de cinema fechadas devido ao isolamento social, o prazer de ver um filme tem sido transferido totalmente para a internet


O “Cinema em Casa com Sesc” é a estréia da plataforma Sesc Digital na área cinematográfica, uma ampliação de sua programação no ambiente on-line. O serviço consiste em oferecer uma programação semanal, diversificada e gratuita; são quatro filmes por semana. O menu de opções contará com clássicos do cinema mundial, além de filmes contemporâneos de ficção nacionais e internacionais, documentários, produções infanto-juvenis, entre outros. O lançamento do serviço foi na quinta-feira (05) passada.

A programação privilegia clássicos de variados segmentos. A primeira semana do “Cinema em Casa” do Sesc está com as seguintes preciosidades à disposição: “Mamma Roma”, do italiano Pier Paolo Pasolini. Neste drama lançado em 1962 a atriz Anna Magnani vive uma prostituta que sonha em mudar de vida e subir de classe social, algo que a permitiria voltar a viver com o filho Ettore. Para tanto, decide se casar com Carmine, seu ex-gigôlo. Ela encontrará muitas dificuldades para realizar seu sonho. O filme tem planos e ângulos fortemente inspirados em afrescos de Giotto e Caravaggio.

Outra opção de filme é “O Pacto de Adriana” (2017), de Lissette Orozco. Neste documentário, a diretora volta aos anos da ditadura chilena para contar a história da tia, um relato íntimo e cheio de segredos. Ainda na infância, ela viu a tia ser presa por ter trabalhado na polícia secreta de Pinochet. Depois fugiu do país enquanto enfrentava julgamento sobre o assassinato de um importante líder comunista. Já em “O Homem da Cabine” (2009), documentário do brasileiro Cristiano Burlan, mostra a rotina do projecionista, sua solitária jornada de trabalho por trás da telona. E por fim, uma opção para a criançada, “Historietas Assombradas – O Filme” (2017), animação nacional inspirada no programa de TV homônimo.    

“Em tempos de distanciamento social, é preciso estimular o diálogo entre os diversos meios de fruição cultural e as linguagens artísticas, que, como habilmente faz o cinema, nos apresenta distintos olhares sobre o mundo e, mesmo sem sairmos de casa, nos possibilita entramos em contato com ele”, declarou Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc em São Paulo.

Cults e clássicos
Um tradicional cinema de rua do centro de São Paulo que virou sinônimo de bom gosto, o Cine Belas Artes (atual Petra Belas Artes) levou o melhor de sua programação para a Internet. A plataforma de streaming da casa foi remodelada por ocasião da pandemia, e agora conta com uma curadoria bem articulada, que a cada semana acrescenta quatro filmes novos ao cardápio. O acervo traz produções de vários países e épocas, incluindo lugares pouco divulgados pela indústria cinematográfica de massa, como Turquia, Irã, Bélgica, entre outros. Para usufruir, o internauta cinéfico pode escolher entre o plano mensal (R$ 9,90) ou o plano anual (R$ 108,90).

Créditos: DivulgaçãoEstão juntos com Mamma Roma no catálogo do Sesc SPEstão juntos com Mamma Roma no catálogo do Sesc SP



Ao navegar no site, o cliente pode escolher seus filmes favoritos divididos entre categorias com títulos que brincam com os gêneros, como “Cults incríveis”, “Mulheres Maravilhosas”, “Hahaha”, “Se você nunca viu um filme Cult comece por aqui”, “Preparem os lenços”, “Para roer as unhas”, “Todo cinéfilo precisa ver antes de morrer”, “França mon amour”, “Boy meets girl”, “Não soubemos classificar”, entre outras. Para cada filme foi produzido um vídeo especial explicando “Por que assistir?” e por que ele foi selecionado. No site o espectador on-line ficará sabendo curiosidades, informações, e histórias sobre a produção escolhida.       
  
A seleção de filmes para esta semana é bastante eclética, ainda que amarrada pela premissa ‘cult’ do Belas Artes. “O Baile dos Bombeiros”, de Milos Forman (1967), é uma pérola do cinema tcheco. Numa cidade do interior, os bombeiros organizam um baile em homenagem ao moribundo patrono da corporação, até que um incêndio nos arredores atrapalha a festa. Foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro na edição de 1968, representando a Tchecoslováquia.

Apreciadores dos clássicos da era de ouro de Hollywood terão “O diabo riu por último” (1953), de John Huston. O filme estrelado por Humphrey Bogart       e roteirizado por Truman Capote traz uma quadrilha de atuação internacional às voltas com um casal de golpistas. Na África, usando a desculpa de que são vendedores de aspiradores de pó, eles tentam se apropriar de terras que supostamente têm uma grande quantidade de urânio. Esse foi o último filme de Huston e Bogart juntos.

Já “Antes do anoitecer”, de Julian Schnabel, aborda a vida do escritor cubano Reynaldo Arenas, desde sua infância pobre até seu exílio em Nova York, passando pelo horror e preconceito sofrido ainda em Cuba, pelo fato de ser homossexual. Até hoje o filme é celebrado como o ponto alto da carreira do ator espanhol Javier Bardem. Para quem gosta de música pop tem o documentário “Glastonbury”, documentário de Julien Temple sobre a 30ª edição do festival de música, um dos maiores e mais tradicionais da Inglaterra. O filme traz cenas de bastidores, público, e trechos de shows de David Bowie, Nick Cave, Bjork, entre outros. O “À La Carte” também está dispondo três curtas raros do cultuado diretor Peter Greenaway. Por fim, o serviço ainda traz a opção de filmes “para alugar” durante 72 horas. A opção da semana é “O mau exemplo”, de Cameron Post.






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