Cláudia Santa Rosa: “A formação de professores é um aspecto extremamente relevante”

Publicação: 2019-02-10 00:00:00 | Comentários: 0
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O RN apresento o terceiro pior Ideb [Índice de Desenvolvimento de Educação Básica] do país, com 2,9 pontos – valor também muito abaixo dos 3,9 estabelecidos como meta para a rede pública. Há relação entre os baixos índices e o número de professores lecionando em disciplinas que não são de sua área de formação?
É preciso destacar que a formação de professores é um aspecto extremamente relevante. Depois do estudante, o professor é o principal agente no processo de aprendizagem. Tudo que diz respeito ao professor é fundamental. O investimento em formação vai ser sempre um investimento na direção para se ter mais qualidade no processo de ensino e aprendizagem. O que pude acompanhar – e nesse momento é muito difícil não me reportar da minha experiência recente na secretária de educação -, é que houve um investimento muito grande na convocação de professores justamente para equacionar a falta de professores, que era muito grande em muitas escolas, como também para podermos reorganizar as equipes das escolas, levando em consideração a especialidade que o professor foi inicialmente formado, porque é bem diferente a formação inicial da formação continuada. O foco da gestão é na formação continuada. Hoje é esperado e, inclusive, os concurso já colocam como exigência a formação superior.

Esse, no entanto, não é o único aspecto relevante. Se formos olhar os dados do Inep, podemos ver que o Rio Grande do Norte se posiciona muito bem em relação a outros estados brasileiros. O Ceará é um dos primeiros no Ideb, mas tem um percentual de professores com formação na área específica muito menor do que no Rio Grande do Norte. Não é um fator determinante. Temos uma tendência muito forte a desejar resultados imediatos, mas o Rio Grande do Norte vem construindo um cenário para atingir resultados muito melhores do que os resultados que temos atualmente.
Cláudia Santa Rosa é doutora em educação e foi titular da Secretaria do Estado da Educação e da Cultura (SEEC) até dezembro de 2018
Cláudia Santa Rosa é doutora em educação e foi titular da Secretaria do Estado da Educação e da Cultura (SEEC) até dezembro de 2018

De que maneira?
O que vem sendo feito no Estado ao longo dos últimos dois, três anos, só vamos colher resultados em anos subsequentes. De 2015 para cá, foram convocados mais de 5 mil professores. Desses, quase 4 mil assumiram, além dos temporários para substituições. Esses professores todos possuem formação e atuação em sua área específica. Esses dados já podem ser vistos no levantamento do Inep, por isso estamos em uma situação favorável em relação a outros estados. Mas os resultados disso em termos de indicadores educacionais ainda vão demorar um pouco para serem sentidos.
Se pensarmos que o Estado tem que chegar a todos os municípios, nós vamos entender melhor o porquê de existir professores atuando fora de sua área. Outro fator importante é que, lá atrás, no passado, a gestão pública não era tão rigorosa em relação a alguns procedimentos como é atualmente.

A reforma do Ensino Médio permite que profissionais sem licenciatura sejam contratados para dar aula em sua área de atuação. De que forma isso pode impactar nesses índices?

O notório saber entra muito mais no quinto itinerário formativo, que é voltado para a educação profissional de ensino técnico. Nesse contexto, o professor não necessariamente precisa ser alguém licenciado. Na rede estadual, inclusive, alteramos uma lei para contratação de professores temporários para permitir que fizéssemos um processo seletivo para professores no eixo tecnológico da educação profissional, porque o Estado tinha apenas um centro de formação profissional, e colocamos mais sete centros em funcionamento. Isso exigiu professores para cursos como administração, informática, nutrição... Cursos para os quais não existe licenciatura.
Nesses casos, cabe o professor com o notório saber. Não para a base comum. Isso precisa ficar claro. A base comum do currículo, que para o ensino médio é de 1.800 horas, é de professores licenciados: química, física, português, matemática. Isso não é alterado. O eixo tecnológico, no entanto, permite professores com notório saber.

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