Clima de intolerância não deixa o estado funcionar

Publicação: 2019-11-13 00:00:00 | Comentários: 0
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Cassiano Arruda

BARREIRA - Rogério Marinho, secretário de Previdência e Trabalho, veio a Natal na sexta (8) para uma homenagem na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, mas não foi bem recebido por alguns dos seus conterrâneos. A sessão solene era às 10h30, mas um protesto de sindicatos o impediu de entrar no prédio.

PORTA - Segundo seus assessores, ele conseguiu concluir a visita por volta das 13 hs, após a dispersão do movimento.

Esta foi a maior repercussão nacional que "o movimento" conseguiu na grande mídia. Duas notas na coluna "Painel SA", numa página interna da edição de domingo, da Folha de S. Paulo.

- Na manhã de sexta-feira, ninguém conseguiu entrar no prédio da Assembleia Legislativa. Nem funcionários, convidados ou deputados. Um grupo organizado, empunhando bandeiras da CUT, MST e SINTE, que colocou um piquete em cada uma das entradas do edifício, conseguiu a proeza.

Eram menos de cem militantes, contando com carros de apoio, barraca, cordas  e cones de interrupção do trânsito.

O suficiente para paralisar um dos Poderes do Estado, que se mostrou incapaz de assegurar o direito de ir e vir dos cidadãos e o funcionamento de um dos seus Poderes, encurralado por um grupo organizado que não havia conseguido agregar um só participante espontâneo à manifestação.

ONDE MORA O PERIGO
Como os atuais chefes do Poder Executivo e Legislativo do RN tem se colocado como "parceiros", é lícito entender que o Poder Legislativo foi impedido de funcionar na hora aprazada com a concordância dos dois,  que podem ter suas razões de não simpatizar com o homenageado.

É aí que mora o perigo...

Imaginem que a lição da CUT pode ter sido aprendida por um grupo contrário, e no momento de radicalismo que o Brasil começa a viver não é difícil imaginar o perigo. Já pensou no dia que a governadora Fátima resolver homenagear alguém?

Com menos de cem militantes - ficou provado - que é possível impedir o funcionamento do Legislativo. E se ao invés de homenagem estiver em pauta um assunto de interesse do Estado ou do Governo?

A Polícia vai ficar olhando de longe, como fez sexta-feira? Ou vai usar a força para restabelecer a ordem?

Governo omisso se torna fraco. E governo fraco não é bom para ninguém. Começando para ele próprio.

VINGANÇA SEM LIMITES
Esse grupo de sindicalistas que agora atrasou a "homenagem do Rio Grande do Norte a Rogério Marinho" já havia conseguido impor uma derrota inquestionável a ele.

Na última campanha eleitoral, esse grupo foi mobilizado (usando todos os seus recursos) para "deseleger" Rogério cujas ações eram todas acompanhadas por militantes de uma campanha do contra  que, além de cartazes e panfletos, usaram todos os meios para o colocar como "inimigo do povo brasileiro".

Eles conseguiram, no mínimo, tirar os votos de esquerda que poderiam votar em Rogério, que não conseguiu atrair para o seu nome, os eleitores de direita, que resolveram inventar um candidato, representante deste pensamento anti-esquerda por quem conseguiu mostrar sua proximidade com o candidato Jair Bolsonaro. Bastou isso.

Mas a vingança pela aprovação da Reforma da Previdência (e o fim do Imposto Sindical) não foi completa. Rogério sobreviveu à derrota eleitoral, e, mesmo sem mandato, ele tornou-se o político do Rio Grande do Norte com maior expressão no presente panorama nacional, ao contrário dos eleitos, que continuam sem sair do anonimato. A homenagem comprova isso.

BRIGA DE RUA
Enquanto o dispositivo sindical esteve mobilizado, Rogério Marinho usou o twiter para se dirigir aos seus com mensagens tipo "a pelegada vai cansar" e o programa oficial começa. Assim foi.

Da tribuna oficial, o homenageado mandou bem: "é preciso enfrentar as corporações que se apropriaram do Estado brasileiro".

E continuou:"Ainda temos alguns monstros, como é o caso da unicidade sindical. Porque a Constituição brasileira determina que o sindicato é um cartório, quando o Estado dá a outorga para exercer essa atividade numa circunscrição geográfica representando uma categoria".

"Isso não existe em parte nenhuma do mundo". Destacando: "Isso gera toda a sorte de distorção, corrupção, maus hábitos, promiscuidade,  achaques". E fez a ressalva: "É verdade que existem bons sindicatos, mas não é a regra; é exceção".

Aproveitou para fazer a declaração que pode ter faltado há um ano:"Tenho muito orgulho de integrar o Governo do presidente Bolsonaro".
Num balanço final fica uma dúvida. Fica um precedente para quando alguém quiser parar de novo o Poder Legislativo?





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