Clint Eastwood pedra 90

Publicação: 2020-06-04 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

Era para ter escrito sobre Clint Eastwood no domingo, quando a lenda do cinema completou 90 anos de vida, tendo comentado dias antes que não pretende se aposentar. Quando ele fez 80 anos, em 2010, registrei a data na coluna do saudoso O Jornal de Hoje, de Marcos Aurélio de Sá. Já ali, o mundaréu de repórteres, do mundo todo, que o abordou, levantou a questão do pendurar de chuteiras.

Não conheço ninguém na indústria da sétima arte que tenha sido tão criativo e produtivo depois dos oitenta anos quanto o velho ator de São Francisco, que apesar de uma filmografia consagradora não tenha conquistado com isso uma estatueta do Oscar e que só depois de se tornar diretor, aos 40 anos, tenha erguido o tradicional prêmio por quatro vezes, além de três troféus do Globo de Ouro.

Além das dezenas de atuações como ator, Clint dirigiu 37 filmes, o último lançado em 2019, Richard Jewell, que narra a história de um policial que salvou vidas no atentado de Atlanta e depois foi vítima de fake news da imprensa.

Diferente de outros astros de Hollywood, ele começou a carreira um pouco tarde, já com quase trinta anos, e de forma inesperada. Estava no estacionamento da CBS e um executivo achou seu biotipo igual a um cowboy.

Foi assim que foi ser coadjuvante no seriado Couro Cru, produzido para TV entre 1959 e 1965, onde fazia o papel de um vaqueiro amigo do protagonista. Uma olhadela nos episódios e já se percebe o futuro ícone do faroeste italiano.

Ainda estava atuando na série quando foi fazer história numa das mais impactantes trilogias do cinema, assinadas pelo diretor Sergio Leone: Por um Punhado de Dólares, Por uns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito.

Conhecidos pelo nome “trilogia do homem sem nome”, os três filmes celebrizaram Leone e surpreendeu com a construção de um herói a partir do nada, da aparição súbita, da invisibilidade nominal, como o próprio ator.

O personagem de Clint Eastwood surge numa situação quase incógnita, ganhando aos poucos tons heroicos como aconteceu décadas depois com os personagens que o velho ator feito diretor trabalhou dentro dos próprios filmes. 

Uma curiosidade entre tantas que os fãs da trilogia acabam descobrindo ao longo do tempo é que Clint usou o mesmo ponche durante as três aventuras sem jamais levá-lo para a lavagem. Em Woodstock surgiram muitas cópias.

Não houve até hoje nenhum gênero do cinema que resistiu ao seu charme de durão, de um brigão com ética. Fez bonito nos estilos drama, romance, policial, espionagem, catástrofe, ficção científica, comédia. Esteve até em reality show. 

Seus saltos e mergulhos no emocional dos personagens nos carregam juntos, na valentia de um delegado implacável ou na leveza de um apaixonado, respectivamente com Dirty Harry e com Kincaid, de As Pontes de Madison.

Como cineasta, engrandece os roteiros derramando sobre a apresentação dos personagens uma carga de humanidade e resiliência esplendorosas, como fez com Bird, Menina de Ouro, Gran Torino, Conquista da Honra e Além da Vida.

Suas premiações só começaram em 1994, quando já tinha 64 anos, e foram se acumulando. No tempo do spaghetti, que lhe deu dimensão lendária, nunca ganhou nada, só bala e poeira. Hoje é um rolling stone; que role até os 100.

Créditos: Divulgação


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