Clubes e entidades discutem a possível volta das torcidas aos estádios no Brasil

Publicação: 2020-09-27 00:00:00
Enquanto o Brasil discute a volta de torcedores aos estádios em meio à pandemia do novo coronavírus, países europeus já contam com a presença de público em partidas de futebol. Um exemplo foi visto na final da Supercopa da Europa entre Bayern de Munique e Sevilla, na última quinta-feira. Em Budapeste, na Hungria, cerca de 15 mil pessoas acompanharam na Puskas Arena a vitória de virada do time alemão na prorrogação por 2 a 1. No RN, o América defende abertamente o retorno. A Federação Norte-rio-grandense de Futebol – FNF se posicionou por aguardar uma decisão dos órgãos de saúde.

Créditos: Adriano Abreu

No Brasil, porém, a definição ainda parece estar longe de ocorrer. Em reunião virtual os clubes e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não chegaram a um consenso sobre a volta dos torcedores aos estádios. O principal ponto discutido é a isonomia do campeonato. Ou seja, determinado time pode ter o apoio dos seus torcedores, enquanto que outro não terá o aval das autoridades de saúde para abrir seu estádio para o público.

Embora o Ministério da Saúde tenha aprovado o estudo da CBF para liberar até 30% da capacidade dos estádios, a maioria das cidades e Estados dos times envolvidos no Brasileirão ainda não aprova o retorno dos torcedores.

No RN, o América foi o primeiro clube a defender abertamente a utilização de 30% do espaço dos estádios por torcedores. No entanto, o clube potiguar, por estar na Série D do Campeonato Brasileiro, assim como ABC, Globo e Potiguar, sabe que a realidade da competição é outra e, a dificuldade para liberação é ainda maior, uma vez que muitas partidas são disputadas em estádios com pouquíssimas condições de jogo.

Apesar do governo potiguar ainda não ter se posicionado a respeito, a aprovação, por Decreto, da presença de pessoas em eventos, seguindo um cronograma de liberação, deu esperança aos clubes.

Em São Paulos, no entanto, o governador João Doria vetou a presença de público tanto nos jogos da Série A quanto na partida do dia 9 de outubro entre Brasil e Bolívia, na Neo Química Arena, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022. "Aqui em São Paulo não há pressão política, econômica, partidária, assim como não há do esporte", disse Doria. "A missão do governo de São Paulo é preservar a vida de todos: jogadores, técnicos e torcedores", comentou o governador.

Apoio
Por outro lado, o Rio de Janeiro é favorável à volta dos torcedores. O prefeito Marcelo Crivella, inclusive, já autorizou a presença de público em partidas no estádio do Maracanã. Ele tem o apoio da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) e do Flamengo nesta questão.

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, decretou na quinta-feira em edição extra do Diário Oficial a autorização de 30% do público nos estádios localizados em municípios do Estado que estão com bandeira amarela ou verde, onde o risco de contágio do novo coronavírus é menor. O decreto cita a volta de torcedores nos estádios em países como Dinamarca, Rússia e Suíça, onde o retorno tem sido feito de forma gradual no número de pessoas liberadas nas arquibancadas.

Nos países europeus, a decisão tem sido tomada de forma nacional No Reino Unido, por exemplo, o primeiro-ministro Boris Johnson adiou a volta do público aos estádios que estava prevista para o dia 1.º de outubro. Há a preocupação com a chamada "segunda onda" da covid-19, com o número de casos aumentando a cada dia novamente.

Na semana passada, o Campeonato Alemão voltou a ter público nos estádios. Isso só foi possível porque os 16 estados da Alemanha aprovaram a medida. Além de cumprir isolamento e outros protocolos de saúde, os estádios podem receber até 20% de sua capacidade. A medida é considerada "experimental" e o público poderá ser proibido de frequentar as partidas caso o contágio do novo coronavírus aumente no país.

Na França, o limite de capacidade é menor: 5 mil torcedores podem ir ao estádio em cada jogo. A medida está em vigor desde julho. A França também sedia o tradicional torneio de tênis Roland Garros a partir deste fim de semana. Após sonhar em receber até 11.500 pessoas por partida, a organização agora adota cautela e planeja número bem menor, de até mil torcedores

Na Espanha, após diversos estudos, o público segue proibido de frequentar os estádios. A expectativa inicial, ainda em junho, era de que a volta dos torcedores fosse liberada a partir de agosto. Porém, como o contágio da covid-19 não está controlado, a decisão foi adiada.


FIFA
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, demonstrou otimismo quando ao futuro do futebol pós-pandemia e afirmou que o público nos estádios é essencial, mas antes é preciso encontrar protocolos de segurança para cuidar da saúde dos torcedores.
"O futebol é um espetáculo vivo. Sem todos os espectadores, o futebol não é a mesma coisa, mas saúde deve ser prioridade número um e temos que encontrar protocolos que nos permitam voltar. Eu tenho fé, o futuro é brilhante e o novo normal será melhor. Você tem que encontrar um equilíbrio entre saúde, futebol e todas as considerações comerciais", disse o dirigente.
Infantino encara o retorno do público aos estádios como um dos maiores desafios enfrentados pelo futebol. "Devemos trabalhar juntos na direção certa e encontrar respostas para as questões que surgirem. Todas as nossas competições interessam aos fãs? Existem muitas competições ou não? Quantos jogos um atleta de futebol pode jogar profissionalmente por temporada e o que você precisa para descansar?"
O presidente defendeu o equilíbrio na competitividade internacional e a diminuição das diferenças com o objetivo de que haja "50 países em condições de ganhar a Copa do Mundo e não apenas cinco ou seis; e que 50 clubes que possam ser os melhores do mundo".
"Nossa nova Copa do Mundo de Clubes vai melhorar o futebol. Acreditamos firmemente nisso", disse Infantino, que também destacou a luta contra a corrupção e a manipulação de resultados "A Fifa está a serviço do futebol", afirmou o suíço, que destacou o fato de a entidade ter ajudado com US$ 1,5 bilhão associações e confederações durante a pandemia. "O dinheiro agora vai para onde deveria ir."