Coaf aponta movimentação suspeita de R$ 52 bilhões

Publicação: 2015-07-08 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Brasília (AE) - O presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antonio Gustavo Rodrigues, disse, em depoimento à CPI da Petrobras, que o órgão já investigou para as autoridades da Operação Lava Jato movimentações atípicas que atingem R$ 51,9 bilhões. De acordo com Rodrigues, o órgão do Ministério da Fazenda que tem como competência examinar e identificar ocorrências de atividades ilícitas produziu um total de 267 relatórios para os investigadores da Lava Jato. O levantamento abrangeu 8.918 comunicações de movimentações financeiras de 27.579 pessoas física e jurídica. Rodrigues foi ouvido ontem na comissão na condição de testemunha.

"A Lava Jato iniciou a partir desses instrumentos", disse o presidente do Coaf, ressaltando que dos R$ 51,9 bilhões movimentados em operações financeiras atípicas monitorados para a Lava Jato, R$ 1,381 bilhão foi de dinheiro em espécie.
Marcelo Camargo/ABrPresidente do Coaf, Antonio Rodrigues afirma que a instituição apurou “movimentações atípicas”Presidente do Coaf, Antonio Rodrigues afirma que a instituição apurou “movimentações atípicas”

Rodrigues afirmou que nesse tipo de investigação é apurada toda a rede que movimentou os recursos, seja dinheiro em espécie ou investimentos. "Tem gente que pode ter entrado de gaiato. A investigação é que vai dizer", disse o presidente do Coaf em entrevista. Durante seu depoimento na CPI, Rodrigues negou que bancos tenham sido coniventes com as operações de lavagem de dinheiro investigadas na Lava Jato e que o sistema funcionou ao identificar irregularidades. O presidente do Coaf não revelou os nomes dos investigados alegando que poderia ficar caracterizado quebra de sigilo.

Aos parlamentares, ele sugeriu que, se a CPI quiser ter acesso aos relatórios, terá que solicitar a quebra de sigilo por nome, já que cada relatório pode ter centenas de nomes. Um dos alvos da investigação, admitiu Rodrigues, foi o doleiro Alberto Youssef, que já havia sido monitorado em outros processos. "Youssef já era famoso, já tinha sido investigado, fez delação no passado, mas ele continuou operando", destacou. O presidente do Coaf disse que a maioria das movimentações suspeitas acaba se confirmando como crime.

Acareações
O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, concedeu ontem liminar para dispensar o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco de participar de acareações na CPI. Ele havia sido convocado para participar de sessões nos dias 8 e 9, respectivamente, com o ex-diretor da estatal Renato Duque e com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari.Na prática, portanto, as sessões de acareação nas quais era esperada a presença de Barusco ficam inviabilizadas.

A defesa do ex-gerente de Serviços da Petrobras alegou ao Supremo que ele possui câncer ósseo e tem dificuldades de locomoção e permanência na sessão da comissão parlamentar.

Ao analisar o pedido, Celso de Mello observou que Barusco é acometido por doença grave e a solicitação tem suporte em "razões de caráter humanitário".

O ministro levou em conta também informação prestada pela defesa de Vaccari de que ele permaneceria em silêncio na sessão da CPI e, portanto, a acareação não se realizaria na prática, ainda que os dois estivessem presentes.

MP divulga novas suspeitas de propina
Curitiba e São Paulo (AE) -
A força-tarefa da Operação Lava Jato suspeita que a Odebrecht pagou propinas também para o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, preso desde janeiro. A informação é do Ministério Público Federal. Em petição à Justiça, nove procuradores da República reafirmam a necessidade da manutenção do decreto de prisão preventiva de executivos e do presidente do grupo, Marcelo Bahia Odebrecht. Eles cumprem prisão em Curitiba desde 19 de junho.

"A conta Forbal era conta de Nestor Cerveró, o que indica pagamentos da Odebrecht também em favor de Cerveró no exterior", destacam os procuradores em referência a conta que o ex-diretor mantinha no Uruguai em nome da Forbal Investment Inc, offshore constituída em 29 de abril de 2008, no paraíso fiscal de Belize, na América Central. Cerveró havia deixado a Diretoria Internacional na estatal um mês antes.

Ele foi condenado a 5 anos de prisão por lavagem de dinheiro e também é acusado de corrupção passiva - teria recebido US$ 30 milhões em propinas em contatos de navios-sonda da Petrobras, em 2006 e 2007. A suspeita da Procuradoria da República em Curitiba surgiu após rastreamento de uma operação de dólar-cabo realizada, segundo a força-tarefa, pelo suposto operador de propinas da Odebrecht Bernardo Freiburghaus no banco Julius Baer, na Suíça, e o estatístico Alexandre Amaral de Moura.

Em depoimentos aos procuradores, em 30 de junho, Moura detalhou a transação em que autorizou as transferências de US$ 300 mil para a conta Forbal, de Cerveró, e de US$ 340 mil para a conta Quinus, do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

"As declarações de Alexandre Amaral dão conta de operação de dólar-cabo em que Bernardo disponibilizou valores em espécie para Alexandre. Este tinha valores no exterior e pretendia trazer para o Brasil. Para operacionalizar essa internação, Alexandre entrou em contato com Bernardo. O último, ao invés de orientar o primeiro a fazer um contrato de câmbio, usou tal operação para dissimular pagamentos de propina da Odebrecht para Paulo Roberto Costa", informa a Procuradoria.

continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários