Cobertura da vacina contra a pólio é baixa no RN

Publicação: 2019-10-31 00:00:00 | Comentários: 0
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Pelo menos 112 cidades do Rio Grande do Norte não estão atingindo a meta de vacinação da poliomielite, que no Estado, apresenta uma cobertura vacinal de 78,39% para crianças menores de um ano que tomaram as três doses da vacina. Há casos de municípios, como Lagoa Salgada e Pedro Velho, com apenas 1,02% e 19,71% da cobertura vacinal, respectivamente.

Vacina é a única forma de imunizar as pessoas contra a poliomielite. Brasil está livre do vírus
Vacina é a única forma de imunizar as pessoas contra a poliomielite. Brasil está livre do vírus

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap-RN), a explicação para essa discrepância nesses casos é de subnotificação, isto é, o dado registrado no sistema pode estar diferente da realidade.

“Isso condiz com a realidade? Temos muitos municípios que estão em atraso com o envio das informações para o sistema. Possivelmente essa cobertura é maior ao que o sistema está nos passando pelo momento”, explica Katiuscia Rosalie, coordenadora do programa estadual de imunização da Sesap.

Ela acrescenta ainda que há municípios, em 2019, que só alimentaram um mês durante todo o ano. “Quando o sistema está perto de fechar, que é quando os municípios se sentem obrigados a estar inserindo os dados no sistema, aí eles inserem e o dado aumenta bastante. Possivelmente essa cobertura vai aumentar”, ressalta.

Segundo dados da Sesap, 56 municípios do Rio Grande do Norte atingiram a cobertura vacinal para a pólio. Há alguns casos, inclusive, de cidades que têm mais de 100%, como são os casos de Lucrécia (205%), Riacho da Cruz 223,81%), Jundiá (273,33%), José da Penha (189,36%) e Viçosa (181,82%). Nesses casos, a secretaria informa que “pode haver duplicidade do cadastro da informação. A Sesap realiza uma análise para retirar esses dados em duplicidade”, disse. O mesmo acontece com dados do Sarampo.

No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a emitir um alerta para o reaparecimento da doença em virtude da baixa cobertura vacinal e a falta de interesse da população em imunizar crianças entre 0 e 4 anos. Em julho, um relatório do MS apontou que 312 municípios do país, 21 deles no RN, estavam abaixo da meta mínima de imunização contra a paralisia infantil. O critério atingia cidades que não conseguiram cumprir sequer 50% da cobertura vacinal para a doença.

A poliomielite, também chamada de pólio ou paralisia infantil, é uma doença contagiosa aguda causada pelo poliovírus, que pode infectar crianças e adultos por meio do contato direto com fezes ou com secreções eliminadas pela boca das pessoas doentes e provocar ou não paralisia. Nos casos graves, em que acontecem as paralisias musculares, os membros inferiores são os mais atingidos.

Segundo a Sesap, o último caso registrado no RN aconteceu em 1989, em São José do Seridó. O MS também atribui que o último caso no país aconteceu no mesmo ano, na cidade de Souza, na Paraíba. Em 1994, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a Certificação de Área Livre de Circulação do Poliovírus Selvagem. A doença permanece endêmica em três países: Afeganistão, Nigéria e Paquistão, com registro de 12 casos. Nenhum confirmado nas Américas.

Prevenção e sintomas
A vacinação é a única forma de prevenção da Poliomielite. Todas as crianças menores de cinco anos de idade devem ser vacinadas conforme esquema de vacinação de rotina e na campanha nacional anual.

Desde 2016, o esquema vacinal contra a poliomielite passou a ser de três doses da vacina injetável – VIP (2, 4 e 6 meses) e mais duas doses de reforço com a vacina oral bivalente– VOP (gotinha).

O Ministério da Saúde aponta que a falta de saneamento, más condições habitacionais e higiene pessoal precária são fatores que favorecem a transmissão do vírus causador da pólio.

A poliomielite tem uma série de sequelas: Problemas e dores nas articulações; pé torto, conhecido como pé equino, em que a pessoa não consegue andar porque o calcanhar não encosta no chão; crescimento diferente das pernas, o que faz com que a pessoa manque e incline-se para um lado, causando escoliose; osteoporose; paralisia de uma das pernas, dificuldade de fala, entre outros.

97 cidades batem meta do Sarampo
Encerrada na última sexta-feira (25), a primeira fase da campanha nacional de vacinação contra o sarampo imunizou 90% do público-alvo no Rio Grande do Norte, ficando fora da meta de vacinação, que é de 95%. Entretanto, segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap-RN), dos 167 municípios do Estado, 97 cidades bateram a meta, o que dá um quantitativo de 58%. O RN voltou a registrar a doença após 19 anos e tem quatro casos confirmados e outros 82 suspeitos, segundo o último boletim divulgado pela Sesap.

O RN é um dos 13 estados que não atingiram a meta de vacinação. Nessa situação também estão o Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima e Rio de Janeiro.

A segunda etapa da campanha de vacinação está prevista para começar em 18 de novembro. O governo federal tem expectativa de que agentes comunitários de saúde de combate às endemias façam busca ativa em residências para vacinação.

Neste caso o foco será a  população adulta. Esse novo grupo será composto por adultos de 20 a 29 anos que não estão com a caderneta de vacinação em dia e vão ter a oportunidade de se vacinar até 30 de novembro, quando termina a campanha.

Na semana passada, o Ministério da Saúde anunciou um incentivo financeiro para que estados e municípios reforçem ações e medidas locais no âmbito da Atenção Primária e da Vigilância à Saúde. Ao todo, foram liberados R$ 206 milhões. Deste montante, os municípios do RN vão receber R$ 3,1 milhões. Os valores variam de acordo com o quantitativo populacional de cada região. Os municípios só vão receber, a princípio, metade deste valor.

O restante estará condicionado a uma série de metas que os municípios vão precisar cumprir. Segundo o MS,  gestores que alcançarem cobertura vacinal contra o sarampo de 90% a 94,9% para a primeira dose da tríplice viral, em crianças de até 12 meses, receberão 75% do incentivo federal. Já os municípios que atingirem cobertura igual ou superior a 95% para a primeira dose, em crianças de até 12 meses, receberão 100% do total do repasse.

A segunda meta diz respeito ao preenchimento de um formulário informando o estoque das vacinas poliomielite, tríplice viral e pentavalente às Secretarias de Saúde dos Estados e ao Ministério da Saúde. A apuração das duas metas será realizada a partir de 2 de dezembro de 2019, após o encerramento da segunda fase da Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo, em 30 de novembro, sendo o recurso repassado na competência financeira seguinte ao encerramento.

Quase 20 anos sem o registro da doença em terras potiguares, o Estado voltou a ter o aparecimento do sarampo no dia 26 de agosto deste ano, após um homem de 54 anos, que foi a São Paulo, estado com maior incidência da doença, ter contraído o vírus.

O primeiro caso no RN em 19 anos foi de um paciente do sexo masculino de 54 anos que teve um histórico de viagem a São Paulo; os outros confirmados foram de uma criança de 6 anos, do sexo masculino, do município de Macaíba, uma criança de 1 ano e 6 meses, residente no município de Tibau do Sul, e o quarto caso foi de uma paciente de 19 anos, do município de Extremoz.

Números
58% da cidades do RN bateram a meta de cobertura da vacina contra o sarampo.

18/11 é a data de retomada da camapnha de vacinação contra o sarampo pelo Ministério da Saúde.

Cobertura da poliomielite
112 cidades não atingiram a meta contra a pólio em 2019

55 municípios tem mais de 95% de cobertura

Cobertura no RN em 2019: 
78,39%

Top-5 menores coberturas no RN
Lagoa Salgada: 1,02%

Pedro Velho: 19,71%

Pedra Petra:  21,74%

Carnaúba dos Dantas:  26,15%

Nova Cruz: 31,72%

Top-5 maiores coberturas no RN
Lucrécia: 205%

Riacho da Cruz: 223,81%

Jundiá: 273,33%

José da Penha: 189,36%

Viçosa: 181,82%


Cobertura do sarampo
70 cidades não atingiram a cobertura vacinal no RN

97 cidades já bateram a meta nacional de vacinação

Top-5 menores coberturas no RN
Georgino Avelino: 11,94%

Pedro Velho: 19,39%

Boa Saúde:24,07%

Taipu: 27,48%

Lagoa Salgada: 27,48%

Top-5 maiores coberturas no RN
Jundiá: 285,71%

Viçosa: 248,89%

Santana do Seridó: 211,49%

Água Nova: 203,51%

Lucrécia: 202,41%









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