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Natal
Cobertura vacinal para recém-nascidos tem queda no Rio Grande do Norte
Publicado: 00:00:00 - 28/04/2022 Atualizado: 22:03:20 - 27/04/2022
Em 2021, a cobertura vacinal dos imunizantes obrigatórios para a população de recém-nascidos e crianças de um ano no Rio Grande do Norte apresentou média de 68%. A informação é da  Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) por meio do Sistema de Informação do Plano Nacional de Imunizações/DATASUS. O estado acompanha uma tendência nacional de redução da cobertura vacinal nos últimos cinco anos, segundo levantamento publicado pela Confederação Nacional de Municípios (CMN). 

Arquivo TN
No ano passado, nenhuma das nove vacinas obrigatórias teve cobertura superior a 80%

No ano passado, nenhuma das nove vacinas obrigatórias teve cobertura superior a 80%


Os dados mais preocupantes dizem respeito à cobertura das nove vacinas obrigatórias para crianças menores de um ano e de um ano de idade no Rio Grande do Norte. São elas: BCG, Rotavírus Humano, Hepatite B, Meningococo C, Pentavalente, Pneumocócica, Poliomielite, Hepatite A, Tríplice Viral. No ano de 2021, nenhuma dessas coberturas alcançou índice de 80%. Os números também são do Sistema de Informações do PNI/DATASUS.

A taxa de adesão à BGC teve o percentual mais alto em 78,66%. Em seguida, as vacinas de Hepatite B e Pneumocócica, para recém-nascidos menores de um ano, figuram com, respectivamente, 77,60% e  70,55% de cobertura. Todos os outros imunizantes anteriormente mencionados estão na casa dos 60% - Rotavírus Humano (67,99%),  Meningococo C (67,55),  Tríplice Viral D1 (67,22%), Pentavalente (66,24%), Poliomielite (65,57%) e Hepatite A (60,28%).

“Infelizmente,  conseguimos perceber essa diminuição da cobertura vacinal nos últimos seis anos e vivenciamos uma grande onda de negação às vacinas. Pessoas que não conviveram com algumas doenças acreditam que elas não existem mais e não vacinam. Essa leitura é totalmente equivocada, compreendendo que essas doenças foram erradicadas exatamente pelo processo de imunização”, pontua Kelly Lima, coordenadora de Vigilância em Saúde da Sesap.

Dificuldades na garantia do acesso ao serviço de vacinação também são um empecilho que levam a uma baixa adesão. “Estamos realizando o monitoramento em todos os municípios. O Estado contratou apoiadores para todas as regionais de saúde, que fazem visitas in loco nos locais mais críticos e orientam sobre as estratégias de imunização. Na primeira quinzena do mês de maio, também vamos lançar o projeto Minha Escola Nota 10, garantindo a retomada da vacinação em todas as escolas públicas do nosso estado”, finaliza Kelly.

Já na capital potiguar, a cobertura vacinal obrigatória para menores de um ano e de um ano de idade também foi aquém do esperado em 2021. Com uma população alvo de 10.022 nessa faixa etária,  a vacina Pneumocócica apresentou 83,5% de adesão, seguida pela Meningocócica com 78,8%. Depois, figuram as vacinas do Rotavírus Humano (75,5%), Pentavalente (74,7%) e Poliomielite (74,4%). Para as crianças de um ano, o percentual de adesão aos imunizantes Tríplice Viral, Hepatite A e Varicela é de 68,6%, 62,8% e 50,4%, respectivamente.

Um número que chama atenção diz respeito à vacina BCG que, em Natal, apresentou adesão de 130,6% no ano passado. Segunda Vaneska Gadelha, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde da SMS, isso acontece porque há uma migração de pessoas não residentes da capital que omitem ou mudam seus endereços para obter atendimento. “Historicamente, a BCG é a única vacina que bate meta de olhos fechados porque não depende de retorno e as crianças saem da maternidade vacinadas”, comenta.

“Com esse cenário, a curto prazo, podemos ter o surgimento de vários surtos infecciosos. A longo prazo, podemos ver um maior número de crianças com deficiências que são imunopreveníveis. Essas vacinas tem um prazo para serem executadas e não podem ser  administradas a qualquer momento da vida”, diz Vaneska.

Greve afeta funcionamento da vacinação na capital 
A reportagem da TRIBUNA DO NORTE visitou a Unidade Básica de Saúde Candelária, na zona Sul de Natal, onde o serviço de vacinação de rotina foi afetado pela redução do efetivo devido à paralisação dos servidores de saúde. No local, apenas as vacinas contra Influenza e covid-19 estavam sendo aplicadas. 

Na Unidade Básica de Saúde Jiqui, bairro de Neópolis, a farmacêutica Ana Vitória Silva levou seu filho Joaquim, de três  anos, para tomar a vacina contra o sarampo e a influenza. Joaquim acabou não sendo imunizado pois nesta terça-feira (26) a UBS só atendeu a vacinação de idosos e profissionais da saúde contra influenza e covid-19. “Infelizmente, não vai ser hoje mas vamos voltar amanhã. Em relação às outras vacinas obrigatórias, o cartão de vacina dele está todo completo. Me preocupo muito, já estava aperreada porque não pude vir antes”, diz. 

Mesmo durante a pandemia, Ana conta que sempre levou seu filho para tomar as vacinas necessárias e manteve o calendário em dia. “Eu acho atraso na vacinação quase que um crime porque as crianças sofrem bastante se adoecerem. Os hospitais estão lotados e vemos um ressurgimento de casos de arboviroses, essas síndromes que estão aparecendo. Tenho receio de atrasar e acontecer alguma coisa”. 

Na UBS Jiqui, funcionárias comentam que a procura pela vacinação de rotina tem diminuído. Com efetivo reduzido pela greve, esses imunizantes estão sendo aplicados apenas nas segundas e quartas, tendo prioridade para as campanhas de vacinação contra covid-19 e Influenza ao longo da semana. 

Estudo da CNM aponta redução da cobertura
Nenhuma imunização do calendário nacional brasileiro atingiu cobertura superior a 80% no ano de 2021, segundo mapeamento feito pela Confederação Nacional de Municípios. Em estudo divulgado no início deste mês, a  CNM apontou que a meta de imunização nacional está abaixo de 70% em quase todos os índices. As regiões Norte e Nordeste apresentam os menores números de pessoas imunizadas. 

O Brasil disponibiliza 18 imunizantes de forma gratuita para criancas, adolescentes e idosos, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). A vacina da Influenza foi a única que figurou acima dos 70% de cobertura em todas as regiões, mas sua meta era de 90%. Apontam que, desde 2017, a procura por vacinas obrigatórias entrou em declínio em todas as regiões, deixando o pais suscetível a doenças já erradicadas e novos surtos de febre amarela, poliomielite, sarampo, caxumba e até rubéola. 

Nas médias nacionais, a imunização contra tuberculose, através da vacina BGC, deveria bater meta de 95% mas registrou em torno de 64% de cobertura. Do mesmo modo, os números da imunização de primeira dose da Tríplice Viral teve meta de 95% e foi observado apenas 55,13% de adesão. Em sua segunda dose, o índice cai para 48%.

A pesquisa foi promovida entre 31 de janeiro e 10 de março deste ano e menciona dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), por meio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que demonstram que 23 milhões de crianças perderam as vacinas básicas de rotinas em 2020. Esse número representou um aumento de 3,7 milhões a mais do que em 2019.

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