Coisa e lousa

Publicação: 2010-03-05 00:00:00 | Comentários: 1
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Nei Leandro de Castro [ escritor ]

As nossas regras ortográficas iam bem, obrigado, cumprindo seu papel sem ofender ninguém. De repente, sem nenhum aviso prévio, o GAGÁ – Grupo Anônimo de Gramatiqueiros Ávidos – resolveu meter, com licença da palavra, o bedelho. E foi criada a reforma ortográfica, válida desde janeiro de 2009, com um período de transição até 2012. Sabe quem assinou o decreto do acordo? Luiz Inácio Lula da Silva, sumidade no assunto. O que mais irrita, além da reforma em si, é a passividade e até a conivência dos gramáticos e professores de português do Brasil. Não se tem conhecimento de uma só voz discordante dessa reforma estúpida, imbecil, desnecessária. Todos os jornais, revistas e livros já estão rezando pela nova cartilha. O professor Pasquale Cipro Neto, por exemplo, um grande conhecedor da língua portuguesa, não fez uma só crítica à burrice do acordo. Em compensação, está faturando com comentários que explicam as mudanças ortográficas feitas pelo GAGÁ. Até agora só uma voz discordante se ergueu: a do escritor Ariano Suassuna, que falou da estupidez da reforma e afirmou que não obedecerá às regras estabelecidas. Estou com Ariano e não abro. Continuarei a escrever segundo as normas  anteriores a esse golpe gramatiqueiro perpetrado em janeiro do ano passado. Se os revisores quiserem me “corrigir”, problema deles.

Bom, todos sabemos que a prefeita Micarla adora viajar pelo mundo, nos voos 0800. Um dia está em Lisboa, contemplando o Tejo e ouvindo fados. Logo depois está flanando pela margem esquerda do Sena e vendo as vitrines das Galerias Lafayette. Em seguida,  fazendo compras na Wall Street, que ninguém é de ferro. Mas a prefeita podia, pelo menos, ter um assessor de confiança para lhe informar do que está se passando nos seus domínios. Há pouco tempo, e ela não deve ter tomado conhecimento disso, a Funcarte perdeu uma de suas mais competentes funcionárias: Cláudia Magalhães. Motivo: fofoquinhas, brigas internas, desencontros. Cláudia é contista, teatróloga, diretora de teatro e um dos maiores valores da sua geração.  E mais: uma funcionária exemplar. Com a sua saída, quem mais perdeu foi a Funcarte,  a prefeitura, a vida intelectual da cidade. Vai daqui um apelo: excelentíssima prefeita, reexamine o caso de Cláudia Magalhães e faça valer a justiça, o bom senso.

É só o que se comenta no Beco da Lama: a agência de publicidade Aragão divulgou um “outdoor” onde se lê em letras imensas: FAZEMOS MUDANÇAS.  Dizem que a agência recebeu dezenas de telefonemas de pessoas pedindo orçamento para mudanças locais e interestaduais. A telefonista, coitada, precisou de muita paciência para explicar que a Aragão não fazia aquele tipo de mudança. Pelo que se vê por aqui, alguns redatores de propaganda alcançam muito depressa a genialidade.

Sábado passado, o clima era de euforia no Sebo Vermelho. Abimael Silva informou que estava próximo de realizar um grande sonho: publicar um livro com uma seleção de crônicas de Woden Madruga. O mais difícil já estava resolvido: WM concordou com a idéia. Outro problema é selecionar as crônicas que Woden vem escrevendo na Tribuna do Norte há mais de 40 anos.  Podem ocupar mais volumes do que a “Comédia Humana” de Balzac.

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Comentários

  • iedaferreira.44

    É difícil localizar online os artigos de Nei Leandro de Castro. Consegui porque vi o título no impresso. Os demais articulistas têm um índice, mas ele, não. Por que? Gosto de ler tudo o que ele escreve no Jornal.