Com fortes chuvas, tubulação rompe e deslizamento atinge Areia Preta

Publicação: 2014-06-14 00:00:00
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Daísa Alves e Igor Jácome
repórteres

As fortes chuvas de ontem provocaram um deslizamento de terra atingindo cinco veículos na Av. Dinarte Mariz, em Areia Preta, no início da tarde de ontem. Não houve feridos, mas os moradores da região estão em estado de alerta, pelo menos até o final das precipitações. Com o risco iminente de novos deslizamentos, a Defesa Civil Municipal, ainda na noite de ontem, organizava a remoção de famílias do bairro de Mãe Luíza para uma escola municipal do bairro, até estar garantida a segurança do local. A pista da Dinarte Mariz foi liberada no começo da noite de ontem.

A causa do deslizamento foi o rompimento de uma tubulação de drenagem na escadaria que liga a Rua Guanabara à praia de Areia Preta. Por essa escadaria passam tanto a tubulação de águas pluviais como a do esgotamento sanitário implantada pela Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern). Nesta última semana, os dois órgãos trabalhavam no local para manutenção dos sistemas. Segundo Tomaz Pereira Neto, secretário municipal de Obras Públicas e Infraestrutura, a galeria, mais conhecida  como “boca de lobo”, estava obstruída com  lixo e por isso transbordou forçando o deslizamento.

O rompimento comprometeu a estrutura da escadaria, que desmoronou, e parte da água escorreu pelas laterais atingindo a via em Areia Preta – que ficou totalmente bloqueada por um grande volume de areia deslizada do terreno. O mesmo motivo ocasionou a abertura de um buraco na rua Guanabara que está interditada pela Defesa Civil.

Com as tubulações rompidas, o material de esgoto do sistema das casas do bairro de Mãe Luíza e Areia Preta, que seguiam para a estação elevatória – localizada no relógio de sol de Areia Preta – descem em estado bruto em direção a praia. O órgão trabalhava para contenção do problema com o uso de lonas e enrocamento – colocação de sacos de areia - para evitar o aumento na erosão. A expectativa é que o trabalho de recuperação da área comece assim que parar de chover em Natal.

Para a liberação da avenida Governador Sílvio Pedrosa, três retroescavadeiras trabalhavam na retirada do material – jogando a areia para a praia. Até o fechamento desta edição, a avenida ainda não havia sido liberada. A operação foi coordenada pela Defesa Civil Municipal e contava com o apoio da Urbana, Exército, Guarda Municipal, Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) e o Comando de Polícia Rodoviária Estadual (CPRE) organizando o trânsito.

Salvamento
Uma equipe do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) foi a primeira a chegar ao local do deslizamento de terra. De acordo com o sargento Wilson Ramos, que comandava a guarnição, foi preciso socorrer alguns motoristas e pedestres que passavam no local. Os policiais ainda acionaram o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil.

“Ficamos apavoradas. Um rapaz veio nos ajudar e mandou a gente sair pelo vidro, depois fechar e travar o carro. Deixamos tudo lá dentro”. O relato é da funcionária pública Maria do Livramento Cruz Costa, de 61 anos, que estava no carro modelo Fox junto com sua filha de 18 anos.  “Estava um engarrafamento muito grande e quando eu vi a água resolvi dar meia volta, mas não deu tempo. O carro não saiu do canto, ficou preso. Foi muito rápido”, detalha.


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Comentários

  • roberto.aladim

    Existe um grande descaso dos gestores com nossa cidade em todos os setores, porém a população tem sua parcela de culpa quando joga lixo nas ruas e principalmente votando nos mesmos políticos corruptos.

  • mauricyterra

    Essa tragedia estava prevista ja ha algum tempo, uma vez que a prefeitura nao se preocupa com a drenagem de suas encostas. Outra que deve ocorrer se nao se fizer nada eh a queda da cortina de sustentacao da praia Miami, que esta comprometida a varios anos. Vamos esperar ela cair?

  • nopin2011

    Muitos culpam a natureza, no entanto, esquecem que o morro de mãe luiza há muitos anos vem sofrendo com invasões, prejudicando o meio ambiente. E a inércia do poder público em coibir essa situação. Do outro lado, as invasões aumentaram muito em direção ao complexo Henrique castriciano. Quem mora em Natal há muitos anos sabe disso. A paisagem mudou. Brincam com as forças da natureza. Sem contar com o crime organizado, aumento da marginalidade naquela região. E a reação da natureza aos malefícios praticados pelos cidadãos.