Com histórias dos gramados para o consultório e para os livros, Berilo de Castro lança hoje sua “Memória Emoldurada”

Publicação: 2019-09-26 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Ramon Ribeiro
Repórter

Foi justamente quando vivia seu melhor momento no futebol, em 1964, que Berilo de Castro passou na faculdade de Medicina. Bicampeão estadual pelo Alecrim naquele ano, o quarto zagueiro iniciava ali a troca dos gramados pelo consultório médico. Largar o esporte não foi fácil, ainda mais quando Vasco, Fluminense e Náutico o queriam em seus times. Mas a despedida das quatro linhas chegou e chegou da melhor forma possível, com o título estadual de 1967 pelo América. Pendurou as chuteiras com status de campeão e passou a adotar um único uniforme, o jalecão branco. Décadas pra frente, Berilo passa a jogar em outro campo, o literário – onde seu irmão Nei Leandro de Castro já dominava como poucos neste RN. Boleiro e médico, tornou-se também cronista de temas variados. Seu mais novo livro, o quinto, mostra bem essa faceta. Intitulada “Memória Emoldurada” (Offset Editora, 2019), a obra será lançada nesta quinta-feira (26), a partir das 18h, no restaurante Don Nemesio (Tirol).

Ex-zagueiro de futebol, médico e escritor, Berilo de Castro reúne memórias e histórias de personagens com quem conviveu
Ex-zagueiro de futebol, médico e escritor, Berilo de Castro reúne memórias e histórias de personagens com quem conviveu

O livro reúne 71 crônicas – a maioria já publicada na imprensa, seja no finado Jornal de Hoje ou nesta TRIBUNA DO NORTE, mas há material inédito também. Em destaque estão três temas preciosos para o escritor: o futebol, a medicina e a música. “Adoro música. Tenho até um livro publicado só sobre esse assunto. Gosto de desde criança, quando lá em casa a gente acordava com minha mãe ouvindo no rádio Sílvio Caldas, Francisco Alves, Carlos Galhardo”, diz Berilo à TRIBUNA DO NORTE. “No livro selecionei algumas crônicas em que resgato alguns nomes da música potiguar que estão meio esquecidos, como Zé Luiz, compositor de Ceará-Mirim, Gilson Vieira, autor de Casinha Branca, Ademilde Fonseca, do chorinho, Glorinha Oliveira, Elino Julião. São pequenos perfis que registram para as gerações mais novas o quanto o RN tinha grandes artistas da música brasileira”.

Berilo escreve em tom memorialístico, dai o porque do título. Quando o tema medicina, narra experiências curiosas que vivenciou como nefrologista. Quanto ao futebol, lembra histórias e personagens divertidos, como “Dirã”, por exemplo.

“Na época de ouro do futebol do interior tinha um jogador de Currais Novos que batia muita bola. Seu nome era Dirã. Numa partida contra o Corinthians de Caicó ele acabou com o jogo. A crônica esportiva correu para lhe entrevistar. E ficou a curiosidade sobre o nome, se tinha a ver com Di Stefano, algo do tipo. No que veio a resposta. Ele disse que na verdade, desde a infância o apelido era 'cu de rã', mas um treinador avisou que com esse apelido ele teria poucas chances de emplacar no futebol nacional. Então ele deu um jeito, abreviou para 'Dirã', deixando o nome meio europeu com esse 'Di'”, conta o autor.

Outros bons personagens lembrados no livro são João Machado, e sua volumosa hérnia escrotal, o jornalista Everaldo Lopes, enciclopédia do futebol potiguar, e o valente treinador Pedrinho Quarenta. “Pedrinho Quarenta foi o maior trenador de futebol do Estado, campeão pelo Alecrim, pelo ABC. E você não dava nada por ele, era bem magrinho, quando tomava uns porres dava de valente, queria dar em todo mundo, acabaram cegando um olho dele com uma garrafada”, recorda Berilo. Ele dedicou o livro ao próprio irmão Nei Leandro de Castro, que vive no Rio de Janeiro. A obra também presta uma homenagem póstuma à Nemesio Morquecho Marina (Dom Nemesio – 1924-2010), espanhol que foi dono do Granada Bar e cujo filho mantém a tradição do pai comandando o restaurante Don Nemesio.

O texto da capa é do escritor Alex Nascimento, que diz: “Nessa seleção tá explicado por que Berilo era tão bom de bola. Ele só não gostava era de jogar contra Jorginho, de quem ele mesmo diz: 'Ali sabia tudo da pelota'. Era seu ídolo. Isso nos tempos do JL [Estádio Juvenal Lamartine], época em que craque era jogador e não uma pedra queimando dentro de um lata furada”. E segue no mesmo humor: “Com este quinto livro, embarca mais e mais no mundo prostibular dos intelectuais. Talvez Nei (o irmão) escreva melhor, só que Berilo tem o cabelo mais bonito – isso, em literatura conta pontos pro Oscar, pro Nobel e pra Fórmula 1”.

E como diz Tarcísio Gurgel no texto de apresentação, “Memória Emoldurada é  livro para ser lido numa boa rede. De preferência na manhã de algum domingo, à espera da convocação para o almoço. Se possível (e é bem possível que seja peixe), precedido de uma cachacinha e de um caldinho feito com a cabeça do pescado”.

Serviço
Lançamento do livro “Memória Emoldurada”, de Berilo de Castro

Dia 26 de setembro, às 18h

Restaurante Don Nemesio

(Av. Rodrigues Alves, nº 546, Tirol)




continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários