Com incentivos, indústria têxtil se consolida no Nordeste

Publicação: 2018-02-02 00:00:00 | Comentários: 0
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Mariana Ceci
Repórter

O setor de confecções brasileiro encontrou no Nordeste território fértil para crescer.  Pernambuco e Ceará já se consolidaram como polos dessa atividade industrial. No Agreste pernambucano, cerca de 800 milhões de peças de vestuário são produzidas anualmente – número 44 vezes maior que a produção no Rio Grande do Norte. Já o Ceará pretende retomar seu posto como um dos três maiores polos de venda de confecções do país. Hoje, o Estado ocupa a sexta posição. Desde a criação do Pró-Sertão, em 2013, o RN segue tentando alcançar um patamar de produção similar aos Estados vizinhos, que também serviram de modelo para a experiência local. 

Estudo apresentado em 2017 mostrou que nos dois primeiros anos de implantação, o Pró-Sertão ajudou a aumentar em 7,1% a produção de artigos confeccionados pelo setor têxtil potiguar
Com o Pró-Sertão, Estado tem possibilidade de conseguir ocupar espaço na produção têxtil 
no Nordeste 

A consolidação do setor nos Estados de Pernambuco e Ceará foi fruto de incentivos e programas que, como o Pró-Sertão, estimularam a vinda de grandes empresas para contratar os serviços dos pequenos empreendedores locais. Pernambuco, segundo maior produtor de vestuário do país, de acordo com o Sindicato da Indústria de Confecções do Estado, concentra 18 mil empresas do segmento apenas nas cidades de Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe, Surubim e Toritama.

Transformar o Agreste pernambucano em um polo de confecções é um projeto que teve início ainda em 2002. Naquele ano, o Sebrae apresentou um estudo denominado Projeto de Desenvolvimento do Polo de Confecções do Agreste, que buscava conhecer a realidade local e desenvolver empresas em municípios do interior, que hoje estão entre os maiores produtores do Estado. Atualmente, o faturamento do polo gira em torno de R$ 3,5 bilhões anuais, e o setor emprega 120 mil pessoas diretamente.

O Ceará, por sua vez, registrou um crescimento de 19,5% na indústria de confecções em 2017. A maior parte das oficinas de costura do Estado ainda estão concentradas na região metropolitana de Fortaleza. No entanto, membros do Sindicato de Confecções já demonstraram interesse em criar polos têxteis de confecção no interior do Estado, a exemplo do Rio Grande do Norte e de Pernambuco. Tal qual aconteceu com a criação do Pró-Sertão, a expectativa da indústria cearense é de atrair ao menos 20 indústrias para o interior, gerando cerca de 4 mil empregos diretos.

Migração inversa
Com a nova atividade, os municípios do polo pernambucano passaram a se desenvolver em um ritmo superior ao do resto do Estado. Entre os anos 1990 e 2000, Toritama registrou o crescimento populacional de 46,2%. Caruaru, por sua vez, cresceu 18,7%, e Santa Cruz do Capibaribe, 54%. Os índices são superiores à média nacional do período, que ficou em 15,6%. Pessoas naturais dessas cidades que haviam se mudado para Recife, retornaram a seus municípios de origem em busca de emprego na indústria de confecções. 

Eliane Cristina - Contadora
Eliane Cristina conta que graças às oficinas, o número de funcionários aumentou em pouco tempo

Um fenômeno similar já pode ser observado no Rio Grande do Norte: no Seridó potiguar, a cidade de São José do Seridó, de 4.500 habitantes, passou a ofertar pleno emprego após a instalação das oficinas de confecção na cidade. Atualmente, a folha líquida paga pelas oficinas supera o valor pago pela prefeitura municipal aos funcionários públicos. Pessoas como a contadora Eliane Cristina, de 37 anos, que haviam deixado a cidade e se transferido para cidades maiores como Caicó, retornaram a São José.

“Fui embora porque aqui não tinha muita perspectiva de crescimento. Voltei para abrir meu escritório de contabilidade que, graças às oficinas de confecção, aumentou de um funcionário para 9 em quatro anos. Atualmente, 22 dos meus clientes são confeccionistas. Fora eles, a maior parte é de pessoas que tiveram seus negócios expandidos e passaram a precisar dos serviços de uma contadora graças ao dinheiro que começou a circular na cidade”, afirma Eliane.

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