Com pandemia, RN perde 49% dos passageiros aéreos em 2020

Publicação: 2021-02-07 00:00:00
Cláudio Oliveira
Repórter

A pandemia do novo coronavírus fez despencar o número de passageiros no Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal. O terminal recebeu 1.185.208 de passageiros em 2020, representando uma movimentação de 49% menor que em 2019, quando foram contabilizados 2.330.725 usuários.  A queda acentuada soma-se à demanda por transporte aéreo de carga, que no ano passado foi a pior desde o início da série.

Créditos: Magnus NascimentoEm dezembro, Aeroporto de Natal registrou a alta, alcançando 155 mil usuários e 1.340 mil voos, segundo dados da InframéricaEm dezembro, Aeroporto de Natal registrou a alta, alcançando 155 mil usuários e 1.340 mil voos, segundo dados da Inframérica

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O movimento em 2020 no terminal aéreo potiguar foi pior que em 2014, quando foi inaugurado, e recebeu 1.495.724 passageiros. A partir da abertura, o número de passageiros oscilou entre 2,3 milhões e 2,4 milhões, com pico de  2.584.355 em 2015, segundo dados divulgados pela Inframérica, concessionária que administra o aeroporto. As medidas de isolamento social e o fechamento de fronteiras, provocadas pela pandemia da covid-19 resultou na paralisação da aviação em todo o mundo, sendo um dos setores mais atingidos e prejudicados.  Foram pouco mais de 10 mil pousos e decolagens contra 18 mil em 2019.

Para Roberto Luíz, head de Negócios Aéreos da Inframerica com mais de 40 anos de experiência no setor aéreo, este foi o pior ano na história da aviação. "Esta foi a pior crise para o setor. Guerra do Golfo, 11 de setembro, crise de 2008, nenhuma teve um impacto tão devastador na indústria. O impacto foi sentido em todos os aeroportos, companhias aéreas e no setor de turismo de todo o mundo. Sentimos o impacto antes de vários setores e a recuperação deve ser mais lenta também”, disse.

O Rio Grande do Norte não é um caso isolado. O número de passageiros aéreos caiu 66% em 2020 no mundo, em relação a 2019, um retrocesso recorde devido às restrições impostas pela pandemia de coronavírus, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), que reúne 190 companhias aéreas do mundo. A entidade alertou que as perspectivas de recuperação em 2021 são "sombrias" devido à aparição de novas variantes da covid-19, embora não tenha revisado formalmente para baixo suas previsões para o ano.

Já no aeroporto do Rio Grande do Norte, a expectativa é de que a recuperação aconteça de forma gradual. Em dezembro, por exemplo, o terminal registrou a 7º alta consecutiva de voos e passageiros e chegou a atingir 155 mil usuários e 1.340 mil voos, por isso, o head de negócios da Inframérica se disse otimista quanto à retomada em 2021. Em novembro, o registro tinha sido de 921 voos e 126 mil passageiros. Ele destacou que esta recuperação estará ligada diretamente à vacinação da população. "Nosso papel é deixar tranquila a passagem pelo nosso aeroporto daquele passageiro que precisa viajar. Estamos investindo em tecnologia para melhorar a experiência do nosso usuário”, comentou o executivo.

Também causa boas perspectivas o fato de Natal despontar como o destino mais procurado por pessoas que desejam viajar, segundo pesquisa do Ministério do Turismo realizada com agências e organizações de viagens que sentiram o impacto da queda na movimentação de passageiros.

A presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens no RN (ABAV/RN), Michelle Pereira, disse que a baixa procura se deve ao fato de que, neste primeiro momento de abertura do setor, as pessoas só estão comprando passagens aéreas dentro de suas necessidades. "Estão comprando dentro de suas necessidades, se precisarem viajar, o que os leva a comprar de última hora. Mas aí as tarifas acabam ficando mais caras, uma vez que os voos ainda estão reduzidos", disse. Nas últimas semanas, promoções das operadoras estão sendo oferecidas, mas para médio e longo prazo.

No início da pandemia, com as atividades praticamente paralisadas, a venda de pacotes nas agências de viagens chegou a apenas 2% e começou a crescer gradativamente até novembro, voltando a cair entre dezembro e janeiro, com o aumento no número de casos da covid-19. " Até novembro chegamos a 30% do movimento de antes. Hoje o crescimento ainda está muito lento em relação ao que era antes da pandemia. Estamos no patamar de 15% em relação ao que vendíamos", relatou Michelle Pereira.

Estatísticas do Aeroporto do RN
2020
Aeronaves (unid.) 9.852
Passageiros (unid.) 1.185.208
Carga Aérea (kg.) 5.636.494

2019
Aeronaves (unid.) 17.854
Passageiros (unid.) 2.330.725
Carga Aérea (kg.) 12.981.228

2018
Aeronaves (unid.) 18.812
Passageiros (unid.) 2.429.389
Carga Aérea (kg.) 15.420.366

2017
Aeronaves (unid.) 18.835
Passageiros (unid.) 2.403.135
Carga Aérea (kg.) 12.389.187

2016
Aeronaves (unid.) 18.553
Passageiros (unid.) 2.316.349
Carga Aérea (kg.) 12.076.973

2015
Aeronaves (unid.) 22.625
Passageiros (unid.) 2.584.355
Carga Aérea (kg.) 10.895.847

2014
Aeronaves (unid.) 11.986
Passageiros (unid.) 1.495.724
Carga Aérea (kg.) 4.608.300