Com queda em receitas, ABC e América trilham caminhos opostos

Publicação: 2020-03-29 00:00:00
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No América, o presidente Leonardo Bezerra vem trabalhando no sentido de mexer o mínimo possível no quadro funcional, mas sabe que a partir de abril terá de iniciar negociações visando a redução dos gastos, caso o futebol não apresente perspectiva de retorno à normalidade dentro dos próximos dias.

Créditos: Canindé Pereira e Luciano MarcosEnquanto o América optou por manter os empregos e esperar para avaliar melhor a situação resultante das paralisações, o ABC escolheu agir rápido e demitiu cerca de 30 funcionáriosEnquanto o América optou por manter os empregos e esperar para avaliar melhor a situação resultante das paralisações, o ABC escolheu agir rápido e demitiu cerca de 30 funcionários

“Ainda não necessitamos partir para nenhuma medida mais drástica em relação ao nosso quadro de funcionários, a gente vinha reduzindo o quadro desde que assumimos e nossa folha não é tão pesada. Amanhã iremos pagar o salário integral, como estava na nossa programação e, a partir de abril, iremos tomar medidas para ver o que podemos fazer. Porém tudo dentro da legalidade, obedecendo a CLT”, garantiu Bezerra.

Algumas medidas propostas por dirigentes dos clubes das Séries A e B, como a antecipação do período de férias para os atletas, não conseguem alcançar o clube potiguar, que montou um elenco completamento novo e cuja maior parte dos seus atletas estão no clube há três meses.

“A FENAPAF está para se posicionar em relação aos atletas, nós não temos férias para antecipar, e devemos seguir para realizar o pagamento dos salários baseado somente no valor registrado na carteira de trabalho de cada um. A lei permite ao clube diminuir a carga horária dos funcionários, entre os quais os atletas, e reduzir o vencimento em até 25%. Essa é uma medida que teremos de tomar”, afirmou.

Como vem avançando nas fases da Copa do Brasil e tem recebido boas premiações, o América conseguiu criar um lastro financeiro que faz o clube trabalhar dentro de uma certa tranquilidade, mas cujo empenho ainda está para ser definido e irá depender do agravamento ou não da atual crise.

“O América tem um dinheiro reservado que a gente está resguardando para ver as questões financeiras do futuro. A dúvida era se os recursos seriam investidos na infraestrutura da nossa sede e do CT ou, se não conseguíssemos um bom calendário para o próximo ano, ficando fora da Copa do Nordeste e da Copa do Brasil, por exemplo, guardar esse dinheiro para viabilizar a manutenção do futebol em 2021. Essa é a reserva que temos, mas nenhum clube pode fazer nada de forma impensada, antes das decisões temos de saber se os nossos patrocinadores irão cumprir os acordos que temos assinados, se não irão suspender, quando o futebol irá voltar. Eu particularmente não acredito que o futebol tenha de ficar parado por esses três meses que estão dizendo, prefiro trabalhar com o cenário voltando ao normal entre maio e junho”, destacou o presidente americano.

Leonardo Bezerra disse que prefere se manter confiante e acredita que aos poucos o cenário vai ficando mais claro e que a cura para todo esse mal está próxima. Que como uma fase negra, tudo isso irá passar e as coisas voltarão ao normal o mais breve possível.

ABC
No lado Alvinegro, o presidente Fernando Suassuna está sendo obrigado a tomar medidas drásticas, cuja diretoria classifica como importante para própria sobrevivência do clube neste cenário de crise. Suassuna havia alertado no início da crise do futebol que a agremiação não dispunha de condições de ficar sequer um mês parada, sem arrecadar, e mostrou isso quando optou por dar as contas de 30 funcionários, pagando apenas os dias trabalhados.

Sem conseguir beliscar a cota de R$ 1,5 milhão pagos pela classificação para terceira fase da Copa do Brasil, que proporcionaria ao ABC um fôlego maior para esse período sem futebol, a diretoria ainda viu alguns dos seus principais patrocinadores pedirem a suspensão dos contratos e dos repasses que vinham realizando, aumentando mais ainda o fosso financeiro em que o clube mergulhou com o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

“O clube parou, é uma questão de sobrevivência. Na forma como se encontra, na minha opinião, o ABC deveria demitir todo mundo. Sem arrecadação nós não temos condições de cumprir com os compromissos assumidos, nenhuma empresa paga suas contas desse jeito. O ABC já vinha tentando administrar uma crise financeira, considerada uma das mais severas da sua história e, agora, é atingido por outra maior ainda e tem de parar por completo. O resultado disso é que aqueles patrocinadores deixam logo de pagar o acertado com o clube, a Liga do Nordeste quer esperar encerrar a primeira fase para pagar o restante da cota que deve aos clubes e, com o futebol parado, isso não deve ocorrer tão cedo. A situação é dramática e, se a CBF não ajudar, acredito que muitos clubes serão forçados a fechar suas portas”, destacou o vice-presidente administrativo abecedista, Bira Marques.

A essa altura, sem haver algo para modificar de forma radical o atual quadro, já há quem acredite no ABC na possibilidade de o clube não reunir condições de disputar a Série D do Brasileiro. O vice-presidente é um dos dirigentes que se mostra pessimista em relação a condição do clube conseguir se recuperar da crise em tempo de se reestruturar para tal.

“Eu diria que persistindo esse cenário será praticamente impossível. Não taxo logo como impossível pois de repente pode ocorrer algo que venha salvar tudo. Nós estamos trabalhando para conseguir manter o clube operante, mas essa crise está atingindo todo o mundo. Isso deixa o raio de ação dos clubes na situação igual a nossa bem mais estreito, as empresas estão perdendo até 80% do faturamento dentro do atual cenário”, reforçou Bira Marques.

Ação
Mais uma ação planejada pelo ABC foi adiada. Dessa vez o clube adiou sem definir uma nova data, a inauguração da nova loja conceito alvinegra e o lançamento dos novos uniformes, que passarão a ser produzido pelo próprio ABC. Anteriormente a apresentação estava prevista para ocorrer no dia 31 de março.

Sem arrecadação de qualquer espécie, o ABC perde mais uma chance de tentar fazer dinheiro neste momento de dificuldade com o adiamento do lançamento dos novos uniformes, cuja receita pelas vendas de produtos, será revertida diretamente para o clube.

O treinador Francisco Diá aguarda com expectativa o desenrolar desse momento de crise. Ele sabe que será difícil segurar todos os atletas no elenco, mas também aguarda que o corte de elenco não tenha de ser tão profundo.

"Acertamos na maioria das contratações que realizamos, acho que tivemos um nível de acerto alto, devemos ter errado e, no máximo, dois jogadores apenas. A ideia para Série D seria manter 70 ou 80 por cento desse elenco e trazer mais alguns reforços pontuais. Mas dentro desse cenário que estamos, com.o clube sem arrecadar,  teremos de esperar e torcer para que tudo acabe rápido e bem ", afirmou o treinador abecedista.






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