Comércio demite 2,1 milhões no trimestre encerrado em junho e lidera extinção de vagas

Publicação: 2020-08-07 00:00:00
Rio (AE) - O comércio foi o setor que liderou a extinção de vagas no trimestre encerrado em junho, com 2,137 milhões de demissões em relação ao trimestre terminado em março, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta quinta-feira (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desocupação no Brasil ficou em 13,3% no trimestre encerrado em junho, quando faltou trabalho para um recorde de 31,946 milhões de pessoas. No périodo, o mercado fechou 8,9 milhões de vagas.

Créditos: Adriano AbreuPesquisa mostra que o setor do comércio foi o que mais sofreu os impactos da pandemia do coronavírus que impôs o isolamentoPesquisa mostra que o setor do comércio foi o que mais sofreu os impactos da pandemia do coronavírus que impôs o isolamento


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Na passagem do trimestre terminado em março para o trimestre encerrado em junho, houve demissões também nas atividades de outros serviços (-824 mil ocupados), indústria (-1,117 milhão), alojamento e alimentação (-1,349 milhão), transporte (-529 mil), agricultura, pecuária, produção florestal pesca e aquicultura (-290 mil), construção (-1,057 milhão), serviços domésticos (-1,270 milhão) e informação, comunicação e atividades financeiras (-562 mil).

O único segmento com contratações no período foi o setor de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com 264 mil vagas a mais. Em relação ao patamar de um ano antes, a agricultura perdeu 680 mil trabalhadores. A construção demitiu 1,282 milhão, o comércio dispensou 2,287 milhões. Alojamento e alimentação fechou 1,411 milhão de vagas, e serviços domésticos perderam 1,556 milhão de trabalhadores.

A indústria dispensou 1,260 milhão de funcionários, enquanto o setor de informação, comunicação e atividades financeiras demitiu 445 mil. Transporte perdeu 521 mil vagas, e outros serviços demitiram 871 mil pessoas. Por outro lado, a administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais contratou 338 mil trabalhadores a mais. 

A taxa composta de subutilização da força de trabalho subiu de 24,4% no trimestre até março para 29,1% no trimestre até junho, maior resultado da série. Com isso, a população subutilizada cresceu 15,7% ante o trimestre até março, 4,3 milhões pessoas a mais.

Informalidade
A pandemia do novo coronavírus provocou uma perda generalizada de postos de trabalho no trimestre encerrado em junho, mas os mais impactados ainda são os trabalhadores informais, segundo Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

A taxa de informalidade foi de 36,9% no trimestre até junho, a menor da série histórica iniciada em 2016, com 30,8 milhões pessoas atuando por conta própria ou sem contrato de trabalho. O resultado significa 6,038 milhões de trabalhadores informais a menos em apenas um trimestre, segundo os dados da Pnad Contínua. "A saída do trabalhador informal responde por mais de 70% da queda na ocupação", lembrou Adriana Beringuy.

O País registrou a demissão de 2,385 milhões de pessoas sem carteira de trabalho no setor privado no trimestre encerrado em junho, enquanto outros 2,495 milhões de trabalhadores por conta própria perderam suas ocupações. Mais 2,942 milhões de vagas com carteira assinada no setor privado foram extintas em um trimestre. O total de vagas formais no setor privado desceu a 30,2 milhões, menor patamar da série. Houve uma perda ainda de 429 mil empregadores em um trimestre. Outros 1,257 milhão de trabalhadores domésticos perderam seus empregos no período. Após a queda recorde, o trabalho doméstico caiu ao piso da série, 4,7 milhões de pessoas.