Comércio deverá crescer menos em 2020, diz CNC

Publicação: 2020-01-17 00:00:00
A Confederação Nacional do Comércio de Bens Serviços e Turismo (CNC) reduziu a expectativa de fechamento das vendas no varejo ampliado em 2019 de +4,3% para +4,0%, bem como reavaliou de +5,5% para +5,4% sua expectativa para o ano de 2020. As projeções tiveram como base os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de novembro, divulgada na quarta-feira, 15, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Créditos: Alex RegisEfeito da Black Friday nas vendas de dezembro reduziu avançoEfeito da Black Friday nas vendas de dezembro reduziu avanço
Efeito da Black Friday nas vendas de dezembro reduziu avanço

Restando apenas a divulgação dos dados relativos a dezembro de 2019, observa-se que no ano passado o comércio varejista seguiu trajetória de recuperação, registrando avanço no volume de vendas pelo terceiro ano consecutivo. Contudo, o economista da CNC responsável pela análise, Fabio Bentes, chama a atenção para o fato de que o volume corrente de vendas do varejo se encontra 5,5% abaixo do nível registrado antes da recessão.

“O resultado decepcionante das vendas se alinha, portanto, a outros indicadores conjunturais, recentemente divulgados, como os da indústria e dos serviços, evidenciando a fraqueza do nível de atividade em novembro e reforçando a necessidade de estímulos adicionais à economia ao longo deste ano”, afirma Bentes, que completa: “Some-se a isso o impacto negativo que a inflação do mês de dezembro (+1,15%) – maior taxa para meses de dezembro desde 2002 – provocou sobre o comércio”.

Perda de ritmo
Segundo a PMC, o volume de vendas dos dez segmentos que integram o comércio varejista no conceito ampliado encolheu 0,5% em relação a outubro, já descontados os efeitos sazonais. O resultado interrompeu uma sequência de oito meses consecutivos de variações positivas nas vendas e foi o pior desempenho para meses de novembro desde 2016. No acumulado do ano de 2019 até novembro, o varejo ampliado acusou alta de 3,8%. Já no varejo restrito – que exclui os ramos automotivo e de materiais construção –, apesar da sétima alta seguida, o resultado de novembro (+0,6%) também ficou aquém do observado no fim de 2018 (+3,1%).

Quatro dos dez segmentos pesquisados revelaram taxas negativas em novembro. Os destaques ficaram por conta dos ramos de livrarias e papelarias (-4,7%), veículos, motos, partes e peças (-1,0%) e combustíveis e lubrificantes (-0,3%). Por outro lado, sobressaíram as taxas positivas nos segmentos de artigos farmacêuticos e de perfumaria (+4,1%), informática e comunicação (+2,8%) e artigos de uso pessoal e doméstico (+1,0%). Pesou, nesses dois últimos casos, o efeito das vendas durante a Black Friday.