Comércio e serviços têm impacto

Publicação: 2020-03-18 00:00:00
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Mariana Ceci
Repórter

Comércio, serviços e eventos de Natal já começaram a sofrer os impactos causados pela pandemia do Coronavírus. Desde a última sexta-feira (13), grandes eventos foram cancelados na cidade, e os salões dos restaurantes e bares tiveram movimentação reduzida. No setor hoteleiro, apesar de não haver um balanço dos cancelamentos de reservas já realizados, as perspectivas para os meses de abril e maio são “desanimadoras”, e vão demandar diálogo com Prefeitura e Estado para garantir a sobrevivência do setor, de acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), José Odécio Júnior.

Créditos: Adriano AbreuA necessidade de confinamento das pessoas em casa deve afetar o comércio nos próximos diasA necessidade de confinamento das pessoas em casa deve afetar o comércio nos próximos dias


O Brasil tem 234 casos confirmados de Coronavírus, um deles no Rio Grande do Norte. De acordo com o representante da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Fernando Popó, apesar do Estado ainda não ter muitos casos registrados, o setor pretende seguir as orientações do Ministério da Saúde para evitar o contágio. "Não estamos diretamente dentro do foco, mas estamos na rede, então vamos tomar as mesmas precauções que o resto do Brasil está tomando. Não é um momento para se esquivar", diz Fernando.

A Associação esteve reunida com o Governo do Estado na última segunda-feira (16), para discutir medidas como distância entre mesas, higienização do ambiente e disponibilização de álcool em gel e sabonete para clientes e funcionários. “Como todo mundo está sendo orientado a ficar em casa nos próximos dias, vamos intensificar as campanhas por delivery e, para esses funcionários, vamos reforçar as boas práticas que ajudam a prevenir o contágio”, afirma. As medidas, no entanto, são consideradas “preventivas” pela Associação e, até o momento, bares e restaurantes fecharam por causa da doença.

Se o setor de restaurantes está confiando nos serviços de entrega para continuar a ter receita durante a crise, para o setor hoteleiro, a situação é mais delicada. O presidente da Abih, José Odécio Júnior, disse à reportagem que os hotéis ainda possuem reservas para o mês de março, mas que a situação deve se agravar nos próximos meses, e vai demandar ações conjuntas com o Poder Público para evitar a perda de empregos no setor.

“Ainda estamos conseguindo segurar um pouco o mês de março, porque as pessoas fizeram reservas com antecedência, e ainda não há perspectiva de isolamento absoluto. Entretanto, as perspectivas para abril e maio não são animadoras, frente às medidas que deverão ser tomadas mais para frente”, afirma José Odécio.

De acordo com ele, apesar de não haver, ainda, um balanço dos cancelamentos, dado o que está sendo observado para o setor turístico em diversas cidades do Brasil e do mundo que estão sendo afetadas pelo Coronavírus, o setor se prepara para o pior. "O setor não vai ter condição de se sustentar se não forem tomadas medidas governamentais em todas as instâncias para superar essa fase. Os custos pesam muito: energia elétrica, água, ICMS, salários. Não temos como pagar isso se não há receitas", afirma.

O presidente da Fecomércio, Marcelo Queiroz, afirma que a entidade está "acompanhando de perto a questão da redução do movimento do comércio, dos serviços e do turismo no Rio Grande do Norte", e que tem conversado com empresários a fim de passar orientações. "Nossa orientação é que os estabelecimentos tomem medidas individuais como, por exemplo, no caso dos restaurantes, afastar as mesas para garantir distanciamento entre os clientes ou, no caso das lojas, manter as dependências, incluindo portas e maçanetas, higienizadas", destaca.

O presidente da Fecomércio ressalta que outra medida que está sendo adotada por alguns empresários é de gerenciar suas equipes de funcionários, antecipando férias ou criando bancos de horas para revezamento de turmas, a fim de ajudar a reduzir na circulação de pessoas.

Na última segunda-feira (16), o Governo Federal anunciou medidas para reduzir os efeitos econômicos da pandemia no país. De acordo com a União, R$ 147,3 bilhões serão gastos em medidas emergenciais para socorrer os setores e grupos populacionais mais vulneráveis à crise. Um dos principais objetivos é tentar evitar a alta do desemprego, temida especialmente por setores como o turismo. "Somos o maior gerador de trabalho e renda do estado e não podemos parar. Se pararmos, a economia para conosco", afirma Marcelo Queiroz.

Na tarde desta terça-feira (17), na Governadoria, uma reunião entre o Poder Executivo e membros do setor produtivo, como Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/Natal), Fiern, Abih, Fecomercio, entre outras.

“O que ficou definido é para melhorarmos a parte sanitária, instruir colaboradores, tentar mudar horários de funcionamento para que os funcionários possam pegar ônibus em horários de menor pico. Manter as lojas higienizadas. Vamos tomar atitudes para ter menos risco possível, tanto para os colaboradores quanto para os nossos clientes”, disse José Lucena, presidente da CDL/Natal.

Centro de Convenções
Outro local que reúne grandes eventos de Natal, o Centro de Convenções, também terá alterações na programação para evitar a disseminação do vírus. De acordo com representantes do Centro, todas as atividades que serão realizados pelos próximos 60 dias vão seguir o decreto do Governo do Estado que recomenda a remarcação de eventos com mais de 100 pessoas.

O primeiro evento que teve o adiamento confirmado pelos organizadores foi a 6ª Feira dos Municípios e Produtos Turísticos do RN (Femptur), que estava programada para acontecer nos dias 23 e 24 de março no Centro de Convenções. De acordo com o site do Centro, apenas um evento está agendado para o mês de abril, o Encontro Nacional das Bronzeadoras. Até o momento, não há informações sobre um possível adiamento.







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