Comércio exterior pode piorar, diz FGV

Publicação: 2019-08-20 00:00:00 | Comentários: 0
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O resultado da balança comercial brasileira de julho confirmou a piora do comércio exterior para o Brasil, registrando queda em todos os itens exportados na comparação com julho 2018, uma redução média de 7,2%, com destaque para os bens de capital, em baixa de 48,9%. As importações também estão em queda, de 1%, refletindo a fraqueza da economia interna, conforme informa o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta segunda-feira, 19, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) referente ao mês de julho.

Saldo da balança comercial de julho mostrou piora nas vendas do Brasil ao mercado internacional
Saldo da balança comercial de julho mostrou piora nas vendas do Brasil ao mercado internacional

O Icomex analisa os resultados dos fluxos comerciais a partir dos índices de preços e volume. Na comparação do acumulado até julho, os preços caem nas exportações e nas importações e, no volume, a queda nas importações (1,9%) é maior do que nas exportações (0,5%).

“O que ressalta desse quadro é uma tendência de queda nas exportações que reflete as condições do comércio mundial e um recuo das importações associado ao baixo nível de atividade da economia brasileira", explica a FGV em nota.

Na comparação mensal, o volume das commodities recuou 9,7% em relação há um ano e das não commodities teve queda de 3,4%. Já a comparação dos primeiros sete meses de 2018 e 2019 mostra que o volume exportado das commodities aumentou 4,5% e o das não commodities recuou 5,2%.

No caso dos preços, o resultado seja na comparação mensal ou no acumulado até julho registrou queda. Observa-se que na comparação mensal, a queda nos preços foi puxada pelos produtos agrícolas e petróleo, pois o minério de ferro, segundo principal produto exportado, registrou aumento de 48%.

Os volumes exportados da agropecuária registraram aumento de 6,7% em julho, após queda na comparação mensal de maio e junho entre os anos de 2018 e 2019. As vendas da indústria extrativa caíram puxadas pelo recuo em 41% do petróleo e derivados.

“O efeito China afeta de forma negativa as exportações da indústria extrativa, mas a crise na oferta de carne suína favorece as exportações da agropecuária", informa a FGV.

Segundo a análise, os índices de volume por categoria de uso da indústria de transformação mostram a volta do efeito das operações com as plataformas de petróleo. Na comparação entre julho de 2018 e 2019, o volume exportado da indústria caiu 1,6%, mas sem as plataformas houve um aumento de 9,5%. Os dados das exportações de bens de capital explicam esse resultado - com plataformas, queda de 49,1%, e, sem plataformas aumento de 7,2%.

Exportações de plataformas em julho de 2018 e sua redução em julho de 2019 explicam o resultado. Logo, sem as plataformas, a indústria de transformação teria liderado o resultado de julho nas exportações, superando a agropecuária.

Os bens duráveis tiveram alta de 3,2% nas exportações, depois de terem registrado uma trajetória de queda nas comparações mensais desde maio de 2018.

“Os resultados acumulados até julho mostram que para a indústria de transformação há uma piora no desempenho exportador e que as importações cresceram, mas com um porcentual abaixo de 5%. Não é indicativo de uma forte recuperação da indústria", avalia a FGV.

A FGV diz que a taxa de câmbio real efetiva mostrou uma leve reversão na tendência à desvalorização no mês de junho, que continuou no mês de julho.




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