Comércio reabre para 1,5 milhão de habitantes do RN

Publicação: 2020-07-11 00:00:00
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Luiz Henrique Gomes
Repórter

Aproximadamente 1,5 milhão de habitantes do Rio Grande do Norte estão em cidades que reabriram gradualmente as atividades econômicas ao longo desta semana. Os municípios que concentram os maiores contingentes dessa parcela da população que pode acessar o comércio e alguns tipos de serviços são Natal, Mossoró e Parnamirim, coincidentemente as três maiores cidades do Estado. Segundo um levantamento feito pelo Governo do Estado, 23 Prefeituras não seguiram as recomendações de adiar para o dia 14 a segunda fração da reabertura. O número de pessoas em cidades com decretos mais flexíveis corresponde a cerca de 45% da população do RN, estimada em 3,5 milhões de pessoas em 2019, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Créditos: Alex RégisEm Natal, lojas do Alecrim e da Cidade Alta reabriram ao longo desta semana, dentro dos critérios impostos pela Prefeitura do Natal em decreto publicado no DOMEm Natal, lojas do Alecrim e da Cidade Alta reabriram ao longo desta semana, dentro dos critérios impostos pela Prefeitura do Natal em decreto publicado no DOM


Somente Natal, Mossoró e Parnamirim somam 1.442.969 habitantes, mas a segunda fração também foi adotada por cidades como Caicó, que possui 67,9 mil habitantes; São José do Mipibu, com 43,1 mil habitantes; e Santa Cruz, com 39,5 mil habitantes. Essas cidades publicaram decretos municipais ao longo da semana com a liberação de serviços não essenciais.

Nesta sexta-feira, 10, a governadora Fátima Bezerra afirmou que a adesão às recomendações do governo estadual foi adotada “pela maioria esmagadora” das cidades do Rio Grande do Norte e citou a região metropolitana de Natal como referência. Com exceção de Natal e Parnamirim, os municípios de Macaíba, Extremoz, São Gonçalo do Amarante e Ceará-Mirim adiaram a abertura da segunda fração para o dia 14 de julho.

“Quero parabenizar a maioria esmagadora das cidades que seguiu as recomendações do Estado e dão prosseguimento ao Pacto Pela Vida. Nossa decisão foi baseada na ciência, nos dados observados pelo nosso Comitê Científico, e com muita responsabilidade. Nós aqui temos agido com cautela, com prudência, nos baseando no que as nossas autoridades sanitárias recomendam porque não queremos retrocessos”, declarou a governadora em coletiva virtual de imprensa. 

A segunda fração estimada pelo governo estadual libera os serviços de restaurantes de até 300 metros quadrados e lojas de diversos segmentos comerciais com 600 metros quadrados com porta para rua. No entanto, alguns municípios foram além. Natal, por exemplo, liberou o funcionamento de templos religiosos. Parnamirim também liberou os templos religiosos e nesta sexta-feira autorizou o funcionamento dos bares com capacidade máxima reduzida em 50%.

Ação Civil Pública
Na quinta-feira, 9, procuradores e promotores do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (MPRN), Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público do Trabalho (MPT) entraram com uma ação civil pública contra a Prefeitura do Natal para impedir a fração 2 da retomada econômica da capital. A ação inclui um pedido liminar e cobra que sejam retomadas as medidas de isolamento social vigentes até 29 de junho, só devendo à Prefeitura  do Natal adotar o chamado Plano de Retomada Gradual da Atividade Econômica quando forem observados os seguintes critérios: ocupação abaixo de 70% dos leitos de UTI dedicados ao tratamento da Covid-19 e taxa de transmissibilidade (média de pessoas infectadas por quem possui o vírus) inferior a 1 e se mantendo em queda sustentada.

Para o Estado, a abertura está prevista para o dia 14, mas depende da situação da ocupação de leitos críticos específicos para o tratamento das covid-19 e taxa de transmissão. Mesmo que se inicie a segunda fração, o governo afirma que pode voltar atrás caso identifique um ‘efeito rebote’, com novo aumento de casos e internações. 

“Se viermos a ter um aumento da taxa de transmissibilidade poderemos ter sim uma medida de prevenção. Se a taxa de transmissão se aproxima de dois, você tem um gatilho para voltar atrás. Ao mesmo tempo, a ocupação dos leitos, se chegar a 80% é um outro gatilho. Se tem um aumento é importante você voltar a tomar medidas restritivas”, declarou o secretário estadual de Saúde, Cipriano Maia, nesta sexta-feira.

Estado mantém data de reabertura 
Com ocupação dos leitos críticos da rede pública para covid-19 em 85,7%, a governadora Fátima Bezerra afirmou nesta sexta-feira, 10, que mantém o início da segunda fração da reabertura gradual da economia na próxima quarta-feira, 15. A governadora descartou antecipar a data mesmo se a taxa de ocupação alcançar 80% antes da quarta-feira e disse que a perspectiva da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) é que não haja um novo aumento no número de internados, que pode causar adiamento.

Créditos: Fabiano TrindadeFátima e Antenor Roberto participaram de coletiva de imprensa virtual nesta sexta-feira, 10Fátima e Antenor Roberto participaram de coletiva de imprensa virtual nesta sexta-feira, 10


Nesta sexta-feira, o Estado chegou a 1.356 pessoas mortas em decorrência da covid-19 e 38.261 infectados. O número de suspeitos alcançou 51.096 pessoas, e está atrelado, de acordo com o secretário estadual de Saúde, Cipriano Maia, ao período de maior ocorrência de doenças respiratórias. “Estamos em um período mais propício a doenças respiratórias, mas como estamos na pandemia da covid-19, todas autoridades de saúde estão em alerta para qualquer pessoa que apresente sintomas gripais”, disse.

Segundo a governadora Fátima Bezerra, a reabertura “requer muita segurança e responsabilidade” e que o período até o dia 14 vai ter o foco de abertura de mais leitos. Presente na coletiva de imprensa diária da Sesap, ela afirmou que “quem agiu de forma precipitada, desrespeitando as recomendações das autoridades sanitárias, relaxando antes da hora as medidas de prevenção e combate à covid-19 teve que voltar atrás, com perdas humanas e perdas econômicas.”

As perspectivas de ocupação para a próxima quarta-feira são otimistas, segundo o governo, porque desde o início desta semana a ocupação cai. Nesta sexta-feira, o percentual de leitos críticos (que incluem leitos de UTI e semi intensivos, com respiradores) ocupados é de 85,7%. Até às 16h, a rede pública possuía 38 leitos disponíveis, 228 ocupados e 8 bloqueados. É a ocupação mais baixa alcançada desde maio, quando a rede alcançou 100% de ocupação pela primeira vez.

A ocupação varia de acordo com as regiões do Estado. A região metropolitana de Natal alcançou 85,6% de ocupação nesta sexta-feira. As ocupações mais altas são no Oeste e no Seridó, com taxas de 90,6% e 93,3%, respectivamente. Na região do Alto Oeste, a ocupação é mais baixa, 40%.

 Na coletiva desta quinta-feira, 9, o secretário adjunto de Saúde do Estado, Petrônio Spinelli, havia chamado atenção para o aumento da ocupação nas regiões do Oeste e no Seridó, que contrariam as perspectivas do Estado porque a região não possui, por exemplo, pessoas em estado grave na fila de espera por leito crítico.