Comércio varejista do RN se recupera e cresce 7,5 por cento

Publicação: 2019-01-27 00:00:00
Ricardo Araújo
Editor de Economia

Após anos amargando quedas que se aproximaram dos 10%, o comércio varejista no Rio Grande do Norte encerrou o ano de 2018 com o maior crescimento no índice de volume de vendas desde 2013. No acumulado de janeiro a novembro do ano passado, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a variação foi registrada em +7,5%. Isso coloca o Estado na primeira posição entre os Estados nordestinos no período. O percentual é, ainda, superior ao acumulado pelo Brasil no mesmo período: +2,5%. Tais índices deverão sofrer alterações leves quando da inclusão dos dados vendas de dezembro, segundo o IBGE.

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“A gente vem de uma base ruim, de 2015 a 2017, com resultados negativos e pouco significativos. O ano de 2016 foi muito difícil. Em 2017, ficou mais simples crescer e o crescimento foi de 1,1%. Em 2018, a recuperação é mais robusta”, analisa o supervisor de Disseminação de Informações do IBGE no RN, Flávio Queiroz. Conforme dados do Instituto, até 2017, o último ano com crescimento positivo no índice de volume de vendas do comércio potiguar foi em 2017, com superávit de +3,3%. Tal percentual, porém, já não foi tão robusto quanto o registrado no ano anterior, +9,7%.

Nos anos após a realização da Copa do Mundo no Brasil, início da mais severa recessão na economia nacional na história moderna do país, entre 2015 e 2016, a atividade do comércio varejista no Rio Grande do Norte apresentou quedas significativas: -3,2% em 2015 e -9,4% no ano seguinte. Os dados são referentes ao acumulado entre os meses de janeiro e novembro de cada ano citado. No Brasil, o comércio recuou -4% em 2015 e -6,4% em 2016. Em 2017, cresceu +1,9% e, no ano passado, nos 11 meses em referência, avançou 2,5%.

Nesses anos, o número de desempregados foi recorde no Estado e um dos mais altos do país. O ano de 2016 foi encerrado com 225 mil pessoas fora do mercado de trabalho. O número subiu para 250 no primeiro trimestre de 2017 e só começou a recuar, de forma vagarosa e oscilatória, no final do ano. Em 2018, voltou a subir para 227 mil desempregados no fim do primeiro trimestre e encerrou o terceiro com 202 mil cidadãos sem ocupação formal.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL Natal), Augusto Vaz, avalia que os números locais estão relacionados à dinâmica da macroeconomia nacional. “Um ponto que é necessário relevar, é que o Rio Grande do Norte apresentou resultados razoavelmente complicados especialmente no início de 2017. Quando a gente fala que houve um crescimento um pouco acima da média nacional a gente sempre compara com o ano anterior. Então, talvez o Brasil não tenha sofrido tanto quanto o Rio Grande do Norte em 2017 e aí o Rio Grande do Norte, em 2018, consegue recuperar o que perdeu no ano anterior”, destaca.

Questionado se era o percentual aguardado pelos empresários, Augusto Vaz destaca que o ano surpreendeu no sentido das vendas terem crescido mesmo diante de adversidades como o não pagamento em dia do funcionalismo público, cuja massa de rendimento é uma das mais importantes molas propulsoras da economia local. “Na realidade, é um percentual acima do que a gente esperava. A gente esperava crescimento ao redor de 5% a 6%. Mas lembrando desse contexto que a gente teve um ano de 2017 muito ruim, então esse resultado é sim importante, positivo. Mas, é sempre em relação ao ano anterior, e ele acaba refletindo uma recuperação da economia e não um super resultado”.

Flávio Queiroz, do IBGE, destaca que o resultado poderia ser ainda melhor caso o Governo do Estado não tivesse atrasado o pagamento dos servidores. “O crescimento poderia ter sido maior se o pagamento dos servidores tivesse ocorrido em dia. A expectativa de consumo foi afetada no Estado por causa da possibilidade de não pagamento em dia dos salários”, declara.

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