Comando da PM no Estado desconhecia operação na Paraíba

Publicação: 2019-10-31 00:00:00
A+ A-
Os três policiais militares do Rio Grande do Norte envolvidos na morte do Cabo Edmo Lima Tavares, de 36 anos, na zona rural da cidade de Tacima, na Paraíba, foram afastados das atividades e um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado para apurar as circunstâncias do caso. O Coronel Alarico Azevedo, comandante da PM no RN, disse que não sabia da operação e que a atividade não  foi comunicada a PM da Paraíba, como deveria ser feito normalmente. O Coronel Euler Chaves, comandante da PM-PB, disse que os policiais estavam encapuzados.

Créditos: Adriano AbreuO Coronel Alarico Azevedo, comandante da PM no RN, disse que não sabia da operação e que a PM da Paraíba não foi comunicadaO Coronel Alarico Azevedo, comandante da PM no RN, disse que não sabia da operação e que a PM da Paraíba não foi comunicada
O Coronel Alarico Azevedo, comandante da PM no RN, disse que não sabia da operação e que a PM da Paraíba não foi comunicada

“Independente de ser do serviço de inteligência ou ostensivo, todo deslocamento de um Estado para outro é feito um contato entre os comandantes gerais, como já fizemos anteriormente em várias outras ocorrências e operações. Não tive conhecimento por isso não mantive contato com o coronel Euler informando dessa operação, pedindo a autorização e um trabalho conjunto. Ele não tinha esse conhecimento”, disse o Coronel em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (30), na sede do Comando Geral da PMRN.

Os policiais militares foram até à Paraíba, à paisana, com o intuito de cumprir um mandado de justiça. Na ação, eles acabaram trocando tiros com um policial paraibano, de folga, que teria confundido os potiguares com bandidos. Ele foi atingido, levado a uma unidade de saúde, mas não resistiu.

“A princípio ferem o protocolo nacional de inteligência porque não estabeleceram a comunicação via canal técnico, via inteligência da Paraíba. A partir daí nossa inteligência buscaria apoio de policiamento ostensivo para cumprimento dos mandados de prisão. Eles agiram à paisana, usando toucas balaclava, que não estabelece comunicação”, disse o Coronel Euller Chaves, comandante da Polícia Militar da Paraíba a uma emissora de TV local.

Os três agentes do RN eram do setor de inteligência do 8º Batalhão da PM, situado em Nova Cruz, Agreste potiguar. De acordo com o Coronel Alarico, as armas deles já foram recolhidas para perícia e os profissionais vão prestar serviços em outro setor, ficando a disposição do presidente do inquérito.

“O inquérito vai apurar se houve transgressão disciplinar ou um cometimento de um crime”, disse o Coronel Alarico. O prazo para apuração do inquérito é de 40 dias, podendo ser prorrogado por mais 20.

O Cabo Edmo estava de folga vendendo cestas básicas em uma caminhonete quando viu uma os três potiguares armados supostamente em uma perseguição ao foragido.  Por estarem à paisana, o paraibano confundiu os potiguares com bandidos e abriu fogo, quando houve o revide por parte dos policiais do Rio Grande do Norte. Ao todo, pelo menos quatro disparos foram efetuados contra o paraibano, que foi atingido nas costas, perna e queixo.

O policial paraibano ainda foi levado até unidade de saúde na região, mas não resistiu e morreu. Lá, os policiais do Rio Grande do Norte receberam a confirmação de que o homem era policial. Então, foram encaminhados à Delegacia de Solânea, onde foram ouvidos e, em seguida, retornaram ao Rio Grande do Norte.

Apesar de várias informações chegarem sobre o caso, o comandante da PM do RN preferiu não dar detalhes porque só se saberia a veracidade dos fatos após a apuração.

“Toda e qualquer informação é muito importante para que o presidente do inquérito faça um inquérito e se eu disser qualquer coisa agora eu seria irresponsável. Temos 40 dias para concluir o inquérito, com possibilidade de prorrogação por mais 20 dias e depois disso falaremos o resultado à imprensa", disse o Coronel Alarico Azevedo.

O enterro do Cabo Edmo está previsto para esta quinta-feira (30), às 9h, em Campina Grande. Ele estava na Polícia Militar há dez anos e deixa duas filhas.







Deixe seu comentário!

Comentários