Comissão de delegados vai investigar chacina da Vila Pará

Publicação: 2017-05-20 00:00:00 | Comentários: 0
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Marcelo Filho e Júlio Pinheiro
Repórter e Editor TN Online

Uma comissão especial de delegados da Polícia Civil do Rio do Grande vai investigar os seis homicídios, de uma mulher e cinco homens, ocorridos na noite da última terça-feira (17), na comunidade Vila Pará, zona rural do município de cidade de Serra do Mel,  no Oeste potiguar, distante cerca de 250 km de Natal. A informação foi divulgada ontem (9). Até o momento, ainda não há pistas sobre os autores da chacina.

Na noite da terça-feira (17), cinco homens e uma mulher foram assassinados no povoado Vila Pará
Na noite da terça-feira (17), cinco homens e uma mulher foram assassinados no povoado Vila Pará

A comissão é formada pelo delegado Antonio Caetano Baumann de Azevedo, titular da 2a. Delegacia de Polícia Civil de Mossoró; pelo delegado Rafael Gomes Arraes de Alencar, titular da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Mossoró e pelo delegado Renato da Silva Oliveira, da  Divisão de Polícia do Oeste (DIVIPOE). Ela foi criada após solicitação de apoio feita pelo delegado Caetano Baumann à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa de Mossoró (DHPP).

O delegado ressalta que isso não é garantia de que o caso será elucidado. “Nesse tipo de caso, não há como se prever. Podemos resolver em poucos dias, podemos levar meses ou pode até não se chegar aos autores. Vamos formar a força-tarefa e trabalhar para chegar aos criminosos", garantiu. A comissão terá 30 dias para concluir o inquérito.

Na última quinta-feira (18), um dos sobreviventes à chacina Manoel Bento Ferreira Filho, de 30 anos, o 'Manoel Gago', se apresentou à polícia e confirmou que poderia ser o alvo dos bandidos, que mataram seis pessoas com tiros na cabeça. No dia anterior, o delegado Caetano Baumann havia adiantado que as seis pessoas executadas não tinham envolvimento com crimes, que teriam sido mortas por engano e que, de acordo com informações preliminares, o principal alvo dos atiradores seria Manoel "Gago", suspeito de integrar um bando responsável por arrastões em residências da região. "O Manoel fazia parte de uma quadrilha que atuava em Serra do Mel, na prática de assaltos e arrastões em residências da região. Isso causava grande revolta aos moradores. Ao que tudo indica, quiseram fazer justiça com as próprias mãos", afirma o delegado.

Ao se apresentar, Gago confessou outros crimes e pediu para ficar preso – solicitação que não foi atendida. "Ele diz que a morte dele é questão de tempo", disse o delegado da 2ª DP de Mossoró, Caetano Baumann, responsável pela investigação do caso. Gago afirmou que já cometeu crimes, como furtos e assaltos. Segundo ele, várias pessoas já o ameaçaram de morte e acredita que o alvo principal dos criminosos era ele.

De acordo com o delegado, no entanto, o depoimento do sobrevivente não deu elementos suficientes para garantir que a chacina ocorreu motivada pela presença dele na cena do crime. “Ele sabe que era alvo de algumas pessoas e disse que desconfia que as execuções ocorreram por causa dele, por isso queria ficar preso na delegacia para não ser morto. Mas ele não trouxe nada de muito concreto. É muita gente que ele mexeu, por isso não temos como confirmar quem pode ter cometido o crime", disse o delegado.

Apesar da declaração de que o sobrevivente seria a causa da matança, o delegado afirmou que havia uma desproporção grande entre o fato e a possível reação de algumas pessoas que ele citou durante o depoimento. “O furto de uma moto, um assalto sem violência... Foram crimes que ele disse ter cometido, mas existe uma desproporção muito grande para uma reação desse modo. A chacina pode ter sido causada por uma coisa mais grave, uma mágoa grande de alguma pessoa ou algum grupo com quem ele mexeu", analisou o delegado.

Mesmo com a confissão de crimes por parte do sobrevivente, o delegado Baumann explicou que não tinha como mantê-lo preso porque não houve flagrante ou mandado de prisão, além de justificar que não havia investigação em curso sobre o depoente. "Nesse caso, ele é vítima. Deveremos investigá-lo posteriormente", explicou Baumann, afirmando ainda que não pôde garantir segurança policial ao sobrevivente e que a vítima está escondido por conta própria.

Sobre as vítimas, o delegado reafirmou que elas, de fato, não pareciam ser os alvos do crime. Porém, ele ponderou que era de conhecimento de todos que a casa em que eles estavam era um local onde havia costumeiramente consumo de drogas, prostituição e noitadas. "Era um local de má reputação, para se dizer assim".

Memória da chacina da Vila Pará

O caso

Por volta das 21h de terça, um grupo de oito pessoas, entre elas, dois adolescentes de 15 e 16 anos, participavam de uma pequena confraternização em uma casa na Vila Pará. Quatro homens, encapuzados, teriam descido em um veículo distante do local e se dirigiram aos fundos do imóvel. Em seguida, dispararam contra um poste de iluminação, arrombaram a porta e ordenaram que todos saíssem do local e deitassem no chão, quando foram mortos à tiros. Neste momento, Manoel 'Gago', apontado como o principal alvo dos atiradores, conseguiu fugir sem que fosse notado. Ainda não se sabe a quem pertencia o imóvel. Porém, há a suspeita de que o local era utilizado pelo bando o qual Manoel fazia parte. Essa seria uma das indicações que os atiradores possuíam para se dirigir até o local e executar o crime.

As vítimas
Os mortos foram identificados como Anderson Damião Lopes Firino, 19 anos, Diogo João de Lima, 19 anos, Edileusa de Jesus Santos, 19 anos, Felipe Ferreira de Lima, 18 anos, Francisco Luigi Paulo da Silva, 15 anos, e José Orlando da Silva, 32 anos. Um adolescente de 16 anos  também sobreviveu à matança, mesmo após receber disparos na mão e clavícula. Ainda conforme o titular da 2ª DP de Mossoró, o jovem é de Natal, onde ajudava a mãe com venda de doces em paradas de ônibus, e estava em Serra do Mel para trabalhar com torragem de castanha, à convite do colega Felipe Ferreira de Lima, morto na chacina. "Fazia três semanas que o adolescente estava aqui. Ele advertiu Felipe várias vezes para que não se aproximasse de Manoel. O colega, mesmo assim, insistiu para que fosse ao jantar nessa casa", disse o delegado.


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