Comitê científico sugere adiar início de nova etapa de retomada econômica no RN

Publicação: 2020-07-27 12:18:00
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O Comitê Científico de Enfrentamento à Covid-19 no Rio Grande do Norte emitiu parecer afirmando que não é possível iniciar a 1ª etapa da 3ª fase de abertura do setor econômico no estado, prevista para a quarta-feira (29). Segundo o relatório apresentado, a situação atual não dá segurança de ordem sanitária e de saúde para a retomada.
Créditos: Adriano AbreuFase 3 prevê abertura de diversos estabelecimentos, inclusive baresFase 3 prevê abertura de diversos estabelecimentos, inclusive bares

Está previsto para a quarta-feira o início da fase 3, com a liberação para os serviços de alimentação com tamanho superior a 300 metros quadrados (restaurantes e food parks), além de bares e barracas de praia. No entanto, o comitê diz que ainda não é seguro o retorno.

Levando em consideração a média de ocupação dos leitos entre os dias 19 e 24 de julho, o comitê observou uma média superior a 80%. Apesar da ocupação estar inferior a 70% nesta segunda-feira, o parecer, que é do dia 26 de julho, sugere que não havia folga para a retomada econômica prevista na fase 3.

De acordo com o pesquisador Ricardo Valentim, participante do grupo, as recentes de aglomerações podem ter um efeito negativo na situação epidemiológica do Rio Grande do Norte e, por isso, seria mais prudente adiar para observar as consequências. Segundo Ricardo Valentim, as aglomerações recentes, observadas em praias como Ponta Negra, Tibau e Pipa, mostram que existe uma sensação de que a pandemia já acabou e a abertura de bares nesta quarta-feira reforçaria ainda mais essa sensação.

"A gente está percebendo que as aglomerações nesse processo de retomada está muito associada a questão da bebida alcoólica. O comitê entende que seria mais prudente adiar por uma semana, mas essa é uma decisão que cabe ao Estado", disse Valentim nesta segunda-feira, 27, durante a entrevista coletiva diária da Sesap.

De acordo com o relatório publicado pelo comitê, "é seguro afirmar que não há uma folga expressiva quanto a disponibilidade de leitos críticos, principalmente em virtude do processo de retomada gradual, o que poderá implicar em mais demandas assistenciais".

"Aparentemente, os resultados apresentam-se como bons quando se trata da redução na pressão por leitos de UTI covid-19, todavia, este é um momento de muita cautela, prudência e monitoramento contínuo. Neste momento, 26 de julho de 2020 a taxa de ocupação de leitos críticos para covid-19 está abaixo de 80% em todas as regiões, todavia também é preocupante a variação nas taxas de transmissibilidade, fator que poderá implicar em mudanças neste quadro que atualmente está aparentemente mais 'confortável' no âmbito assistencial, por isso faz-se necessário o monitoramento deste indicador até que o mesmo se apresente como sustentável por pelo menos mais 7 ou 14 dias", opinou o comitê.

Além de sugerir que não seja iniciada a fase 3 e ocorra o adiamento por sete dias, o comitê também sugeriu manter um intervalo de 15 dias entres fases, a fim de que se possa avaliar o impacto das aberturas anteriores com melhor qualidade e mais segurança.

O parecer do comitê científico, no entanto, tem valor consultivo e cabe ao Governo do Estado definir se acata ou não a indicação do grupo formado por especialistas. Até o momento, o Executivo não se pronunciou sobre a recomendação.