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Economia
Comitê da Petrobras analisa nesta sexta indicação de Paes de Andrade
Publicado: 00:01:00 - 23/06/2022 Atualizado: 23:11:47 - 22/06/2022
O Comitê de Elegibilidade (Celeg) da Petrobras se reunirá na tarde desta sexta-feira (24), para iniciar a análise da indicação de Caio Paes de Andrade para comandar a estatal. O comitê recebeu a documentação na última terça-feira (21) por volta das 15h, segundo confirmação da Petrobras. O envio ocorreu um dia após José Mauro Ferreira Coelho renunciar ao cargo de presidente da estatal. Como o comitê é consultivo, mesmo que seja reprovado, a indicação segue para avaliação do conselho de administração.

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Petrobras terá seu quarto presidente no governo Bolsonaro. Tramite para definição do nome deve ser concluído nos próximos dias

Petrobras terá seu quarto presidente no governo Bolsonaro. Tramite para definição do nome deve ser concluído nos próximos dias


O Comitê de Elegibilidade é composto pelos membros do conselho de administração e do Comitê de Pessoas (Cope), Francisco Petros e Luiz Henrique Caroli, e pelos membros externos do Cope, Ana Silvia Matte e Tales Bronzato. Além disso, o conselheiro de administração Marcelo Mesquita, eleito pelos acionistas minoritários detentores de ações preferenciais, foi convidado para a reunião.

Paes de Andrade é o atual secretário de Desburocratização do Ministério da Economia e foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro no fim de maio para assumir a presidência da estatal. Se aprovado, ele será o quarto executivo a comandar a empresa no governo Bolsonaro. 

Na segunda-feira (20), José Mauro Coelho renunciou à presidência da Petrobras e abriu caminho para que o governo agilize a entrada de Paes de Andrade no cargo. Mesmo assim, ainda restam algumas etapas a serem cumpridas até que a mudança se concretize. Seu nome precisa ser avaliado pelo Comitê de Elegibilidade e, depois, aprovado pelo conselho de administração, que conta com membros indicados pelo governo. 

Paes de Andrade entraria no conselho de administração no lugar de Coelho e ficaria como presidente interino até ser ratificado em Assembleia Geral Ordinária (AGO), em abril de 2023, que já está marcada, ou, antes disso, em uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE), que ainda precisa que ser convocada.

O próximo presidente da Petrobras, Caio Paes de Andrade, não terá a caneta em mãos para segurar novos reajustes. Para ter sucesso em postergar aumentos para depois das eleições como espera o governo, terá de convencer os membros da atual diretoria ou esperar uma renovação completa dos indicados do governo ao conselho de administração. Só assim conseguirá selecionar um novo alto escalão da estatal e garantir maioria para aprovar pautas desejadas pelo governo e, com isso, atrasar eventuais aumentos nas bombas de combustíveis.

Fontes próximas da estatal acreditam que o próximo presidente da companhia, que deverá ser confirmado no posto nos próximos dias, deverá tentar segurar um novo reajuste ao menos até as eleições. Uma fonte que conhece de perto as regras da empresa diz que, se Andrade seguir esse caminho, terá de elaborar uma documentação provando que não houve prejuízos ao mercado ou a acionistas com o atraso de se alcançar a paridade dos preços internacionais.

Nessa quarta, o presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, cobrou novamente ação do governo federal em relação aos preços elevados dos combustíveis. "O governo federal precisa ter coragem para lidar com esta situação, precisa pressionar o Conselho Administrativo (da Petrobras) e colocar presidente que atenda o currículo e que realmente mexa na Política de Paridade de Preço Internacional (PPI) da Petrobras", afirmou Chorão.

Importação de petróleo cresce no País, aponta FGV
Rio (AE) - Em meio a turbulências em torno da Petrobras, importadores brasileiros aumentaram em maio as compras externas de petróleo e derivados, reduzindo o superávit da balança comercial, segundo os dados do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) divulgado nesta quarta-feira (22), pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Os preços desses produtos quase dobraram em um ano, mas a demanda também cresceu no período.

O saldo da balança comercial brasileira foi de US$ 4,9 bilhões em maio, uma queda de US$ 3,6 bilhões em relação a maio de 2021. No acumulado de janeiro a maio, o superávit passou de US$ 26,6 bilhões em 2021 para US$ 25,4 bilhões em 2022. Em volume, as exportações caíram 8,1% em maio de 2022 ante maio de 2021, enquanto as importações subiram 3,2%.

"No mês de maio, as maiores contribuições para o aumento do volume importado foram as de derivados de petróleo (óleo diesel, naftas, hulha betuminosa), petróleo e produtos associados a adubos e fertilizantes. Os importadores, com receio da conjuntura internacional e com as turbulências que vem ocorrendo no mercado de petróleo do Brasil, podem ter antecipado suas compras. É prematuro concluir que se iniciou uma mudança no rumo das importações. No caso das exportações, a Organização Mundial do Comércio (OMC) revisou o crescimento do comércio mundial de 4,7% para 3% para 2022, devido a Guerra na Ucrânia, a desaceleração do crescimento na China e aceleração da inflação, o que leva a políticas de aumento de juros e reduz o crescimento da demanda", justificou a FGV, em nota oficial do Icomex.

Em valores, as exportações de petróleo e derivados aumentaram 23,9% em maio de 2022 ante maio de 2021, e as importações avançaram 109%. O aumento das exportações é explicado por uma elevação de 53,8% nos preços, ao passo que o volume exportado caiu 19,4%. Os preços das importações subiram 92,8%, mas o volume importado também aumentou, 6,8%.

O relatório afirma que o superávit da balança comercial brasileira em 2022 ainda pode superar o de 2021, "desde que a variação no volume importado desacelere num cenário de elevação de preços das commodities". A balança comercial de petróleo e derivados vem reduzindo o superávit nos últimos meses, saindo de um saldo positivo de US$ 2,8 bilhões em fevereiro para apenas US$ 88 milhões em maio. O grupo respondeu por uma fatia de 13% nas exportações totais e de 15% nas importações.

No acumulado de janeiro a maio de 2022, o volume de exportações brasileiras como um todo cresceu para todos os mercados, exceto China (-13,1%) e Ásia sem China (-2,4%). Os avanços ocorreram no volume vendido para os Estados Unidos (3,2%), União Europeia (11,0%), Argentina (7,6%) e demais países da América do Sul (12,2%).

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