Comitê do Nordeste recomenda lockdown em Mossoró e Natal

Publicação: 2020-05-22 00:00:00
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O Comitê Científico do Consórcio Nordeste incluiu oficialmente Natal e Mossoró, as duas maiores cidades do Rio Grande do Norte, entre os municípios que se encontram em “condições para o lockdown (isolamento social total)”. A inclusão está em um boletim divulgado nesta quinta-feira, 21, assinado pelos cientistas Miguel Nicolelis e Sérgio Rezende, coordenadores do Comitê. Na avaliação dos cientistas, ambas cidades possuem uma curva ascendente de casos e óbitos relacionados à pandemia de coronavírus e ocupação acima de 80% dos leitos gerais de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) específicos para casos de Covid-19.

Créditos: DivulgaçãoCientista aponta, em relatório publicado nesta quinta-feira, 21, que lockdown já pode ser adotado em três capitais nordestinasCientista aponta, em relatório publicado nesta quinta-feira, 21, que lockdown já pode ser adotado em três capitais nordestinas


O boletim também inclui a região metropolitana de João Pessoa, na Paraíba; as cidades de Arapicaca e São Miguel dos Campos, em Alagoas; e Salvador, na Bahia. “Esta é uma recomendação científica para os governadores e prefeitos dos Estados e cidades supracitados, cabendo a esses gestores decidir pela sua implementação ou não”, afirmam os cientistas no documento.

A taxa de ocupação dos leitos de UTI chegou na noite desta quinta-feira, 21, a 90% no Oeste, onde fica Mossoró; e 97% na região metropolitana de Natal. Questionado, o Governo do Rio Grande do Norte afirmou que as considerações do comitê do Consórcio Nordeste são “apontamentos importantes”, mas que a avaliação do comitê científico local, formado no âmbito da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN) e Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), é mais considerada porque o comitê “está mais próximo e atento a todas nuances da situação específica local”. O último entendimento do comitê da Sesap e UFRN é, ao contrário do Comitê do Nordeste, pelo não-isolamento total, por enquanto.

A Prefeitura de Natal, ao ser procurada, optou por não se pronunciar sobre a recomendação do Consórcio Nordeste pelo isolamento social total. O argumento é de que o boletim do comitê não foi enviado oficialmente à administração.

Já a Prefeitura de Mossoró afirmou que “ainda não avalia a necessidade de lockdown, mas o quadro da pandemia na cidade vem sendo observado e discutido pelo Comitê de Enfrentamento à Covid-19 (do Município), que delibera as ações e define os próximos passos.” Em nota, o Poder Executivo mossoroense informou que reforçou barreiras sanitárias e a fiscalização de estabelecimentos para diminuir os riscos de contaminação e tem plano de expansão de leitos “de responsabilidade do Governo do Estado”.
Parecer
Na segunda-feira, 18, o comitê da Sesap/RN concluiu um parecer sobre a situação epidemiológica do coronavírus no Rio Grande do Norte e fez uma série de recomendações à governadora Fátima Bezerra. Os cientistas não falam diretamente em “lockdown”, mas alegam que haverá “necessidade de ampliação das medidas restritivas” se a ocupação dos leitos estiver em 80% “sem perspectiva de ampliação” e a média de novos infectados por infectado (taxa de transmissibilidade) ser superior a dois. A Sesap/RN alega que existem leitos para serem abertos até a próxima semana em todas as regiões de saúde.

A análise feita pelos cientistas, contida no documento, contém uma projeção que mostra a taxa de transmissibilidade em Natal de 2,85, superior ao limite recomendado, mas que, segundo o comitê, “coincidiu com o início das filas nos bancos da Caixa Econômica, dia 27 de abril, dentro do período de transmissão do vírus”. Em todo o Rio Grande do Norte, a taxa ficou em torno de 1,8 no dia 8 de maio. Mossoró, analisada individualmente, possuía a mesma taxa no mesmo dia.

O documento do comitê da Sesap/RN considera “urgente” as autoridades estaduais e municipais tornarem o cumprimento do decreto estadual eficaz, mas não faz recomendações claras de como a atuação deve ser feita para aumentar a eficácia. A preocupação parte da queda da adesão ao isolamento social, que passou de 45% no dia 6 de abril para 37,6% no dia 8 de maio. Essa queda começou a acontecer a partir da segunda quinzena de abril.
Renovação de decreto
A análise dos cientistas embasou o decreto de renovação do distanciamento social públicado nesta quarta-feira, 20. O decreto incluiu novas medidas, como recomendação às Prefeituras para fecharem as orlas urbanas durante os finais de semana e a obrigatoriedade de um tempo reservado à divulgação das medidas de preveção ao coronavírus nas peças publicitárias. Dentre outros pontos recomendados, os cientistas pedem para o Estado “pactuar com os Municípios a ampliação do isolamento social para acima de 60% nesta segunda quinzena de maio, como medida apelativa para evitar o colapso do sistema de saúde”.

A principal divergência entre as recomendações do comitê regional e o local é a urgência pelo lockdown. Para o comitê local, todas as medidas restritivas foras do isolamento total devem ser esgotadas antes de um decreto mais rígido e, apesar da ocupação atual, há margem para ampliação de leitos, já planejados para serem abertos. Para o Consórcio Nordeste, a medida deveria ser tomada de imediato.





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