Compras são o principal foco

Publicação: 2010-11-28 00:00:00
Brasília (AE) - O gasto de brasileiros em viagens internacionais bate recorde mês após mês. A renda crescente e o câmbio favorável explicam os vários carimbos nos passaportes dos brasileiros. Mas a ida ao exterior tem sido diferente nos últimos meses: mais compras e menos estudo. Dados do Banco Central (BC) mostram que, enquanto o uso dos cartões de crédito em despesas no exterior disparou 58,2% nos nove primeiros meses do ano, o pagamento de viagens com fins educacionais, culturais e esportivos amargou queda de 15,4%.

Em outubro, turistas brasileiros gastaram US$ 1,25 bilhão a mais que a receita obtida com a visita de estrangeiros ao Brasil. O saldo negativo da conta de viagens é 60% maior que o visto um ano antes e, mesmo longe do período de férias escolares, é recorde para todos os meses desde o início da série histórica em 1947. De janeiro a outubro, o déficit da conta de viagens já soma US$ 8,4 bilhões, 50% maior que o acumulado em todo o ano de 2009.

Ao apresentar os números, o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, afirmou que o aumento da renda e emprego, aliado ao câmbio favorável, explicam os recordes seguidos. “Essa situação dá maior poder de compra aos brasileiros, o que favorece o gasto em outras moedas”, diz, o que favorece, inclusive, a estreia no exterior de viajantes da classe C.

Além disso, o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem de São Paulo (Abav SP), Edmar Bull, explica que há cada vez mais opções para brasileiros gastarem em dólar. “Temos uma série de voos inéditos e o número de cruzeiros cresce todo ano”, cita, ao lembrar que a conta nos navios é sempre em dólar, mesmo quando o cruzeiro for entre cidades brasileiras.

Já nos aeroportos, há voos internacionais para novas cidades, como Belo Horizonte, Brasília, Manaus e Salvador. Ao mesmo tempo, São Paulo recebe voos inéditos de cidades como Barcelona, Cingapura, Doha e Dubai.

COMPRAR OU ESTUDAR

Com o real valendo mais, brasileiros têm lotado as malas de compras no exterior. Essas despesas pagas no cartão de crédito já somam US$ 7,13 bilhões nos nove primeiros meses de 2010. Mesmo sem os dois últimos meses do ano, a conta do cartão já supera todo o ano de 2009, quando o extrato acumulou gasto de US$ 6,58 bilhões.

Outro item com forte crescimento é o pagamento de despesas diretamente ao setor de turismo, como agências de viagem, passagens e hotéis sem o uso do cartão. Nessas operações, o valor saltou 48,5% e totaliza US$ 3,91 bilhões de janeiro a setembro deste ano.

Na contramão da gastança com o turismo, a educação perdeu dólares em 2010. De janeiro a setembro, brasileiros pagaram US$ 31,4 milhões em viagens de intercâmbio ao exterior. O valor é 15,4% menor que o visto em igual período de 2009.

A educação foi o único item do turismo internacional que amargou queda. Todos os demais segmentos, como viagens de negócios, saúde ou de governo, apresentaram aumento de gastos, apontam os dados do BC.