Comunicado da Foxconn não cita fabricação de iPad no Brasil

Publicação: 2011-04-14 00:00:00 | Comentários: 1
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O Foxconn China, que produz o iPhone e o iPad para a Apple, divulgou comunicado sobre investimentos do grupo no Brasil, mas não citou o tablet nem detalhou valores ou produtos que serão fabricados no país. A multinacional, fundada em Taiwan, afirmou que vem estudando “oportunidades de investimento no Brasil”, seguindo a estratégia de “estar onde o mercado está”.

Na viagem à China, depois dos negócios, Dilma faz turismo no antigo Palácio Proibido, moradia dos antigos imperadores chinesesO comunicado, divulgado ontem, não trouxe nenhum detalhe sobre os investimentos anunciados ao governo brasileiro. Informou apenas que o Brasil tem “vasto mercado consumidor”, é “rico em recursos naturais”, tem “tremendo potencial de desenvolvimento econômico” e está “estrategicamente posicionado” para atender às necessidades dos mercados em crescimento de toda América Latina.

Segundo a empresa, no que diz respeito a projetos específicos de investimento, a política da Foxconn é de apenas fazer um anúncio após o recebimento de aprovação do conselho de administração e de todas as autoridades competentes.

Segundo o governo brasileiro, a multinacional fundada em Taiwan anunciou a Dilma a intenção de investir US$ 12 bilhões no Brasil em até 5 anos. O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, afirmou que a Apple e a Foxconn começarão a produzir iPad no Brasil até o final de novembro deste ano.

A fábrica da Apple e da Foxconn deverá ser instalada no interior de São Paulo, segundo informou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel. No Brasil, a Foxconn já fabrica produtos para Sony, Dell, HP e Sony Ericsson e possui hoje três fábricas: em Manaus (AM), Indaiatuba (SP) e Jundiaí (SP). A expectativa é que a fábrica de tablet utilize parte das estruturas já em funcionamento.

Declarações

O presidente da Foxconn, Terry Gou, criticou os custos da produção no Brasil durante uma entrevista em setembro, segundo um blog do jornal “The Wall Street Journal”. Em artigo publicado ontem com o título “How Much Does Foxconn Like Brazil?” (“Quanto a Foxconn gosta do Brasil?), o jornal afirma que o plano da empresa de investir US$ 12 bilhões no Brasil, anunciado pelo governo brasileiro, sugere que o executivo teve uma mudança radical de posição.

A empresa ganhou notoriedade no Brasil esta semana, quando autoridades brasileiras afirmaram que a Foxccon disse à presidente Dilma Rousseff que pretende investir US$ 12 bilhões em até cinco anos no Brasil. O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse que a Foxconn irá produzir iPads no Brasil ainda neste ano.

Segundo o “Wall Street Journal”, em entrevista realizada no ano passado, Gou se mostrava menos encantado com o Brasil. O executivo chegou, de acordo com o “WSJ”, a ridicularizar a capacidade de o Brasil competir com a China em produção industrial. “O salário dos trabalhadores brasileiros é muito alto. Mas os brasileiros, assim que escutam a palavra ‘futebol’, param de trabalhar. E tem ainda as danças. É uma loucura... Então, o Brasil é bom [como um lugar para fabricar] para o mercado local. O Brasil tem ótimos minerais. E eles têm o grande rio Amazonas, então há boas  hidrelétricas. Mas se você quiser enviar produtos aos EUA, leva mais tempo e mais dinheiro enviar do Brasil [do que da China]”, disse Gou, segundo o jornal.

O artigo ressalta, porém, que o Brasil não foi o único país em desenvolvimento cuja mão de obra não conseguia impressionar Gou. O empresário chegou a dizer que ele apostava bilhões de dólares no interior da China como a melhor alternativa aos locais industriais tradicionais do país, como Shenzen.

Parceria comercial com a China não tem só facilidades

SÃO PAULO - As reuniões dos Brics podem ser mais eficientes que a Rodada Doha, na opinião de Samy Dana, professor da Fundação Getúlio Vargas na Escola de Economia de São Paulo (FGV-EESP). “Os Brics têm representatividade igual ao G-20. E coordenar o posicionamento dos países sobre commodities, como pretendem os Brics, é a melhor estratégia”, afirmou.

Doha, prossegue o acadêmico, durou 10 anos e foi um tanto ineficiente. “Os Brics têm mais objetivos convergentes e podem ser mais eficientes que Doha, que perdeu a objetividade. Dos Brics pode sair um posicionamento mais claro e forte gerando resultados mais imediatos em um prazo mais curto (na área de commodities)”, avalia o professor.

Samy Dana acrescenta que o grupo Bric é uma importante oposição às políticas do G-7 e avalia que Brasil, Rússia, Índia, China e, agora, África do Sul têm credenciais para falar e se posicionar contra protecionismo. “Se disparidades crescerem entre nações, novas crises podem ocorrer”, diz ele. “Um mercado é capaz de derrubar o outro”.

A entrada da África do Sul no grupo dos Brics facilitará as trocas comerciais para o Brasil no Hemisfério Sul, conhecidas como comércio Sul-Sul, estima Dana. “Estrategicamente é preciso ocupar espaços”, cita, em relação ao fato de que a África do Sul incorpora o continente africano ao grupo Bric ampliando a representatividade dos países que o compõem.

O professor enfatiza que há espaço para maior aprofundamento das relações comerciais entre os membros dos Brics, mas observa que um aprofundamento das trocas comerciais em moedas locais ainda levará tempo. Ele cita a situação do câmbio na China como uma questão difícil. “Competir com a China é difícil. O país tem uma carga tributária equivalente a 25% do PIB, enquanto o Brasil, 36% do PIB. O salário na China é da ordem de 800 yuans, equivalentes a US$ 120 ou a R$ 192. É difícil ter custos semelhantes aos da China”.

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Comentários

  • fabiocamarabezerra

    Bom dia pessoal! O Brasil, esta entregue em boas mãos.