Conab prevê crescimento na safra de grãos no RN

Publicação: 2017-07-30 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter

Após seis anos consecutivos de estiagem, a produção de grãos no Nordeste deverá crescer cerca de 85% de acordo com relatório da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab. Os números para o Rio Grande do Norte são ainda maiores: a estimativa de crescimento da safra 2016/2017 é de 103,8% maior que a safra passada. A maior variação, ainda segundo a Conab, será na produção de feijão, cuja previsão deve saltar para 14,6 mil toneladas frente as 6,4 mil toneladas da safra anterior. Apesar da irregularidade na distribuição das chuvas e no volume das precipitações, que não foram suficientes para abastecer os principais reservatórios de água do Estado, a expectativa se embasa em uma melhora climática na região.

                                                                                                                              Magnus Nascimento
Este ano, a Emater e a Sape distribuíram 645 toneladas de sementes de feijão, milho e sorgo
Este ano, a Emater e a Sape distribuíram 645 toneladas de sementes de feijão, milho e sorgo

“Temos que atentar para as particularidades dessa informação. Como a safra passada foi muito ruim, qualquer melhoria no clima iria resultar em um crescimento positivo”, disse Antônio Carlos Magalhães Alves, coordenador de Agropecuária da Secretaria Estadual de Agricultura, da Pecuária e da Pesca – SAPE. Antônio Carlos informa que as projeções da Conab podem ser confirmadas, mas os números consolidados da safra, das perdas, da produtividade e do tamanho da área cultivada no RN serão conhecidas na segunda quinzena de agosto – prazo para os 1.460 bancos de sementes do Estado prestarem conta com a Sape e a Emater/RN (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural).

O potencial de plantio no RN é de 100 mil hectares de feijão e outros 100 mil de milho.

Entre os meses de fevereiro e março, a Emater e a Sape distribuíram 645 toneladas de sementes de feijão, milho e sorgo para 48.022 pequenos produtores rurais em 158 municípios. Já a distribuição das sementes de arroz são concentradas em Apodi e Felipe Guerra, onde há presença de áreas alagadiças. Cada produtor recebe 5kg de sementes de feijão, 5kg de milho e 3kg de sorgo.

A distribuição das sementes acompanha o comportamento do período de chuvas no RN: começa pelo Alto Oeste, na regional de Pau dos Ferros, fronteira com o Ceará; e segue em direção ao Litoral Leste até a regional de São José de Mipibu. A Sape e a Emater dividiu o Estado em dez regionais. Este ano, o Governo do RN investiu R$ 6,3 milhões para viabilizar a logística.

Feijão, milho e sorgo (usado na alimentação do gado) são agriculturas de sequeiro, que dependem exclusivamente do comportamento do clima. Outra característica das culturas cultivadas em território potiguar é o caráter de subsistência.

Temporada de chuvas
Sobre as projeções, Antônio Carlos destacou estar confiante nos resultados que deverão vir das regiões do Oeste e Alto Oeste potiguar. “As chuvas foram irregulares, mas algumas áreas apresentarão safra no mesmo patamar registrado em períodos antes desses anos de seca”.

O gestor adianta que a estimativa da produção agrícola nas regiões Agreste e Litoral Leste – únicas áreas que ainda contam com a presença das chuvas – também são boas. Inclusive o coordenador de Agropecuária da Sape acredita que as pastagens nessas regiões não enfrentarão problemas para chegar até a próxima temporada de chuvas.

“Já as regiões Central, Trairi, Potengi e Mato Grande vão acumular perdas, e o Seridó então nem se fala: a situações foi bem ruim por lá, muita seca”, avalia Antônio Carlos.

Emater orienta investimento em segurança hídrica
O diretor técnico da Emater/RN (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), Tarcísio Dantas Bezerra, orienta os pequenos produtores agrícolas do RN a investirem em métodos que garantam a segurança hídrica durante os período de estiagem.
Um dos programas mais difundidos pela Emater/RN ao longo do período de seca é o Projeto Segunda Água, que consiste em promover a conservação, preservação e reconstituição dos agroecossistemas com a implantação de barragens subterrâneas – até o momento foram criadas 1,3 mil dessas estruturas, e a meta é fechar 2017 com 2 mil.

 “Outra orientação é prolongar ao máximo o estoque de forrageira, que garante a alimentação dos animais”, informou Tarcísio, lembrando que os técnicos da Emater/RN estão presentes em 156 do RN justamente para colaborar com o planejamento de soluções para o pequeno produtor. “A única cultura se manteve durante esse período de seca foi a produção de castanha de caju. Temos 130 mil hectares de cajueiros no RN, e há um projeto com verba do programa Governo Cidadão (ex-RN Sustentável) para recuperar metade dessa área nos próximos cinco anos”.

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