Confiança na democracia

Publicação: 2020-10-29 00:00:00
Garibaldi Filho
Ex-senador da República

A  poucos dias das eleições municipais, o eleitor das maiores cidades do país ainda não escolheu ou não quer revelar seu voto. Essa informação está nas pesquisas eleitorais das diferentes regiões geográficas.

Alguns municípios de menor porte, porém, contrariam essa preocupante tendência e, mesmo enfrentando o real perigo da Covid-19, os candidatos investem nos tradicionais comícios e carreatas.

Sem saudosismo, mas com muita sinceridade, essas manifestações populares me remetem a momentos inesquecíveis que vivi e protagonizei durante algumas décadas.

Aliás, foi nessa trajetória que constatei a importância da eleição municipal para a vida dos cidadãos.

Por sinal, foi para o cargo de prefeito de Natal a minha primeira eleição para o exercício de um mandato executivo. 

Mas volto ao tema que hoje me despertou preocupação: a indiferença do eleitor na escolha dos seus preferidos para governar suas cidades a partir de janeiro.

Quem tem apreço pela democracia, enxerga com preocupação essa ausência de manifestação. Será que a pandemia faz parte desse quadro letárgico?
O vírus nos manteve em casa, uns realizando suas tarefas profissionais e quase todos  desfrutando o lazer que os recursos da tecnologia puseram ao seu alcance, como a internet e a TV, por exemplo.

Reconheço que a denominada classe política pode ser responsável por esse suposto desalento do eleitor, com promessas descumpridas aqui ou acolá. Ou com alguma “pisada em falso” dos escolhidos pela população.

Mas, sinceramente, o melhor remédio nesse caso é ouvir melhor os novos pretendentes. E acompanhar se o que prometem está coerente com a realidade do cotidiano dos municípios e as necessidades atuais da população.

É preciso não esquecer como foi difícil reconquistar o voto livre e direto depois de eleições indiretas ou simples nomeações de governadores e prefeitos de capitais. 

O tempo passa e eu não mudo. Serei sempre um apaixonado pelas causas democráticas e devoto um profundo respeito à opinião pública. 

É com essa convicção que, na hora precisa, o eleitor deve comparecer e escolher o seu prefeito e o seu vereador, prestigiando e fortalecendo a desafiada democracia brasileira.

Em tempos de dificuldades, a solução é ampliar a participação. Nunca a indiferença com as urnas. E não desanimar com a democracia representativa. A escolha livre dos nossos representantes e o exercício da liberdade de escolher os que vão exercer os mandatos no Legislativo e no Executivo garantem a nossa cidadania e o aperfeiçoamento das instituições democráticas também no âmbito municipal.











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