Conheça o motorista à distância

Publicação: 2018-12-29 00:00:00
BBC

Ben Shukman dá uma breve olhada de canto de olho enquanto conduz o carro no intenso tráfego das ruas deLas Vegas (Estados Unidos). A chuva e o famoso brilho da cidade no piso molhado avolumam as condições desfavoráveis da dirigibilidade.

Créditos: DivulgaçãoOs carros autônomos são, indiscutivelmente, o futuro automotivo do planeta. Não há como contestar este avanço tecnológicoOs carros autônomos são, indiscutivelmente, o futuro automotivo do planeta. Não há como contestar este avanço tecnológico
Os carros autônomos são, indiscutivelmente, o futuro automotivo do planeta. Não há como contestar este avanço tecnológico

Carro autônomo pode piorar o trânsito na cidade, diz estudo.

Futuro: carro sem condutor?
Essa é a primeira vez que ele trafega na área. Mas, na verdade, Shukman nunca visitou LasVegas. Embora esteja dirigindo o carro pelas movimentadas ruas da cidade, ele está, fisicamente, a 800 quilômetros dali.

Shukman é um dos poucos pilotos especializados em controlar carro autônomo, uma função para o caso de os veículos se depararem com situações complicadas as quais o computador de bordo não consiga resolver.

Se o sistema parar, a máquina envia um alerta a uma sala de controle ocupada por operadores remotos responsáveis por monitorar o andamento dos veículos. Os passageiros também podem apertar um botão para pedir que um operador humano assuma o controle remotamente se as condições de direção no momento forem muito difíceis.

Atualmente, os motoristas são chamados, principalmente, para controlar veículos de teste em vias públicas mas estão trabalhando em veículos autônomos usados em minas, aeroportos e outros locais controlados.

À medida que mais automóveis autônomos surgem nas estradas, a função de Shukman se torna ainda mais relevante.

"Esta é uma nova forma de dirigir", diz Shukman, funcionário da Phantom Auto, uma empresa especializada em tecnologia de segurança de teleoperação.

"Mas ela, rapidamente se tornará um hábito. No momento, os motoristas profissionais precisam passar dias e até semanas longe de casa. Eu enxergo esse papel evoluindo para um trabalho de escritório no futuro. Vamos poder ter centros de controle onde centenas de operadores remotos vão trabalhar perto de onde moram. Isso poderia transformar totalmente o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal dos motoristas", afirma o técnico.

Em menos de 10 anos, o carro autônomo parecia ficção científica, várias empresas de tecnologia e fabricantes de automóveis estão testando esses veículos em vias públicas ao redor do mundo.

O Google foi a primeira empresa a colocar veículos robóticos nas estradas da Califórnia (Estados Unidos). Masempresas como Ford, Jaguar Land Rover, General Motors, BMW e Volkswagen, desenvolveram sistemas autônomos próprios. Amazon, Pizza Hut e a rede supermercado online Ocado, vêm testando modelos voltados a entregas.

Mas houve retrocessos: a visão computacional usada pela "Tesla" em sua tecnologia semi-autônoma esteve envolvida em  um acidente grave. No início de 2018, o aplicativo "Uber" suspendeu suas operações de direção autônoma depois que um acidente levou à morte de um pedestre. E, mais recentemente, o carro autônomo da "Apple" se envolveu em um acidente leve.

Enquanto esses incidentes mostram que a indústria ainda tem grandes obstáculos a superar, a tendência parece seguir adiante. Entre 40% e 95% das viagens de carro será feita em automóveis autônomos até 2030, segundo diferentes análises.

A Ford Motor Companyquer colocar nas avenidas e estradas carros autônomos, sem volante ou acelerador, em 2021.

A maioria das projeções sugere que os veículos autônomos vão provocar uma onda de desemprego de milhões de "motoristas profissionais" que transportam mercadorias e pessoas. Segundo estimativas da Goldman Sachs, por exemplo, 25.000 empregos podem ser destruídos por mês nos Estados Unidos, visto que os veículos autônomos substituem caminhoneiros,taxistas e motoristas de transportes públicos. O Fórum Internacional de Transporte prevê que até o ano de 2030 haverá uma redução de 50% a 70% na demanda por caminhoneiros nos Estados Unidos e na Europa.

Novos empregos
Outras análises sugerem que a maioria dessas perdas de emprego provavelmente não será sentida plenamente até 2030, porque o impacto geral é mitigado pela criação de vagas em novos empregos.

Há, ainda, o desafio de capacitar e recolocar no novo mercado as pessoas pela automatização.

Funções como as que estão sendo executadas por Shukman e seus colegas, se tornarão cada vez mais necessárias. Uma análise do "Uber" também aponta para o aumento no  número de empregos em caminhões, à medida que, em vez de pessoas fazendo longas viagens, haverá mais entregas em trechos urbanos.

Os Carros autônomos também trazem novas funções."Para o setor de transportes, esperamos um aumento de empregos que exigem a interface direta com os clientes de veículos autônomos, para consumidores idosos ou com deficiência", diz Amitai Bin-Nun, vice-presidente de veículos autônomos e inovação em mobilidade no thinktank norte-americano SecuringAmerica's Future Energy.

Os motoristas ficariam livres para se concentrar no atendimento ao cliente, para ajudar o passageiro dentro e fora dos veículos ou oferecer-lhes serviços de bordo. Também, não há negar, serão necessários profissionais para manter grandes frotas de automóveis com tecnologia avançada.