Conselho de Saúde pede interdição do Hospital Ruy Pereira. Governo fará transferência de pacientes

Publicação: 2019-10-08 00:00:00 | Comentários: 0
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Ícaro Carvalho
Repórter

As discussões em torno do Hospital Estadual Ruy Pereira dos Santos, em Natal, ganharam novos contornos. Isso porque o Conselho Estadual de Saúde votou, à unanimidade, pela interdição da unidade, que sofre com problemas estruturais. A entidade pediu ainda a transferência imediata dos pacientes. A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) disse que pretende realocar os usuários, mas ainda não definiu data para esse processo. A secretaria admite ainda a dificuldade de recursos para reformar a unidade, que é alugada.

Desde o mês de junho que a transferência dos pacientes foi anunciada pelo Governo
Desde o mês de junho que a transferência dos pacientes foi anunciada pelo Governo

A informação foi confirmada ao jornal TRIBUNA DO NORTE pela presidente do Conselho, Geolípia Jacinto. Para tomar a decisão, votada pelos 20 membros do grupo, a entidade levou em consideração relatórios técnicos emitidos pelo Corpo de Bombeiros e a Vigilância Sanitária.

“A nossa preocupação é técnica, é em cima dos relatórios dos órgãos competentes para fazer a vistoria. São eles que estão afirmando que o Ruy Pereira não tem mais condições de continuar atendendo a população. Não é o conselho que está dizendo. Nós estamos solicitando porque podemos deliberar várias situações”. Segundo Geolípia, a ideia é propor ao Governo um prazo de 30 dias para que os pacientes sejam removidos.

Embora de caráter apenas deliberativo, isto é, sem uma determinação de cumprimento por parte do executivo, a presidente do Conselho informa que o Governo tem a obrigação de garantir a transferência e o atendimento dos pacientes.

“A partir do momento que tem dois laudos técnicos, cinco técnicos da vigilância sanitária, o Corpo de Bombeiros, dizendo a precariedade da situação daquele prédio, eu acho que a secretaria tem obrigação de cumprir uma decisão daquela. […] A decisão agora é da Sesap. Cabe a ela se vai ficar com esse risco ou não”, acrescentou.

O secretário adjunto de saúde, Petrônio Spinelli, disse à TRIBUNA que o Governo pretende realocar os pacientes, mas ainda não há data para conclusão desse processo. A Sesap não admite ainda extinguir o Ruy Pereira, mas reconhece os problemas estruturais e as dificuldades financeiras para reformar o local.

“Não podemos ter certeza se esse hospital vai ser definitivamente entregue, mas para ele se manter como hospital,  precisa de mudanças estruturais importantes que têm um custo elevado e que é de responsabilidade do proprietário”, disse. Uma estimativa preliminar feita pela própria Sesap, divulgada pela TN em setembro, mostrou que seriam necessários ao menos R$ 3 milhões para sanar os problemas identificados pelo Corpo de Bombeiros.

Aliado a isso, o Governo já trabalha com alternativas para transferir os pacientes. O secretário adjunto informa que um ambulatório de especialistas foi montado para caracterizar o perfil desses usuários, que serão transferidos de acordo com as suas reais necessidades. As alternativas do Governo são o  Hospital Coronel Pedro Germano, da Polícia Militar, o Giselda Trigueiro e o Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL).

“A Sesap reconhece os problemas estruturais do Ruy e vai trabalhar o processo de relocalização dos pacientes a partir do trabalho comedido, de uma transição trabalhada e sem risco de diminuir a oferta de leitos. A Sesap trabalha com a lógica que precisamos garantir a assistência: não podemos desativar nada sem ativar outra coisa no lugar, e que essa outra coisa, seja em melhores condições do que a situação atual”, garantiu. Em pleno funcionamento, o Ruy Pereira tem capacidade para 80 leitos clínicos de enfermaria e 10 de UTI. Segundo Spinelli, são de 60 a 70 usuários no local atualmente.

O fechamento do Ruy Pereira foi anunciado pelo Governo do Estado no dia 5 de junho, meses antes do encerramento do contrato de aluguel, em agosto. No dia 10, o poder executivo voltou atrás e renovou o aluguel por mais um ano. A unidade foi inaugurada em outubro de 2010 e funciona no antigo prédio do Itorn, no bairro Petrópolis, zona Leste de Natal.





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