Consumidor deve aproveitar preços baixos agora

Publicação: 2010-04-10 00:00:00
São Paulo (AE) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o governo ainda não decidiu se vai ou não manter as alíquotas de IPI reduzidas para produtos da indústria da construção civil. “Por enquanto ela está vigorando, então é bom que todos aproveitem os preços baixos agora. Sobre o futuro nós ainda vamos pensar. No momento, a intenção é que termine em 30 de junho”, afirmou, após participar da Feira da Internacional da Indústria da Construção, no Anhembi, na capital paulista.

Mantega recebeu um estudo de associações setoriais sobre os impactos positivos da medida para a economia brasileira. “O resultado foi excelente, conforme vocês podem ver pelas taxas de crescimento da produção”, disse. “Estamos com um boom de construção, há muito tempo isso não acontecia no Brasil. Esse setor ficou estagnado durante muitos anos e agora as perspectivas são excelentes.”

O ministro recomendou que as empresas do setor invistam mais para atender à demanda nos próximos anos, que, na avaliação dele, será crescente. “Este ano a construção está crescendo fortemente e esse crescimento vai perdurar nos próximos anos porque temos muito projetos de construção pesada e leve no Brasil. Aconselho as empresas a investir para dar conta dessa demanda extraordinária que estamos criando no País”, declarou, citando que a participação de financiamentos habitacionais no PIB é de apenas 3% ou 4%. “Esse é um dos setores que mais vai crescer nos próximos anos. O Brasil ficou atrasado em matéria de construção e portanto tem grande potencial de crescimento pela frente.”

Questionado sobre a falta de mão de obra especializada, uma das reclamações do setor, o ministro reconheceu que o governo terá de reforçar os investimentos em programas de treinamento e qualificação profissional. “Pelas circunstâncias, acho que temos de fazer um esforço maior e criar algum programa especial de qualificação. Tenho falado com meu colega Fernando Haddad (ministro da Educação) para que ele possa reforçar o programa de qualificação porque estamos precisando de mais mão de obra especializada”, disse.

“De qualquer forma, é um problema excelente. O melhor problema que tem é falta de mão de obra porque nós padecemos durante muitos anos por falta de empregos para vários brasileiros. O governo e a iniciativa privada vão conseguir suprir essas necessidades”, garantiu.

Nuci de alguns segmentos do setor beira os 90%

São Paulo (AE) - O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), Paulo Safady Simão, disse ontem que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) de alguns segmentos da construção está beirando os 90%. De acordo com ele, grande parte das empresas está com Nuci entre 87% e 88% Simão ponderou que não há razão para temer um eventual desabastecimento, pois todas as empresas estão investindo e ampliando a capacidade de produção.

Simão disse ainda que a meta inicial de contratar a construção de 1 milhão de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida será cumprida em dois meses e que até o final deste ano totalizará 1,2 milhão de casas. Até agora, já foram contratadas 800 mil casas.

O presidente da CBIC disse ainda que a falta de mão de obra especializada está obrigando o setor a importar trabalhadores da Colômbia, Bolívia e Peru. O número ainda não é significativo, segundo ele, mas é mais uma demonstração de que este é o principal gargalo do setor.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Melvyn Fox, afirmou estar otimista com o pedido feito ao governo para manter as alíquotas reduzidas de IPI para o setor. Elas vigoram até 30 de junho. De acordo com ele, as negociações estão ocorrendo e em nenhum momento o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visitou a feira do setor nesta semana, descartou a possibilidade.