Conto de Encontro XXIV

Publicação: 2020-08-07 00:00:00
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

Foi um ano agitado o da minha maioridade. Em 1980 meu tempo foi preenchido, espremido, com a atividade de professor de História e Português do segundo grau nas cidades de Eloy de Souza e Presidente Juscelino (as duas Caiadas), um freelance na Secretaria de Transportes do governo Lavoisier Maia e ainda um improviso paterno com minha sobrinha de apenas um ano. Foi também o ano que mudei da Candelária para Nova Descoberta.

As resenhas na Esquina do Rock, no bairro anterior, continuaram nas poucas folgas que surgiam, frequentando os aniversários ao som dos hits de Rita Lee, cujo LP “Lança Perfume” foi marcante. E foi aquele mesmo disco que rodou uma noite inteira, noutro bairro, na casa de um amigo por trás do estadinho Juvenal Lamartine. O cara tinha experiência em teatro e eu havia sugerido um projeto de produção de fotonovela local; e isso que me levou à sua residência.

A festa não era estranha e as pessoas não eram tão esquisitas assim, quase todas envolvidas com música, fotografia e teatro. Gostei de cara de três amigas que não economizaram simpatia comigo, principalmente uma magrelinha.

A ideia da fotonovela morreu quando a realidade dos custos baixou na mesinha de centro e sumiu para sempre entre a fumaça dos cigarros e as cinzas que caiam no chão de cimento vermelho. Saí dali com um papel para uma peça.

E tinha um casal apaixonado na trama, cujo roteiro não lembro bem e nem quem era o autor. Os primeiros ensaios de passada de texto foram lá mesmo, duraram uns dois meses, a peça não foi encenada e eu jamais virei um ator.

Sobrou aquele lance da arte imitar a vida, com o casal dos ensaios cada vez mais ligados no palco da vida real. O carinho entre nós se destacava no relacionamento da turma que se formou depois do nosso fracasso artístico.

Aos poucos fomos entrando naquela conexão que seis anos depois Caetano colocou na voz de Peninha. Nos afastávamos do grupo para vermos o mundo juntos, sendo sós e juntos sem estar sós. Éramos música, ternura e aventura.

As canções nos discos nos envolviam cada vez mais, eu levava pra casa dela LPs de Rita, Fagner, Milton, Beto Guedes e Ivan Lins, além de Beatles e Uriah Heep (pra manter minha fama de rock). E lhe dei o lançamento Eternas Ondas.

Pousei a agulha na versão de Fagner para “Oh, My Love”, de Lennon e Yoko, e antes da noite mergulhar na madrugada fiz minha própria versão, exclusivamente para ela, fazendo um sarau a dois e lendo quase em oração.

A gente era um grude danado, toda noite na calçada ou no meio-fio da casa dela, trocando palavras num murmúrio de adolescente. A paixão faz “isso” até com os idosos, me disseram ao longo da vida aqueles que constataram “isso”.

Perdemos poucos shows no Palácio dos Esportes, onde pintavam os cantores que faziam a cabeça da nossa geração. Houve um show do grupo Boca Livre que eu virei locutor de carro de som, o que foi minha primeira ação publicitária.

No ano seguinte, Geraldo Azevedo lançou o disco Inclinações Musicais, cantando “quando fevereiro chegar, saudade já não mata a gente...”. E fevereiro seria fantástico pra nós, soltos e insones no louco carnaval de Olinda.

Com dinheiro pouco e coragem muita, passamos um dia inteiro para chegar, largados em boleias e carrocerias de caminhões, dividindo visões de vida com atenciosos caminhoneiros que garantiram nossos lanches e até os cigarros.

Ao som dos clarins de Momo, cantamos Olinda juntos, subimos e descemos ladeiras, e seguramos a coisa seguindo a corda. Uma folia amorosa de vários dias e noites, deixando o dia raiar para ser então do jeito que o outro queria.


Créditos: Divulgação


Esquerdismo
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Cara de pau
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Licitação
Com quase dois meses desde que onze agências de propaganda entregaram suas propostas, a licitação do governo do estado permanece em silêncio. O tempo é mais que suficiente para que a comissão técnica faça a sua análise.

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