Contos de terror sobre a escravidão

Publicação: 2018-06-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Após uma passagem rápida pelo festival Cine Fest RN e destaque em grandes festivais brasileiros, o longa paraibano “O Nó do Diabo”, dirigido por um coletivo de diretores e roteiristas Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé e Jhésus Tribuzi, estreia no circuito comercial na rede Cinemark (sala 4), em sessão única às 19h, a partir desta quinta-feira (exceto sábado e domingo).

Com Zezé Motta no elenco, um dos contos aborda um grupo de quilombolas que se enquartela num antigo cemitério
Com Zezé Motta no elenco, um dos contos aborda um grupo de quilombolas que se enquartela num antigo cemitério

Realizado para ser uma série de tv (foi exibido na TV Brasil em capítulos), o longa é considerado inovador pela crítica e toca na ferida mais chocante da história brasileira - a escravidão -, a partir do gênero terror. São cinco histórias que se passam em épicas diferentes, recua para o passsado e volta para o presente, entrelaçadas pelo sentimento opressão e marginalização de um povo.

Há dois séculos atrás, no período da escravidão, uma fazenda canavieira era palco de horrores. Anos depois, o passado cruel permanece marcado nas paredes do local, mesmo que ninguém perceba. Eventos estranhos começam a se desenvolver e a morte torna-se evidente. Cinco contos de horror ilustram a narrativa.

“A tática do filme consiste em recuar no tempo, indo do presente ao passado. A estratégia se resume em sugerir como os sedimentos da tragédia da escravidão permanecem no tempo presente”, escreveu o crítico Luiz Zanin Orichio.

O filme vai recuando no tempo, e volta a 1987 quando um jovem casal de trabalhadores negros chega ao casarão, ainda intacto, e se emprega nos serviços domésticos. Antigos instrumentos de tortura da época da escravidão estão expostos e outros são desenterrados como por acaso e se incorporam à coleção.

Uma dos contos é sobre um grupo de quilombolas que se enquartela num antigo cemitério de escravos e tenta se defender das investidas dos Vieira e seus jagunços. À medida que o tempo passa, os quilombolas, sem saída e fragilizados, descobrem que a batalha que estão prestes a enfrentar vai além dos portões que os protegem e da terra em que pisam.

Em 1871, Joaquim, um escravo fugido do Engenho Vieira, sai em busca de um quilombo mítico com seu filho natimorto nos braços. Com o passar dos dias, se vê perdido e perseguido não apenas pelos Vieira e seus jagunços como também por pesadelos e visões que sugerem que aquela fuga não terá fim. Em 1921, Cissa e Maria são duas irmãs gêmeas que ainda são tratadas como escravas no engenho dos Vieira. Submetidas a várias formas de abusos, torturas e humilhações, cada uma tenta escapar daquele ambiente ao seu modo.


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